quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
O que pensar do ignoto de então?!
"A doutrina materialista da mudança das circunstâncias e da educação se esquece que as circunstâncias são mudadas pelos homens e que o próprio educador deve ser educado. É por isso que ela deve dividir a sociedade em duas partes - uma das quais é elevada acima dela.
A coincidência da mudança das circunstâncias e da atividade humana ou autotransformação só pode ser interpretada e racionalmente compreendida como prática revolucionária."
( Extraída de "As 'teses sobre Feuerbach' de Karl Marx", Georges Labica, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro - 1990, pp. 31-32.)
Quem mais assume que as circunstâncias são mudadas pelos homens: os neoliberais, os desenvolvimentistas, os capitalistas, os comunistas ou os ambientalistas? E quem mais assume que "o educador precisa ser educado", isto é, que "a atividade humana precisa ser mudada ou autotransformada": os neoliberais, os desenvolvimentistas, os capitalistas, os comunistas ou os ambientalistas?
Quem divide a sociedade em duas partes - uma das quais é elevada acima dela: os neoliberais, os desenvolvimentistas, os capitalistas, os comunistas ou os ambientalistas?
Aparentemente todos (neoliberais, desenvolvimentistas, capitalistas, comunistas e ambientalistas) assumem que as circunstâncias são mudadas pelos homens e também dividem a sociedade em duas partes - elevando uma parte acima dela.
E quanto à mudança da atividade humana ou à sua autotransformação? Os neoliberais e, com eles, os capitalistas defendem o livre-empreendedorismo da atividade humana e o fim da superproteção estatal da atividade humana, a qual, por sua vez, é defendida pelos desenvolvimentistas e também pelos comunistas como parte integrante do empreendedorismo do Estado. E os ambientalistas? Ora, parecem defender o fim do livre-empreendedorismo quando querem proteger o ambiente da atividade humana livre-predadora, ora parecem defender o fim do empreendedorismo do Estado quando querem proteger o ambiente da atividade humana predadora insustentável.
Quais assumem que as mudanças das circunstâncias pelos homens são infinitas? Melhor, quais assumem que as circunstâncias são infinitamente mudadas pelos homens e, por isso, não precisam ser conservadas, melhor, cultivadas de modo algum, ou seja, quais assumem que a mudança da atividade humana ou a autotransformação é infinita, não precisa ser conservada nem cultivada, logo, não é resultante da necessidade de se educar, mas sim da infinita liberdade da atividade humana.
As circunstâncias são os limites mudados pelos homens e o educador precisar ser educado é o auto-limite mudado pelo próprio auto-limitado. Para mudar as circunstâncias ou os limites os homens as cultivam e as conservam porque as mudam, quer dizer, o que visam não é destruí-las mas sim mudá-las, portanto, nesse caso e nessa interpretação, há algo de Lavoisier no mudar ou transformar a natureza de modo que "nada se perde mas tampouco nada se cria porque tudo apenas se transforma". E o mesmo se aplica no caso da educação ou da sociedade porque não se trata de mudar a atividade humana de modo destrutivo nem de modo criativo, quer dizer, nem de reduzí-la à natureza animal nem de elevá-la à espiritualidade divina, logo, não se trata nem do vir a ser animal, vegetal, mineral nem do vir a ser super-homem, divindade, outro ser.
A prática revolucionária é a coincidência da mudança das circunstâncias ou dos limites e da atividade humana ou do auto-limite, quer dizer, é a coincidência da mudança das circunstâncias ambientais limitantes e da mudança da atividade humana auto-limitante ou mudança da ambiência humana ativamente auto-limitante.
A prática revolucionária é prática do girar em torno de si, logo, em torno do ponto, do limitado no espaço e do auto-limitado ou finito no tempo, por isso, o seu sentido é de mudança que conserva, que cultiva e, nesse sentido, que desenvolve a transformação dos limites com a autotransformação do auto-limitante.
Mas, e quanto à criação capitalista de mais-valia, de valor? Se trata de algo que escapa do nada se cria, nada se perde?! Não, porque cria o capital com a perda da energia humana dos trabalhadores, logo, sua prática revolucionária é coincidir a criação das circunstâncias capitalistas com a perda educacional da energia humana dos trabalhadores, ou seja, visa criar circunstâncias não-ambientais ou industriais e a perda total da atividade humana ou sua substituição pela maquinaria automatizada. Mas, assim os homens deixarão de mudar as circunstâncias e os trabalhadores deixarão de mudar a si mesmos?!
Nessas circunstâncias capitalistas nas quais a automação muda as circunstâncias e os trabalhadores não precisam se educar ocorre uma negação dos homens como agentes que mudam as circunstâncias e como agentes que mudam a si mesmos. Mas esta negação é conduzida reduzindo os homens a apêndices da maquinaria automatizada e reduzindo os trabalhadores a necessitados dos produtos ou da educação da maquinaria automatizada. Aprofundando esta contradição, ou seja, deixando que as máquinas façam máquinas e tudo mais automaticamente vem à tona a dependência da maquinaria da tecnociência dos homens ou duma determinada educação e deixando os trabalhadores sem trabalho e apenas necessitados dos produtos da maquinaria automatizada ou de circunstâncias que mudam os trabalhadores em consumidores ou em produtos das circunstâncias. O que vem à tona aí?! A divisão da sociedade em duas partes - estando a tecnociência elevada acima dos consumidores dela.
O que pensar daqui em diante?!
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