segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Quando e como?! [II]




Nunca pensei que chegaria nesse ponto: Morrer talvez seja a atitude mais saudável!


O que é viver atualmente? É ser esperto, manipulador, dominador, enfim, ser explorador. Isso é ser vivo, saudável. Mas, para quem? Para quem explora. E para quem é explorado? Isso é morrer, é adoecer, melhor, é ser morto, é ser adoecido. Que quem é explorado se levante contra o viver atual e dele queira se libertar parece algo muito aceitável e verdadeiramente saudável, afinal, quem quer viver adoecido e sendo morto dia a dia? Mas quando se levantar e se libertar do modo de vida atual se torna precisamente a atividade de praticar o modo de vida atual, quer dizer, a atividade de ser esperto, manipulador, dominador, enfim, de ser explorador?! Quer dizer, mas quando se levantar e se libertar de ser explorado significa apenas se tornar explorador?!


E não se trata aqui de meramente virar a casaca ou de trair o lado dos explorados passando para o lado dos exploradores. Se trata de verificar que o levante e a libertação dos explorados se afirmam unicamente como queda e prisão dos exploradores sob o domínio e exploração dos novos exploradores, que são precisamente os antigos explorados. E, nesse caso, o que passa a ser o novo viver, o novo modo de vida?! Não é uma mudança do anterior, uma transformação do anterior?! Não é uma revolução do modo de vida anterior que eleva quem estava abaixo e bota abaixo quem estava em cima?! Uma revolução que muda a classe que está no poder?! É tudo isso, com certeza, mas é, ao mesmo tempo, a conservação de um mesmo modo de vida estrutural. a conservação de um mesmo poder, ou seja, permanece sendo intacta e integramente o mesmo modo de vida estrutural que é a exploração, o mesmo poder que é o poder da exploração.



Desse modo, aquilo que se afirma no Manifesto do Partido Comunista: "(...) a história até aqui tem sido sempre a história das lutas de classes (...)" em lugar de apenas ter sido passa a ser, foi, é e será sempre, logo, o conceito mais apropriado não é mais o da emancipação da exploração do homem pelo homem e sim o do eterno retorno da exploração do homem pelo homem, melhor, o do eterno retorno do super-homem. E, para o super-homem, o homem é apenas uma ponte entre o animal e o super-homem de modo que o homem pode sempre ser subjugado e explorado, mais ainda, precisa sempre cair e ser explorado para que se erga e o explore sempre o super-homem.


Numa situação dessas é evidente que não há nenhuma saída do modo de vida dominante, o da exploração do homem pelo homem em prol do super-homem. Portanto, é nesse caso, que fica evidente não haver saída da doença para a saúde, mas, ao contrário, fica evidente que só há agravamento da doença ou passagem e continuidade duma doença para outra ainda mais profunda, portanto, repito, é nesse caso, que se coloca a possibilidade de ser, talvez, mais saudável morrer. Ora, na história do pensamento filosófico quem defende que o mais saudável é não ter nascido e, em segundo lugar, que ao ter nascido que o melhor é morrer logo, cedinho, é precisamente quem defende o eterno retorno da exploração. Ou seja, este critério de saúde, a opção pela própria morte, pelo aniquilamento, pelo niilismo é apresentado como solução pelos que defendem o critério da grande saúde como sendo o inerente à natureza exploradora que se desenvolve explorando desde sua natureza de simples animal até chegar à do complexo super-homem. Morrer é visto como mais saudável para deixar o caminho livre para os exploradores perseverarem no caminho da grande saúde da exploração que é viabilizar o advento do super-homem ou do eterno retorno da exploração.


Então, existe uma outra saída?! É possível deixar de ser explorado sem se tornar um explorador?! É possível o fim das lutas de classes e das sociedades de classes?! Quando e como?!





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