domingo, 26 de abril de 2015

Qual é mesmo o problema?!?!




Onde se encontra, na atualidade, o homem prático, real, natural e instintivo do qual fala Nietzsche? No início ele se encontrava no Estado, melhor, ele era o Estado prático, real, natural e instintivo porque não havia diferença entre o seu excesso de potência e o excesso de potência chamado de Estado, já que tinha sido precisamente o seu excesso de potência que tinha instituído a sua diferença de potência ante os carentes de potência como um Estado frente aos carentes de um Estado. Mas, na atualidade, o Estado é teórico, imaginativo, artificial e inteligente e este seu excesso de potência teórica torna o Estado dos com excesso de potência teórica, quer dizer, dos carentes de potência, um Estado dos fracos que só é forte como rebelião na moral. O Estado atual é o Estado perfeito dos sacerdotes e de sua rebelião dos escravos na moral porque ele não deixa de ser dos sacerdotes e, portanto, de ser uma rebelião dos escravos meramente na moral quando permite que os escravos o usem e abusem como bem entendam, ou seja, seu uso igual por todos é perfeito e moral, em nada alterando a diferença ou desigualdade entre sacerdotes/capitalistas e escravos/trabalhadores na Sociedade Civil. Por mais que se faça confusão - confusão que, às vezes, parece até ser desejada por Nietzsche - entre o Estado original e o Estado atual, já que o homem prático, real, natural e instintivo primeiro se manifestou como Estado original, só é possível achar no Estado atual o cadáver do homem prático, real, natural e instintivo porque o Estado atual é o Estado perfeito, igual, moral, é o Estado do homem teórico, imaginativo, artificial e inteligente liberado igualmente para todos, por ser a máquina que a todos iguala como cidadão do Estado para que todos se igualem como homem da Sociedade Civil, quer dizer, cada um com direito a existir tanto com sua diferença física de cor, de sexo, de potência (excesso instintivo x carência instintiva?!) quanto com sua diferença social (capitalista/excesso de artifício inteligente x trabalhador/falta de artifício inteligente), com sua diferença de potência (excesso instintivo x carência instintiva?!).


Primeira novidade, o homem prático, real, natural e instintivo não se encontra no Estado atual, exceto como homem morto. Logo, Nietzsche não pode buscar nem encontrar, se buscar, o homem do excesso de potência natural e instintiva no Estado atual. Isso é muito importante porque afasta Nietzsche da acusação de querer um Estado totalitário atual. Porém, não o afasta da "irracionalidade" - para quem quer o instintivo não existe aí um problema, certo?! - de querer o Estado original e/ou o homem natural e instintivo, mesmo quando este, no Estado atual, não passa de um cadáver.


Se o homem prático, real, natural e instintivo ainda estiver vivo ele deve ser buscado na Sociedade Civil porque foi para ela que a antiga diferença física, técnica e estamental entre os humanos foi remetida, logo, é ainda nela que se encontra a diferença de potência entre os humanos, a diferença entre os portadores de excesso de potência natural e instintiva e os portadores de carência de potência natural e instintiva. E isso é tão mais verdadeiro quanto é evidente que a diferença de potência permanece estabelecendo uma diferença entre os humanos, se antes era uma diferença estamental entre Estado e Sociedade (Civil), agora é uma diferença social (civil) entre classes sociais (civis).


Ora, a Sociedade Civil atual é a dominada pelo homem teórico, imaginativo, artificial e inteligente que reduz os trabalhadores a meros portadores duma potência natural e instintiva média, logo, ela faz uma média entre as potências naturais e instintivas excessivas e carentes, desse modo, ela as associa numa unidade ou comunidade das potências naturais e instintivas que são exploradas e contrapostas socialmente a uma outra unidade ou comunidade que é a das potências artificiais e inteligentes. Tais unidades ou comunidades de potências contrapostas desenvolvem lutas sociais civis ou lutas na Sociedade Civil que são as famosas lutas de classes.


A comunidade trabalhadora das potências naturais e instintivas que se contrapõe antagonicamente à comunidade capitalista das potências artificiais e inteligentes tende a lutar pelo domínio dos meios de produção das potências artificiais e inteligentes dos capitalistas, então sua finalidade é o domínio das potências artificiais e inteligentes pelas potências naturais e instintivas. No entanto, as potências naturais e instintivas dos trabalhadores só conquistam efetivamente a supremacia sobre as potências artificiais e inteligentes por meio da socialização dos meios de produção, quer dizer, da passagem dos meios de produção de potência artificial e inteligente das mãos dos capitalistas ou potências artificiais e inteligentes para as mãos dos trabalhadores ou potências naturais e instintivas, ou seja, é novamente a associação das potências naturais e instintivas que se re-afirma mas agora também como associação que domina as potências artificiais e inteligentes, logo, a mudança se faz inteira e completamente na socialização, na sociedade, na associação e não mais no Estado, além disso, a mudança de mãos ou a passagem para a potência natural e instintiva dos trabalhadores é geradora duma comunidade e não de um Estado, significando que na atualidade a potência natural e instintiva é geradora duma associação comum porque aprendeu historicamente com a potência artificial e inteligente a fazer a média e, desse modo, a evitar que a potência artificial e inteligente volte a dominar a potência natural e instintiva.


Equacionamentos entre as potências naturais e instintivas para que não haja dominação entre elas e, principalmente, para que as potências artificiais e inteligentes não as dominem. Porém, equacionamentos são próprios das potências artificiais e inteligentes, então, a comunidade das potências naturais e instintivas também é uma comunidade das potências artificiais e inteligentes. Com efeito, os meios de produção de potências artificiais e inteligentes sendo socializados também deixam de se sobrepor e de dominar as potências naturais e instintivas, deixam de ser a base do Estado perfeito, igual e moral que garante o domínio capitalista ou da potência artificial e inteligente da Sociedade Civil sobre os trabalhadores ou sobre as potências naturais e instintivas.


Este retorno do domínio da potência natural e instintiva sobre a potência artificial e inteligente é diferente do original porque o primeiro era um domínio natural e instintivo da potência natural e instintiva sobre a potência artificial e inteligente, já o segundo será um domínio artificial e inteligente (média) da potência natural e instintiva sobre a potência artificial e inteligente.


O problema está todo no seguinte: o conceito (artifício e inteligência) é uma potência humana natural e instintiva ou, ao  contrário, é a positividade (natureza e instinto) que é uma potência humana natural e instintiva?! O conceito é natural e instintivamente humano ou não? A natureza humana difere da natureza em geral e da natureza animal em particular porque o conceito é sua exclusiva potência humana natural e instintiva?! Ou não?! Difere porque a positividade é sua exclusiva potência humana natural e instintiva?! Então, a natureza e os animais não são assim tão positivos, tão naturais e instintivos?! São o quê?!













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