quarta-feira, 29 de abril de 2015
Por onde começar?
A primeira necessidade vital ou natural e instintiva é a da potência vital ou natural e instintiva, ou seja, é a tal suposição de que o ser precede à consciência, logo, de que a potência vital natural e instintiva precede a potência vital artificial e inteligente, quer dizer, é a suposição de que a positividade ou o momento de realidade precede o conceito ou o momento imaginativo. Esta primeira necessidade vital da potência vital natural e instintiva corresponde a uma condição física da potência, quer dizer, a uma condição técnica da potência que pode ser chamada e é chamada de trabalho.
Mas existe também a potência vital artificial e inteligente que depende de e corresponde a uma condição psíquica da potência, também conhecida como condição espiritual da potência e que também é conhecida por ser responsável pela condição tecnológica da potência que também pode ser chamada e também é chamada de trabalho.
Estas duas potências vitais são cotidianamente chamadas de trabalho manual e de trabalho intelectual de modo a diferenciar o predomínio do uso da condição física do predomínio do uso da condição psíquica. A ciência ou o conhecimento faz uso preponderante do conceito e da condição psíquica do trabalho.
A vida começa com a manifestação da potência vital natural e instintiva e com a latência da potência vital artificial e inteligente. E a história tende a se mostrar como um efeito da vida e, por isso, a repetir o processo da vida. De modo que o surgimento do Estado não é exatamente a manifestação da potência artificial e inteligente que saiu da latência, mas, antes disso, é a expressão da diferença do excesso da potência vital natural e instintiva de uns em relação à falta da potência natural e instintiva em outros, ou seja, só é manifestação de consciência, de conceito ou de potência vital artificial e inteligente enquanto esta se mostra apenas como uma consciência da própria potência vital natural e instintiva superior e da potência vital natural e instintiva inferior, como uma diferença de Estado natural entre as potências naturais, de modo que a potência natural superior se afirma como um Estado natural e a potência natural inferior é vista como uma falta, uma negação, uma ausência, melhor, uma insuficiência de Estado natural, logo, como um sem-Estado natural ou como um não-Estado natural.
Mas a insuficiência ou falta de potência natural e instintiva não é uma manifestação da suficiência ou do excesso de potência artificial e inteligente. Pelo contrário, nesse primeiro momento, o conceito que surge é o de quem afirma a suficiência ou o excesso de potência natural e instintiva e percebe a insuficiência ou a falta de potência natural e instintiva, ou seja, quem fala e conceitua a superioridade e a inferioridade de potência natural é quem porta a suficiência ou o excesso de potência para poder se expressar, se revelar, se perceber e ser percebido como Estado natural e instintivo da potência. Portanto, nesse primeiro momento, o conceito, a consciência ou a potência artificial e inteligente ainda é imediatamente da positividade, da atividade ou da suficiência/excesso de potência natural e instintiva. Noutras palavras, a suficiência ou excesso de potência vital artificial e inteligente ainda se encontra em latência, mas, nessa sua condição de latência, ela está presente suficientemente ou em excesso precisamente em quem?! Se fosse em quem não dispõe de potência vital natural e instintiva suficiente e excessiva, quer dizer, em quem falta potência natural e instintiva, então, este já surgiria como um outro Estado artificial e inteligente frente ao Estado natural e instintivo; logo, temos de admitir que a potência vital artificial e inteligente, enquanto suficiente e excessiva, se encontra em latência precisamente em quem primeiro fala e conceitua a suficiência ou o excesso de potência natural e instintiva. Daí que Nietzsche diga que ela nasce com o guerreiro que adoece e, desse modo, contata, descobre, desenvolve, expressa ou manifesta sua latência como potência vital artificial e inteligente do sacerdote.
