sábado, 28 de fevereiro de 2015
"Pátria educadora"?!
Pois é, não é só a Argentina que está na crise de ferrugem. Outro dia li uma articulista do Valor, se não me engano, dizendo que Venezuela, Argentina, Brasil, Chile e México estão nesse caminho. Aqui as manifestações dos caminhoneiros parecem preparar a manifestação do dia 15 de março pelo impedimento da Dilma. Aliás, dizem que é uma manifestação nacional, logo, que ocorrerá em diferentes cidades de diferentes estados.
É estranho, mas foi da Alemanha que, recentemente, recebi mais acessos no meu blog.
Estou um tanto enraizado na terceira tese sobre Feuerbach, aquela que critica a doutrina da mudança das circunstâncias e da educação para a qual não são os homens que mudam as circunstâncias e para a qual também o educador não precisa ser educado porque para ela quem muda as circunstâncias e a educação é a parte da sociedade elevada acima dela, quer dizer, é o Estado e a classe dominante, ou é a ideologia dominante que também é a ideologia da classe dominante. Porém, para Marx, a prática revolucionária lembra que são os homens que mudam as circunstâncias e que o educador precisa ser educado. Portanto, a prática revolucionária cuida de coincidir a mudança das circunstâncias (feita pelos homens) e a mudança da atividade humana ou autotransformação (o educador se educando ou os homens se autotransformando).
Parece que é a doutrina materialista da mudança das circunstâncias e da educação que divide a sociedade em duas partes ou duas estruturas, a que fica acima dela ou a superestrutura e a que fica abaixo ou a infraestrutura e estabelece, portanto, uma sociedade de classes. Logo, parece também que este materialismo é o das mudanças estruturais. Enquanto aquele que critica este materialismo das mudanças estruturais defendendo a conjunção da mudança das circunstâncias com a mudança da atividade humana ou autotransformação é um materialismo das mudanças conjunturais.
A prática revolucionária então é própria do materialismo das mudanças conjunturais, enquanto que a doutrina materialista das mudanças estruturais é própria da prática reacionária de dividir a sociedade em partes, em classes, em Estado e Sociedade Civil.
É durante as mudanças conjunturais que os homens mudam as circunstâncias e que o educador precisa ser educado, precisa mudar sua atividade humana ou se autotransformar, portanto, é durante as mudanças conjunturais que se faz a prática revolucionária. Enquanto que durante as mudanças estruturais não são os homens que mudam as circunstâncias e nem o educador precisa ser educado porque ele não precisa mudar sua atividade humana nem se autotransformar já que é a parte elevada acima da sociedade, quer dizer, o poder político do Estado, da classe e da ideologia dominantes que mudam estruturalmente as circunstâncias e a educação desenvolvendo uma prática reacionária, ou seja, de conservação da superestrutura do Estado e da infraestrutura da Sociedade Civil e/ou da sociedade dividida em partes, classes.
A prática educadora revolucionária precisa educar o educador, mudar sua atividade humana ou autotransformar o Estado em Sociedade e não-Estado. Já a prática educadora reacionária não precisa educar o educador, não precisa mudar sua atividade humana e muito menos autotransformar o Estado em Sociedade e não-Estado, pelo contrário, só precisa afirmar o Estado, sua ideologia ou educação, quer dizer, sua dominação de classe.
O que é a "Pátria Educadora"? Faz parte de sua atividade se colocar cada vez mais ao alcance dos movimentos políticos que pedem o impedimento?! Estes movimentos políticos querem apenas restaurar a normalidade da divisão estrutural do Estado em superestrutura e da Sociedade Civil em infraestrutura?! As anomalias que estão ocorrendo na divisão estrutural do Estado e da Sociedade Civil com a corrupção perpassando da superestrutura para a infraestrutura e da infraestrutura para a superestrutura são anomalias próprias dum curso de mudanças conjunturais em direção à mudança da Sociedade Civil com o Estado se dissolvendo nesta mudança?! A corrupção é o mal necessário e inevitável ao qual recorrem aqueles que querem mudar as circunstâncias e a atividade humana/a autotransformação ou é o mal necessário e inevitável a cuja correção recorrem aqueles que querem restaurar as circunstâncias e a atividade humana/a autoconservação?! A ética é pura e simples ideologia dominante?! A atividade revolucionária de transformação social recorre a todos os meios de mudança, inclusive, à corrupção?!
Prática revolucionária de autotransformação pode ser eticamente traduzida como prática reacionária de auto-deformação?!
Mesmo que o impedimento não passe duma prática reacionária de restauração da divisão da Sociedade em classes não é possível aceitar que a corrupção seja uma prática revolucionária de mudança conjunta da Sociedade em sem classes. Pelo contrário, se efetivamente a corrupção está sendo vista como um mal necessário e inevitável para uma "prática revolucionária", então, é fácil ver que a doutrina materialista de mudança das circunstâncias e da educação aplicada por esta "prática revolucionária" é aquela que considera que os homens não podem mudar as circunstâncias corruptas e precisam aceitá-las como sendo estruturais e também é aquela que considera que a atividade humana não pode ser mudada ou autotransformada de modo que a corrupção permanecerá sempre como um mal necessário e inevitável. Então, estes "revolucionários" são na verdade praticantes da doutrina materialista que divide a sociedade em duas partes - uma das quais está elevada acima dela. Noutras palavras, estes "revolucionários" não são revolucionários ou, pelo menos, não da prática revolucionária tal qual a interpreta e racionalmente compreende Karl Marx.
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