sábado, 25 de abril de 2015
É isso?!
O excesso de potência natural e instintiva ou o excesso de qualidades naturais e pessoais é inseparável do trabalho concreto, qualitativo e pessoal. O excesso de potência artificial e inteligente ou o excesso de quantidades abstratas e impessoais é inseparável do trabalho abstrato, quantitativo e impessoal.
A saúde é, em primeiro lugar, potência natural e instintiva, pessoal de modo que o trabalho, melhor, os exercícios ou as atividades que aperfeiçoam a pessoa, sua potência natural e instintiva são vistos como aperfeiçoamento físico/técnico da saúde pessoal, natural e instintiva.
Mas, a saúde também pode ser duma potência artificial, inteligente e impessoal, melhor, moral de modo que o trabalho, os exercícios ou as atividades que aperfeiçoam a moral, sua potência social/artificial e inteligente são vistos como aperfeiçoamento metafísico/tecnológico da saúde moral, artificial e inteligente.
Se na origem o Estado é físico-técnico, em seguida, ele se torna metafísico-tecnológico, mas isso se deve a que na origem a "Sociedade Civil" é física-técnica e em seguida também se torna metafísica-tecnológica.
Na origem os senhores são física e tecnicamente superiores aos escravos que, por sua vez, são física e tecnicamente inferiores aos senhores. Por não temer a morte, com a continuidade do Estado dos senhores e a Sociedade Civil dos escravos, os senhores continuam se dedicando à guerra e, por temer a morte os escravos continuam se dedicando à sobrevivência.
Segundo Nietzsche, é um senhor doente quem, traindo os senhores, irá promover "a rebelião dos escravos na moral" ao introduzir a potência do artifício e da inteligência. Segundo a tragédia grega, é um titã, Prometeu, quem, traindo os senhores divinos, introduzirá a potência da centelha artificial e inteligente (domínio do fogo) na humanidade escrava. Segundo a "Arte da Guerra", de Sun Tzu, é o espião duplo quem, traindo o Estado dominante, possibilita a vitória dos dominados e a modificação do Estado. Segundo Marx, é a fração dos ideólogos burgueses quem, caindo e integrando as fileiras do proletariado, traz o conhecimento ou a ciência que possibilita a vitória do proletariado. E por aí vão as demais analogias.
Nietzsche já tinha assinalado que o sacerdote, o tal senhor doente, irá originar uma arte guerreira muito mais poderosa e cruel do que a do guerreiro, o tal do senhor saudável. Esta ruptura com a arte natural e instintiva da guerra e esta introdução da arte artificial e inteligente da guerra é uma mudança da guerra meramente física e técnica para a guerra "metafísica" e tecnológica. O Estado resultante das primeiras vitórias do "sacerdote e da rebelião dos escravos na moral" é um Estado modificado que não se reduz mais meramente à afirmação da sua potência natural e instintiva mas que acrescenta espaço no Estado para que este seja legitimado como afirmação artificial e inteligente da potência do maior número, da potência dos escravos, da potência do povo. O Estado permanece existindo e a ele se agrega agora o governo dos sacerdotes e dos escravos rebeldes na moral. A república e a democracia são resultantes da atividade de sacerdotes e de rebeliões de escravos na moral.
Este Estado moral é aquele que Marx assinala ser o Estado introduzido pela emancipação política, quer dizer, pela atividade da burguesia. Ele permanecerá dominando o proletariado, mas permitirá a este que se organize e lute pela emancipação social, melhor, pelo fim do Estado na sociedade sem Estado e sem classes. No entanto, uma tal sociedade quer o fim tanto do Estado natural e instintivo quanto do Estado moral e artificial, logo, ela quer que o natural e o moral, o instintivo e o artificial se dissolvam na "Sociedade Civil". Ora, o natural e instintivo não será o "eterno retorno" da superioridade física e técnica, logo, do Estado?! E o moral e artificial que chegaram ao Estado, antes disso, não se desenvolveram e apoderaram da "Sociedade Civil" para fazê-la "tomar de assalto" o Estado e nele instituir o predomínio numérico da moral e do artificial?!
Se tanto o natural quanto o moral, o instintivo quanto o artificial, o físico e técnico quanto o metafísico e tecnológico participam da dissolução do Estado e da constituição da Sociedade Sem Estado E Sem Classes, então, é preciso que outras relações se desenvolvam entre as diferenças naturais e instintivas dos indivíduos de modo que não venham a ser diferenças estamentais e físico-técnicas de classes. Se foi a superioridade física e técnica que permitiu aos senhores instituir o Estado como exercício do tempo livre, de modo que aos escravos com sua inferioridade física e técnica restou a "Sociedade Civil" como exercício do tempo de trabalho, então, foi a superioridade metafísica e tecnológica que permitiu aos sacerdotes e rebeldes na moral instituir na "Sociedade Civil" um trabalhador artificial e inteligente, a maquinaria e a computação, que precisa ser operado pelo tempo de trabalho dos operários mas que garante o exercício do tempo livre no "Estado moral" tanto dos sacerdotes, dos rebeldes na moral quanto dos operários. São dois portadores do tempo livre, os senhores do Estado e da Sociedade Civil, da superioridade física e técnica e da superioridade moral e tecnológica. Também são dois portadores do tempo de trabalho, os escravos do Estado e da Sociedade Civil, da inferioridade física e técnica e da inferioridade moral e tecnológica. Mas, o próprio do sacerdote e dos rebeldes na moral é a introdução da igualdade moral e tecnológica de modo que os trabalhadores através da emancipação política podem conquistar o exercício do tempo livre no Estado moral. Então, se, em lugar de se dividirem em duas frações, a que na Sociedade Civil se dedica ao tempo de trabalho e a que no Estado frui do tempo livre, os trabalhadores se unem na dissolução do Estado de modo que o tempo livre se expande pela Sociedade Civil e reduz nela o tempo de trabalho ao do funcionamento da maquinaria e da computação inteiramente dependente do tempo livre de quem as opera.
Ora, é preciso que os tempos livres físico-técnico e metafísico-tecnológico coincidam, ou seja, o trabalho físico que diferencia naturalmente os indivíduos precisa estar reduzido a uma diferença muito inofensiva de modo que esta sua necessidade vital instintiva não crie nenhum abismo entre os indivíduos porque o abismo é suprimido pela necessidade vital inteligente do trabalho tecnológico que iguala artificialmente os indivíduos.
Estão todos reduzidos ao simples exercício vital instintivo e inteligente, quer dizer, "De cada um, segundo suas capacidades (seus excessos) a cada um, segundo suas necessidades (suas faltas)". Uma relação de cooperação e não de exploração entre as diferenças naturais e instintivas e as diferenças artificiais e inteligentes.
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