domingo, 30 de novembro de 2014

As novas tecnologias e as redes de pequenos grandes irmãos [I]



Estou pensando em sair do Facebook porque desde o início aparecem pessoas na minha lista de amigos que eu não convidei nem solicitei amizade. Ontem, dando uma busca a respeito de como sair do Facebook acabei entrando num caminho que mostrava meus feitos e eis que o Facebook me atribui o convite para uma dessas pessoas que eu não solicitei amizade e nem sei quem é. É o Facebook quem tem feito isso? Pode até ser, mas o mais provável é que sejam até mesmo pessoas que eu solicitei amizade que estejam fazendo esse tipo de coisa desde o início. Talvez considerem que isso seja fazer política, que isso seja fazer o bem e que, portanto, cercar-me na sua área de influência, no seu domínio, no seu curral seja promover minha educação, o desenvolvimento da minha consciência. E isto porque no mundo "real" a educação e a conscientização se fazem exercendo o poder-saber, a disciplina, o controle, a manipulação, enfim, impondo a vontade por todos os meios desde os mais sutis até os mais cruéis, desde os mais legítimos e legais até os mais criminosos e clandestinos. Mas, tais "amigos da liberdade e da libertação" parecem pensar que a prática da liberdade se desenvolve entrando em contradição consigo mesma e que não existe nenhum outro caminho para o exercício da liberdade, pelo menos para a liberdade prática, para a liberdade do mundo "real".


Tais "amigos da liberdade e da libertação" estão "transformando o mundo" ao aprenderem o uso das novas tecnologias e das novas capacidades e habilidades que elas permitem que tenham para expressar, organizar e dominar o mundo impondo sua vontade por todos os meios. Eles parecem não perceber muito bem que estão sendo ensinados pelas novas tecnologias a ser agentes da vontade delas, melhor, dos donos delas, quer dizer, daqueles que as produzem, introduzem e expandem por toda parte precisamente recorrendo à formação duma rede mundial de "amigos da liberdade e da libertação", de "revolucionários", de "transformadores do mundo" que aprendem a ser experimentados usuários das novas tecnologias e, assim, as expandem. E com essa expansão das novas tecnologias expandem igualmente tudo que aprendem com elas e, em especial, a serem agentes experimentados de tudo que elas requerem e impõem aos usuários. E, aquilo que tais novas tecnologias basicamente ensinam e expandem como formação por toda parte é a atividade de espiar. Ser "amigo da liberdade e da libertação", "ser revolucionário experimentado", então, é ser "espião", ser "agente da vontade dos donos das novas tecnologias", ser "agente dos novos desenvolvimentos do sistema capitalista".


- Ah, mas isto é ser a "nova força de trabalho do sistema capitalista", uai!!!?? A inexistência de privacidade não é um sintoma da dissolução da propriedade privada?! Um mundo sem qualquer privacidade não é, afinal, um mundo inteiramente socializado?!?! Portanto, com as novas tecnologias não se está a apenas um passo da sociedade inteiramente socializada, da sociedade comunista?!?!


"Grande Irmão", denunciado como o tirano dum mundo sem privacidade no livro "1984", que retratava essa prática da luta de "gato e rato" entre o "Grande Irmão" Stálin e Trotsky, se tornou um bem-sucedido "reality show" (novamente aí está a preponderância da fascinação pelo "real"), ou seja, a cultura da espionagem, do espiar se tornou cultura de massas, se popularizou para se mostrar como marca duma época, como ideologia dominante da qual além de os "amigos da liberdade e da libertação" não escaparem, eles se tornam seus experimentados agentes, como "revolucionários e transformadores do mundo". Afinal, "mudar o mundo!" é o slogan duma das propagandas mundiais da coca-cola.

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