sábado, 28 de fevereiro de 2015

A prática revolucionária de tomada do poder político do Estado




Qual o objetivo da prática revolucionária? Mudar o mundo, tanto as circunstâncias quanto a educação. E a que se dedicam os revolucionários na sua prática? À tomada do poder político porque nele se concentra a capacidade materialista de mudar as circunstâncias e a educação, logo, o Estado é aquela parte da sociedade elevada acima dela com o poder à sua disposição de mudar as circunstâncias e a educação e, desse modo, são os homens do Estado que mudam as circunstâncias e a educação. Desse modo também fica claro que o poder político, o Estado, é um dispositivo ou uma máquina que exerce uma atividade de conjunto, uma atividade que associa ou "coincide a mudança das circunstâncias e [a mudança] da atividade humana ou autotransformação", então esta sua característica "só pode ser interpretada e racionalmente compreendida como prática revolucionária"?! Sim!!! O Estado ou o poder político é sim a atividade que exerce uma mudança de conjunto das circunstâncias e da atividade humana ou autotransformação, porque assim fica estabelecido no materialismo que divide a sociedade em duas partes e eleva uma parte acima dela. Mais ainda, é este o materialismo da emancipação política, ou seja, por meio dele os homens (organizados em diferentes classes) se organizam em diferentes partidos políticos visando a conquista e tomada do poder político do Estado para exercer sua atividade de mudança de conjunto, ou seja, para exercer sua prática revolucionária. O objetivo de todos os homens organizados em partido político é a conquista do poder político do Estado ou da parte da sociedade, a máquina de Estado, elevada acima da sociedade.


Na sociedade, a parte abaixo do Estado, os homens se encontram divididos em classes sociais que, quanto à mudança das circunstâncias e da atividade humana, estabelecem entre si relações de poder social de modo que as circunstâncias são mudadas pela energia ou força humana dos trabalhadores usada nos meios de produção industriais de mudança das circunstâncias dos capitalistas e nos meios de produção agrária-agropecuária de mudança das circunstâncias dos proprietários fundiários e a atividade humana de uns é a atividade de gastar energia ou força humana de trabalho, a atividade de outros é a atividade lucrar pelo uso obrigatório, intenso e aumentado dos seus meios industriais de produção e a atividade de obter renda é a dos proprietários fundiários pelo uso obrigatório, intenso e amplo da terra seja para instalar os meios de produção industriais, seja para a agricultura, seja para pecuária, seja para mineração, seja para coleta etc.


Os proprietários fundiários poderão interpretar e racionalmente compreender que precisam do poder político do Estado para afirmar que a Nação é a propriedade fundiária do Estado e que, portanto, a sua classe de proprietários fundiários é a classe proprietária fundiária da Nação, logo, o Estado-Nação é basicamente a propriedade fundiária que obtém sua renda de todos que aí habitam, nascendo, vivendo e morrendo e que tem na classe dos proprietários fundiários os seus rentistas e administradores naturais.


Os capitalistas poderão interpretar e racionalmente compreender que precisam do poder político do Estado-Nação para afirmar que o Estado são os meios industriais capitalistas de produção e que, portanto, a sua classe de proprietários capitalistas dos meios de produção industriais é a classe proprietária capitalista do meio de produção ou da máquina do Estado, logo, o Estado no Estado-Nação é basicamente o meio de produção industrial capitalista que lucra com todos que dele dependem para viver, seja para viver trabalhando, seja para viver consumindo desde que seja sempre para viver vendendo e comprando e vice-versa, ou seja, o Estado vê na classe dos proprietários capitalistas os seus lucros e a própria vitalidade ou vida da sua própria engrenagem, quer dizer, vê os seus lucros e a própria continuidade de sua vantagem (lucro) de ser o meio de produção que combina a mudança conjunta das circunstâncias e (a mudança) da atividade humana ou autotransformação.


Os proprietários exclusivos de suas forças humanas de trabalho poderão interpretar e racionalmente compreender que precisam do poder político do Estado para destruí-lo e afirmar que a associação ou a sociedade é a proprietária comum ou comunitária da área fundiária da "Nação" e da maquinaria industrial do "Estado", ou seja, que a própria associação das forças humanas de trabalho é a proprietária comum das terras e dos meios industriais de produção, portanto, precisam destruir a "Nação" afirmando que as terras são da comunidade humana e destruir o Estado afirmando que os meios de produção são gastos das energias humanas associadas, são condensações das forças humanas comuns ou sociais de trabalho, logo, a Nação vê na força humana de trabalho associada a inimiga de sua propriedade fundiária que é a Sociedade Internacional para além dos limites e fronteiras da Nação e o Estado, por sua vez, vê na associação da força humana de trabalho o inimigo do seu meio de produção ou de sua máquina vital que é a Humanidade Associada (Social) como Força Vital de Trabalho (Produção), de modo que, nesse último caso, as circunstâncias (Nação) são mudadas pelos homens na condição de Sociedade e o educador (Estado) precisa ser educado na condição de Humano ocorrendo a coincidência da mudança das circunstâncias (pela Sociedade) e da atividade humana ou autotransformação (pelos próprios Humanos, pela própria Humanidade).


A classe dos proprietários fundiários quer ser as terras, a Nação, as áreas ou os espaços nos quais todos se encontram e dos quais todos dependem para ser. A classe dos proprietários dos meios de produção quer ser as indústrias, o Estado, os meios ou os tempos dos quais todos dependem para encontrar seu ser. A classe dos proprietários de si mesmos quer ser ela mesma, tanto na condição de Sociedade que se encontra na Terra quanto na de Humanidade que está Viva.


As monarquias e as aristocracias são mais adequadas como formas de poder político dum Estado hegemonizado pelos proprietários fundiários.


As repúblicas e as democracias representativas são mais adequadas como formas de poder político dum Estado hegemonizado pelos proprietários de meios de trabalho-produção.


As comunas e as democracias diretas são mais adequadas como formas do poder político duma Comunidade hegemonizada pelos proprietários das suas próprias forças humanas de trabalho-produção.


Os proprietários fundiários querem tomar o poder político do Estado-Nação para afirmar que eles são os arquétipos do Estado-Nação, portanto, eles são o princípio do qual se origina o Estado-Nação.


Os proprietários dos meios de trabalho-produção querem tomar o poder político do Estado-Nação para afirmar que eles são os aperfeiçoamentos do Estado-Nação, portanto, eles são a perfeição na qual se realiza o Estado-Nação.


Os proprietários das suas próprias forças humanas de trabalho querem tomar o poder político do Estado-Nação para destruir o Estado-Nação e afirmar que eles são o princípio perfeito no qual se origina e no qual se realiza a Comunidade Humana.


Estas são mais algumas da reflexões a partir da terceira tese sobre Feuerbach:



"A doutrina materialista da mudança das circunstâncias e da educação se esquece que as circunstâncias são mudadas pelos homens e que o próprio educador deve ser educado. É por isso que ela deve dividir a sociedade em duas partes - uma das quais é elevada acima dela.

A coincidência da mudança das circunstâncias e da atividade humana ou autotransformação só pode ser interpretada e racionalmente compreendida como prática revolucionária."

( Extraída de "As 'teses sobre Feuerbach' de Karl Marx", Georges Labica, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro - 1990, pp. 31-32.)



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