quinta-feira, 19 de março de 2015
À guisa de explicação
A novidade de Hegel é o tempo. E o tempo acaba com a certeza sensível de algo que é aqui e agora porque assim que expressei isso já deixou de ser de modo que o presente é uma sucessão de algo que é aqui e agora, quer dizer, de algo outro que o algo original. A certeza sensível afirma que algo é como quem afirma uma foto mas aquilo que permanece sendo é uma sucessão de fotos porque como diz a canção "o tempo não pára". Esta figura focada e atenta para a sucessão de algo no aqui e agora é chamada de percepção e vai constituir o segundo capítulo da Fenomenologia do Espírito. A certeza sensível que acreditava que o sensível é pura e simplesmente e descobriu que isso é apenas uma foto e que o sensível presente só permanece na condição de ser enquanto sucessão de fotos, melhor, passando para a condição de não-ser e vindo à condição de ser, quer dizer, descobriu que a verdade deve estar com a percepção que está focada e atenta na sucessão de fotogramas, no filme que vivencia durante a percepção da coisa sensível que sucessivamente é, deixa de ser e vem a ser. É possível chegar à singularidade com a percepção? Esta é a pergunta que orienta o segundo capítulo da Fenomenologia do Espírito chamado de Percepção.
No tempo o presente é como uma ponte entre o passado e o futuro e o presente vive do seu aniquilamento, então quando Nietzsche diz que o homem é uma ponte estendida entre o animal e o super-homem e que a grandeza do homem é querer seu próprio aniquilamento ele parece estar fazendo uma identidade entre presente e homem/humanidade. Pelo menos é este o resultado a que chegamos com a saída da certeza sensível e a entrada na percepção como ensina Hegel.
A certeza sensível se viu às voltas com a diferença entre o isto sensível tal qual ele efetivamente é e a opinião que ela tinha de como este isto sensível era. A percepção anuncia no seu título que ficará às voltas com a diferença entre a coisa e a ilusão, talvez porque com o passado entre em cena a memória e com ela a possibilidade de falha, de ilusão.
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