Porém, uma vez descoberta e expressa a latência, vem à tona a diferença entre o senhor ou mestre da potência natural e instintiva e o senhor ou mestre da potência artificial e inteligente. O primeiro despreza o artifício e a inteligência porque aquilo que afirma e frui é a natureza e o instinto. Já o segundo percebe, ao descobrir e desenvolver a potência vital artificial e inteligente, que só terá possibilidade de afirmá-la como suficiência ou excesso recorrendo precisamente àqueles cuja afirmação e fruição da potência vital natural e instintiva é desprezível e desprezada, quer dizer, àqueles que, ainda que usados pelo novo senhor e mestre, receberão de bom grado, um uso artificial e inteligente que eleve sua auto-estima, os valorize, melhore suas condições gerais e os proteja da indiferença, do desprezo e da ridicularização que deles fazem os senhores do excesso de potência natural e instintiva. Esse desprezo dos senhores da potência natural e instintiva é vivenciado pelo senhor que se tornou mestre ou senhor da potência artificial e inteligente sob a forma de ressentimento em relação à sua antiga potência natural e ao seu antigo Estado natural de modo que ele quer agora suprimir seu antigo Estado natural e seus antigos companheiros de potência natural, ele quer ser senhor ou mestre dos sem potência natural e instintiva suficiente, dos sem-Estado natural ou situados num não-Estado natural, ele quer inverter e afirmar esta situação como a negação do Estado natural e a afirmação dos sem-Estado natural como melhores porque podem participar da afirmação do "não-Estado natural" por meio da instituição do Estado artificial e inteligente.
A diferença de potência natural e instintiva institui o Estado natural como diferença de potência e ela não se baseia na exploração propriamente dita de quem é portador de insuficiência ou falta de potência natural e sim, ao contrário, na de quem é portador de suficiência ou excesso de potência natural. Já a diferença de potência artificial e inteligente institui o Estado artificial como diferença de potência e para tanto depende inteiramente da exploração propriamente dita de quem é portador da insuficiência ou falta de potência natural porque um senhor de excesso de potência natural e instintiva doente não pode vencer os senhores de excesso de potências naturais e instintivas saudáveis, mas se recorrer à massa de escravos com insuficiência de potências naturais e instintivas então poderá vencê-los, mas apenas por criar um excesso de potência artificial e inteligente com o trabalho dos escravos.
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Quais as consequências disso para a questão da mudança das circunstâncias e da educação?
Primeiro, são as circunstâncias naturais e instintivas que afirmam as potências naturais e instintivas que, por sua vez, mudam as circunstâncias naturais e instintivas sob a forma de desenvolvimento, aperfeiçoamento das potências naturais e instintivas. O excesso de potência natural e instintiva certamente muda facilmente as circunstâncias naturais e instintivas afirmando a supremacia do seu excesso de potência natural e instintiva, ou seja, instituindo o curso natural e instintivo do desenvolvimento do Estado natural e instintivo, quer dizer, instituindo uma educação natural e instintiva, uma educação guerreira dos guerreiros. Mas, aqueles que são reprovados nessa educação guerreira dos guerreiros são aqueles cujas potências naturais e instintivas são insuficientes para mudar as circunstâncias naturais e instintivas e esta dificuldade revela a conformação das suas insuficiências naturais e instintivas às circunstâncias naturais e instintivas dominantes, quer dizer, institui neles uma conformação, uma obediência, uma escravidão ou uma educação da insuficiência natural e instintiva, uma educação da sobrevivência dos sobreviventes, a qual busca a proteção dos abrigos, dos esconderijos, da simpatia dos guerreiros por suas prestações de serviços, da indiferença e da passividade dos guerreiros ante suas potências insuficientes e pacíficas.
