sábado, 20 de dezembro de 2014

Farsas e autenticidades



Vim aqui (no Facebook) para achar uma enxurrada de postagens a respeito do novo cenário que se anuncia, o da quebra da Petrobrás e da angústia quanto ao destino do seu espólio (estatal ou privado? nacional ou multinacional? estatal nacional ou privado nacional? estatal multinacional ou privado multinacional? privado multinacional ou privado internacional?). Nada achei. Fico me perguntando se o silêncio é prenúncio da tragédia tal qual a calmaria é da tempestade?! O materialismo capitalista que reduz o trabalho a mero meio de vida, a mera abstração quantitativa (essa atividade de manipular, explorar e corromper) e separada de toda concretude qualitativa e vital foi praticado em seu grau máximo precisamente para destruir as forças produtivas da Petrobrás e do seu contexto de modo a manter e aprofundar as relações de produção capitalistas que condenam a Petrobrás e o seu contexto (o país e a região latino-americana) a permanecer eternamente mero meio de vida. Mas, esse é o serviço "revolucionário" dos governos do PT?!?!?!?! A "revolução" é concebida como resultante do "quanto pior, melhor"?! Mas, isso não é precisamente favorecer a "contrarrevolução"?!?!?!


http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/12/wanderley-guilherme-o-governo-deve-satisfacao-a-quem-o-elegeu-1204.html


Será que Dilma está repetindo a história de João Goulart que caminhou para um governo inviável e ao qual só restou a dignidade de sofrer o golpe?! A história se repete, mas, acrescentava Marx, como farsa. E qual a resultante da farsa atual?! A vitória da reforma democrática feita na marra ou a vitória da democracia vigente mantida nas armas?! Ou será que a atual constante referência ao golpe civil militar de 64, digo, ao aspecto civil do golpe de 64, consciente ou inconscientemente, quer trazer à tona a luta ou guerra civil que não ocorreu em 64?! Re-volução e re-ação possuem em comum a repetição que impõem uma à evolução e a outra à ação, mas enquanto uma gira em torno de si ou de sua evolução já a outra contraria a ação do outro ou de sua evolução. E se ambas repetem, então são ambas farsas?! Onde estará e com quem andará a autenticidade atualmente?!


https://ninja.oximity.com/article/Queremos-respirar.-Protesto-contra-a-P-1


Mas, os novos movimentos de Obama e do Papa Francisco e de Raúl Castro são uma retomada dos movimentos civis da época de Luther King, do Papa João XXIII e da coexistência pacífica de Khrushchev? São repetições e, portanto, farsas?! Sim, podem ser repetições e, portanto, farsas, mas, há algo da autenticidade atual. Qual? Por toda parte existe um incentivo e apoio aos movimento sociais civis que derrubam ou abalam governos, mais recentemente isso ocorreu na Ucrânia e na Venezuela, respectivamente. Os líderes dos movimentos civis na Ucrânia e na Venezuela são considerados de direita, mesmo assim estão situados na posição de lutadores pela liberdade, lutadores pela democracia, ou seja, o que está em vigor na atualidade é o incentivo e o apoio aos movimentos sociais civis que conduzam à liberdade e à democracia, logo, movimentos que afastem a perspectiva do terrorismo, especialmente, o terrorismo atual, o dos que se dizem fundamentalistas religiosos. Ora, o tal do "terrorismo" cubano não é fundamentalista religioso e, até mesmo, é contrário ao terrorismo dos fundamentalistas religiosos. O Papa Francisco e a Igreja Católica são os maiores representantes na atualidade do ecumenismo, que é precisamente o oposto do fundamentalismo. Raúl Castro é o representante das reformas que visam adaptar Cuba às novas condições de hegemonia global do capitalismo, quer dizer, de ausência de uma autointitulada superpotência comunista real, mas, ainda assim, com a possibilidade de Cuba permanecer um Estado-Nação soberano, independente e autodeterminado. Com a perspectiva de fim do bloqueio todas as atuais reformas de Cuba (admissão da propriedade privada, do empreendedorismo e de maiores e livres iniciativas individuais) que vem sendo implantadas de forma soberana, independente e autodeterminada encontrarão sua razão de ser ou finalidade na criativa adaptação de Cuba às novas condições mundiais de predomínio do capitalismo globalizado e da democracia e liberdade globalizadas.


A Rússia, que está sob ataque econômico que compreende uma série de medidas até chegar ao bloqueio puro e simples como o de Cuba, no seu processo de luta de sobrevivência e de influência políticas vem fazendo alianças e vem até mesmo financiando os partidos da extrema direita européia. E estes partidos da extrema direita européia estão se consolidando dentro das regras democráticas dos países europeus de modo que o caráter autocrático destes partidos, por um lado, adquire aceitação, popularidade e, mais do que isso, adquire adaptação criativa nos países da União Européia, e, por outro lado, este caráter autocrático manifesta identidade com o caráter autocrático russo e defende a legitimidade das ações do governo de Putin como próprias da autodefesa da soberania, independência e autodeterminação da Rússia.


Tanto Putin quanto a extrema direita européia estão se movendo no mesmo ambiente e no mesmo leque de opções que Obama e os governos da União Europeia, ou seja, estão se movendo no âmbito da política e, nesse sentido, diferem dos movimentos terroristas dos fundamentalistas religiosos. Por sinal, é significativo que o fundamentalismo islâmico tenha sido antes inimigo da Rússia, melhor, da URSS do que dos Estados Unidos e que tenha se tornado, até certo ponto, o inimigo comum da Rússia e dos Estados Unidos, como fica bem visível no caso do grupo Estado Islâmico em ação na Síria que levou os Estados Unidos, apesar de muita resistência, a admitir que o Estado Islâmico é o inimigo principal e um inimigo maior do que o governo sírio de Assad e, assim ainda que não admita, acabou "dando o braço a torcer para a Rússia, que defende o governo de Assad na Síria.


Claro que a maioria das armas produzidas no mundo ainda são dos Estados Unidos e da Rússia, portanto, a suspeita entre eles é mútua e o mercado de armas que disputam abrange os diferentes grupos de fundamentalistas religiosos de modo que costumam ver por detrás desses grupos ações de fornecimento de armas ou de um ou de outro, respectivamente, ou dos Estados Unidos ou da Rússia. E é aí nessa atividade de tráfico de armas que ainda vêem um ao outro como participantes duma "Guerra Fria" entre si e numa "Guerra Quente" entre os fundamentalistas religiosos e seus inimigos ateus e religiosos não-fundamentalistas.


Apesar das diferenças políticas entre Estados Unidos e Rússia e das alianças políticas que fazem na Europa, ambos países incentivam e apoiam saídas, perspectivas e caminhos políticos e lutam contra os diferentes grupos terroristas dos fundamentalistas religiosos. Então, a direção geral para a qual procuram encaminhar o mundo é a do desenvolvimento político, logo, dos direitos políticos civis de modo que a autenticidade, nesse caso, estará nas lutas e com as lutas dos movimentos sociais civis. No outro extremo, estarão não só as resistências aos avanços sociais civis do status quo querendo manter seus privilégios e mesquinharias mas também as atividades terroristas dos fundamentalistas religiosos querendo a instauração dum mundo organizado e ordenado pelos deveres religiosos que são também os direitos religiosos, um mundo fundamentalista e não o mundo sem fé, sem fundamento e sem sentido dos chamados direitos políticos.


A autenticidade está com os movimentos civis de massas (sejam dirigidos pela direita ou pela esquerda) e com os movimentos terroristas de grupos fundamentalistas religiosos. A farsa está com no repetir a história do status quo.





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