quinta-feira, 9 de abril de 2015

A luta não é pela tal conservadora disputa pela hegemonia, mas sim pelo imperativo categórico





Acabo de ver a entrevista (http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2015/04/a-esquerda-que-so-fala-para-si-mesma.html). Interessante. De um lado, no contexto da Guerra Fria, o PCB fazia uma comunicação que disputava a hegemonia. De outro, o PT nasce como um partido de esquerda basicamente porque combate o conservadorismo. O que é o conservadorismo? De um lado, é o Centralismo do PCB que reflete o Monolitismo que os diferentes grupos de esquerda criticam no PCB e na URSS. De outro, é o Centralismo do Trabalhismo que reflete o Monolitismo do Sindicalismo atrelado ao Estado e junto ao qual a esquerda, no caso o PCB e outros, fica fazendo o trabalho de influência política, coisa que o PT visa romper sendo representante direto dos trabalhadores e criando a CUT.


O PT nasceu liberal, no sentido de combatendo o Monolitismo do PCB e do Trabalhismo, era conhecido como fruto do Novo Sindicalismo que ia acabar com o Imposto Sindical e com o atrelamento do sindicalismo ao Estado. Mais ainda, ele nasceu liberal não só porque os grupos de esquerda criticavam o Monolitismo do PCB mas também porque nasceu no contexto do Neoliberalismo e isso o favorecia porque os neoliberais ou liberais também defendiam negociações diretas entre patrões e empregados sem a intervenção do Estado, o qual, no caso, era a Ditadura Militar. Portanto, o PT não só nasce na época da chegada ao poder do Neoliberalismo como cresce durante a chamada Década Perdida em consequência do Neoliberalismo e da Dissolução da URSS e "Fim (?)" da Guerra Fria. A estrutura do PCB não poderia dar origem ao PT porque ele nasce justamente da contestação da estrutura do PCB. O PT não quer ser um partido de quadros, monolítico, influenciando ideologicamente os trabalhadores, o trabalhismo, o sindicalismo atrelado ao Estado, a burguesia nacional no rumo duma estruturação ainda mais Monolítica do Estado que garanta a supressão liberal do capitalismo. São duas posições que se antagonizam por estarem contrapostas, até porque boa parte dos grupos que vão constituir o PT saem expulsos ou em dissidências do PCB, do Monolitismo, querem Liberalismo. O PT nasce antes como Movimento Social dos Trabalhadores ou Partido de Massas do que como Movimento Político Ideológico ou Partido de Quadros.


Chegando ao poder o PT percebe que para governar é melhor se aliar ao trabalhismo ou ao sindicalismo atrelado ao Estado e abandonar o combate ao imposto sindical e chamar para o governo os representantes tradicionais do trabalhismo. Percebe ainda que para governar é melhor ter, no mínimo, um Controle Social dos Meios de Comunicação para que sua influência governamental seja politicamente eficaz. Então, ao chegar ao poder o PT se ressente de não ter Monolitismo e, para obtê-lo, faz todas as alianças possíveis bem como não se importa de expulsar nem que saiam de suas fileiras grupos que nasceram com ele e o construíram.


Se a esquerda, desde o nascimento do PT, só fala para si mesma é porque a disputa da hegemonia feita pelo PCB é o Monolitismo combatido pelo PT e pela esquerda que o construiu.


Em resumo, essa saudade do Monolitismo ou esse ressentimento por não ter o Monolitismo do PCB está em contradição com a história desse partido de novo tipo e dessa esquerda de novo tipo, significando, portanto, um abandono da própria novidade do partido e da esquerda, que é ser mais: Movimento Social dos Trabalhadores ou Partido de Massas do que Movimento Político Ideológico ou Partido de Quadros.


O problema da Emancipação Social versus a Emancipação Política. Esta última é concebida como Monolítica e, portanto, é uma negação da própria emancipação política que implica a existência de diferentes posições políticas. E a primeira é concebida como Diversidade Social e, portanto, é uma negação da própria emancipação social que implica a existência duma mesma unidade ou comunidade social, ainda que, neste último caso, seja possível fazer Unidade da Diversidade, logo, resolver o problema na unidade ou comunidade social.


Não é pela retomada do Monolitismo do PCB para exercer a disputa de hegemonia para fora, seja expulsando ou espirrando grupos para fora do PT para garantir as alianças com o Conservadorismo, mas, ao contrário, é pela retomada do falar para si mesma, da composição de alianças internas e à esquerda que pode existir uma retomada da significação social do PT e da esquerda que o construiu e daquela que dele saiu, ou seja, é a partir daí que a novidade social pode ser retomada. Porém, o problema é que tanto o PT e a esquerda que com ele compartilha o poder quanto a esquerda que dele saiu e a esquerda independente que a ele se contrapõem querem o Monolitismo, se ressentem do Conservadorismo, melhor, de não ter aquela mídia e aqueles quadros centralizados que monoliticamente disputam a hegemonia. Ou seja, o problema é que todos ficam buscando uma solução política duma hegemonia ideológica quando esta não é a solução do problema e sim o afundamento nele porque a real solução política é o imperativo categórico da hegemonia social e o caminhar para o imperativo categórico da emancipação social, logo, é quebra das alianças com o Conservadorismo, participação nas manifestações, abertura para o diálogo e aceitação democrática da construção dum poder social das manifestações e com as manifestações. 


Se antes o PT, a CUT e a esquerda se desenvolveram a partir de negociações diretas entre patrões e empregados, então, um governo nascido desse processo imperativo categórico terá de ser capaz de se desenvolver a partir do imperativo categórico das negociações diretas entre manifestantes e instituições democráticas (governo, congresso, judiciário, mídia) e não se isolando nas negociações institucionais do Conservadorismo.



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