Segundo, são as potências artificiais e inteligentes que afirmam as circunstâncias artificiais e inteligentes que, por sua vez, mudam as circunstâncias naturais e instintivas sob a forma de aperfeiçoamento, desenvolvimento das potências artificiais e inteligentes dos carentes de potências naturais e instintivas para vencer, dominar, aprisionar e suprimir os com excesso de potência natural e instintiva. O excesso de potência artificial e inteligente organiza as potências naturais e instintivas dos conformados, obedientes, carentes e pacíficos num arranjo, mecanismo, maquinismo ou dispositivo artificial e inteligente excessivamente potente que, combatendo o excesso de potência dos guerreiros e do seu Estado natural e instintivo, institui a supremacia do excesso de potência artificial e inteligente do sacerdote como vitória da rebelião dos obedientes-conformados na moral, quer dizer, no excesso da potência do seu Estado do artifício e da inteligência. Certamente que aqueles que mudam as circunstâncias ainda são aqueles sem excessos de potências naturais e instintivas mas com potências naturais e instintivas muito simples são inteligente e artificialmente organizados num dispositivo que multiplica artificial e inteligentemente sua potência num grau que excede a potência natural e instintiva excessiva dos guerreiros e, assim, derrota o Estado natural afirmando a vitória do Estado artificial e inteligente que tem por base prévia a organização duma Sociedade Civil artificial e inteligente ou que associa aos sacerdotes a rebelião dos conformados-obedientes na moral, ou seja, a comunidade religiosa, a igreja, o monastério, a corporação de ofício, a manufatura, a indústria. De modo que o sacerdote está continuamente apreendendo artificial e inteligentemente como usar e multiplicar a potência artificial e inteligente das simples potências naturais e instintivas, as quais, por sua vez, estão sempre usando suas simples potências naturais e instintivas na operação de dispositivos artificiais e inteligentes que mudam as circunstâncias naturais e instintivas em circunstâncias artificiais e inteligentes.
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Que importa isso? O que importa hoje é como mudar as circunstâncias e a educação?
Então, se queremos o desenvolvimento de nossas potências naturais e instintivas recorremos aos exercícios de nossas atividades físicas porque com elas desenvolvemos nossas individualidades e capacidades técnicas corporais, pessoais, individuais. Se queremos proteger e garantir o desenvolvimento de nossas potências naturais e instintivas de ações deliberadas ou involuntárias de portadores de excesso de potência natural e instintiva, então temos de recorrer à proteção artificial e inteligente que pode ser garantida pelo desenvolvimento de nossas potências artificiais e inteligentes que fazemos exercitando nossas atividades psíquicas/imaginárias porque com elas desenvolvemos nossos intelectos e capacidades tecnológicas maquinais, coletivas, informacionais.
As crianças precisam ser protegidas para exercitar o desenvolvimento de suas individualidades e capacidades técnicas corporais, pessoais, individuais, logo, se elas tem como exercitar o desenvolvimento de seus intelectos e capacidades tecnológicas maquinais, coletivas, informacionais, então poderão garantir o desenvolvimento de suas individualidades e capacidades técnicas corporais, pessoais, individuais.
Então, a escola e a educação das crianças precisam e podem se desenvolver como difusores das capacidades intelectuais e tecnológicas maquinais, coletivas, informacionais que vão das crianças para os pais, para os bairros e para os municípios ou para as cidades. O conhecimento intelectual das crianças precisa deixar de ser o mero exercício psíquico utópico e se tornar conhecimento aplicado, tecnológico, conectado à vida de modo a permitir o livre desenvolvimento das capacidades naturais e instintivas das crianças e da comunidade na qual elas se encontram, se inserem. Os problemas de saneamento básico, de fornecimento de água potável e de energia, os problemas sociais e ambientais etc. precisam e podem começar a ser resolvidos a partir dos conhecimentos aplicados e tecnológicos difundidos pelas crianças. Certamente que, para isso, a escola e a educação das crianças precisam ser alteradas de modo que a escola e os educadores se tornem centros de aplicação dos conhecimentos, centros de aplicação tecnológica e isto implica alterar a formação dos graus escolares mais elevados e a formação dos educadores porque é a partir de suas formações que serão trazidos para as escolas das crianças a educação voltada para desenvolver a difusão do conhecimento aplicado e da tecnologia pelas crianças para que estas e seu entorno possam igualmente desenvolver suas capacidades naturais e instintivas, técnicas.
