sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Sair: A opção pela denúncia, pelo levantamento do problema.
Eu acredito que para muitos parecerei ridículo e pretensioso, mas, infelizmente, para eles e mesmo para mim, eu acredito que esta é a melhor alternativa. Acredito que em todos os movimentos atuais, revoluções coloridas, dos acampados de Wall Street, dos indignados da Espanha, das primaveras árabes, da oposição na Venezuela, das jornadas de junho no Brasil as redes sociais aparecem em destaque como viabilizadoras de novas formas organizativas, mas também que aquilo que não aparece é precisamente estas coisas que não são feitas diretamente pelas pessoas que se encontram nas redes e sim pelos interesses do Facebook e dos grupos que se organizam na rede do Facebook, ou seja, existe sim uma direção vertical e não-horizontal no interior desse novo fenômeno de mídia que parece ser bem mais manipuladora do que as antigas direções de vanguarda porque, ao contrário daquelas que tinham seus próprios meios de expressão (jornais, revistas, livros) dos quais eram diretamente responsáveis pelos direitos autorais, as atuais se apoderam diretamente dos direitos autorais dos usuários ou enquadram os usuários em determinados perfis de modo que assim classificados eles participam da rede dentro dos limites a eles (pré) destinados. Ou seja, os usuários são classificados, segmentados e possuem um alcance e influência (pré) determinados de modo que a resultante de seus movimentos é controlada ou é expressa sempre como movimento civil da opinião pública ou social, melhor, é sempre na condição de coro (para usarmos um termo da tragédia e do teatro) para as ações decisivas dos protagonistas, ainda que em certas ocasiões os protagonistas estejam já ali junto com o coro (oposição na Ucrânia e na Venezuela, em geral, as oposições nas chamadas revoluções coloridas; a Irmandade Muçulmana esteve meio à margem do coro da primavera do Egito, aliás, nesta os militares nunca saíram do poder e apenas puderam reprimir a Irmandade Muçulmana numa escala maior do que anteriormente). Acredito que toda esta pretensa liberdade da internet é a instituição da mais extensa e intensa sociedade de vigilância e que é baseada não na mera repressão e sim no incentivo ao nosso exercício ativo, ao uso de nossa força de trabalho, baseada na promoção do nosso poder mas dentro dum ambiente que é efetivamente o do Big Brother, efetivamente o da vigilância que lucra com as atividades e os exercícios de poder dos próprios vigiados porque são tais atividades e exercícios de poder que produzem mais-valia para a vigilância do Big Brother.
Carlos Eduardo - Estou desativando o meu Facebook por sua causa e de outros. A explicação está na última postagem do meu blog. Eu nunca solicitei sua amizade e não me recordo de você.
Paula Máiran - Eu também não sei quem é vc e não me recordo de ter pedido que me adicionasse. Não entendi que mal causei, mas certamente não houve intenção. Não entendi nada.
Carlos Eduardo - Tudo bem, mas o mal é o seguinte: Quem é o sujeito da sua história? Quem é o sujeito da minha história? Quem são os sujeitos nas nossas histórias? A Tânia que aparecia como sua amiga me disse que não a conhecia. Porque ter pessoas desconhecidas presentes no nosso Facebook? E como se fossem conhecidas? Isso é um Big Brother? Não me refiro apenas ao atual mas ao antigo e original Big Brother
Paula Máiran - Eu vi agora que conheço alguns dos seus amigos. Como o Fernando e a Fátima. Não me lembro do porquê de ter te adicionado, mas raramente posso adicionar pessoas mesmo sem conhecer se curto o conteúdo, se vejo afinidade nos ideais.
Paula Máiran - Se isso incomoda a você é só bloquear.
Carlos Eduardo - Isso não aconteceu só com você. No passado eu fiz o bloqueio de 3. Mas é algo pior, eu vi que o Facebook registrou eu solicitando sua amizade. Ora nunca poderia imaginar o seu nome e muito menos solicitar amizade sem conhecê-la. Então é o Facebook ou alguém nele que está querendo dirigir minha vida, meus contatos etc. Muito tempo atrás eu descobri que tinha um perfil público que eu não tinha criado, logo, estava sendo tachado e etiquetado por alguém com aquele perfil. Isso me incomoda e muito mesmo. Eu vou sim desativar minha conta no Facebook, mas foi bom ter falado contigo.
Paula Máiran - Tudo bem. Isso é grave se o face convida em nosso nome sem autorização. Enfim, tudo de bom pra você.
Razões para desativar exigidas obrigatoriamente pelo Facebook ou explicação sine quae non do Facebook para desativar:
Desativo porque o Facebook faz coisas que atribui a mim. Faz o meu perfil, introduz desconhecidos e registra como convidados por mim, faz uma postagem de fim de ano com minha foto e que quando quero saber o que é nada mostra, exceto um escurecimento da tela. Enfim, porque o Facebook quer ser minha subjetividade, quer agir no meu lugar, me enquadrar num lugar, quer fazer a minha história, quer me usar e não ser um serviço que eu use, quer inverter a relação e com isso me nega como sujeito. Essa é a explicação.
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