Os estudantes do nível médio, os adolescentes, são aqueles que mais do que as crianças, precisam assumir o próprio processo de formação educacional da escola que é centro de desenvolvimento e aplicação de conhecimentos, de tecnologias e também centro de desenvolvimento e descoberta das potências naturais e instintivas, técnicas. Aliás, são os adolescentes que estão passando por uma mudança "técnica", quer dizer, natural e instintiva, são eles que estão fazendo a passagem da condição de crianças/de reproduzidos/de sensualidade-sexualidade imaginária e inconsciente para a condição de criadores/de reprodutores/de sensualidade-sexualidade aplicada e consciente. E esta mudança precisa ser muito bem protegida para não resultar em doenças físicas e psíquicas para o resto da vida adulta. Logo, são eles que precisam ser muito mais ativos e responsáveis no desenvolvimento de conhecimentos aplicados, de tecnologias de modo a proteger e garantir que seu desenvolvimento resulte em adultos saudáveis para o resto da vida.
Os estudantes de nível superior, os jovens adultos, são aqueles que irão iniciar uma nova geração de adultos, que irão trazer a contribuição de sua geração para a vida adulta. Para conseguir isso, eles precisam assegurar que as descobertas e inovações trazidas pelos adolescentes como contribuição para uma saudável vida adulta sejam preservadas, protegidas, valorizadas, compreendidas como mudanças de hábitos e costumes mas também como mudanças nas potências naturais e instintivas, como desenvolvimento da saúde, desenvolvimento saudável das individualidades, das pessoas, de suas capacidades inerentes. Seus cursos de graduação podem e precisam ser de estágios sistemáticos junto às escolas e aos empreendimentos educacionais aplicados do nível médio. Seus mestrados podem e precisam ser de análise e aperfeiçoamento dos conhecimentos aplicados em escolas, bairros, cidades, enfim, no desenvolvimento social e econômico. Seus doutorados podem e precisam ser de acompanhamento, análise e experimentação de inovações tecnológicas em empreendimentos sociais e econômicos.
Uma crise como a da água começaria com as soluções oriundas dos conhecimentos aplicados das crianças ("sem matas ciliares os olhos d'água secam", sem florestas, coleta seletiva, despoluição e saneamento básico os rios secam/morrem). Se sistematizaria com os conhecimentos aplicados dos adolescentes de nível médio participando das ações de preservação e reflorestamento, da logística coleta seletiva, participando da operação dos equipamentos e das tecnologias de despoluição e de saneamento básico. Se profissionalizaria com os conhecimentos aplicados dos estudantes de graduação como operadores/operários das atividades de preservação e reflorestamento, das operações de logística, das operações de coleta seletiva, das operações dos equipamentos e das tecnologias de despoluição e de saneamento básico. Se multiplicaria com os conhecimentos aplicados dos estudantes de mestrado atuando como administradores desse conjunto de atividades e como pesquisadores de suas inovações tecnológicas. Se renovaria por inteiro com os conhecimentos aplicados dos estudantes de doutorado atuando como aperfeiçoadores das soluções, sistematizadas, profissionalizadas, multiplicadas e por eles renovadas com novas soluções, novas sistematizações, novas profissionalizações, novas multiplicações e novas renovações.
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E uma crise como a da Petrobrás por onde começaria a ser solucionada?
Por onde começar? Não sei exatamente, mas, ao que parece, o importante está numa mudança que estabelece um uso prático e aplicado para o conhecimento e quebra com uma relação inteiramente sem sentido na qual o conceito fica guardado como um tesouro utópico e sem nenhuma aplicação nem uso práticos. A socialização da tecnologia começa pela difusão do uso prático e aplicado do conceito. E, esta socialização da tecnologia, por sua vez, garante o livre desenvolvimento associado das potências naturais e instintivas, quer dizer, da livre associação técnica.
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