quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
"... mistérios que (...) encontram sua solução racional na prática e na compreensão esta prática."
No sonho, devaneio ou sei lá o quê se parte duma identidade entre prisão e máquina do Estado de modo que o desaparecimento de uma equivale ao desaparecimento da outra. Mas isso supõe ainda que o crime esteja superado demonstrando que a natureza humana é capaz não só de se reabilitar, de se recuperar, de se transformar, mas, principalmente, de se libertar de uma vez por todas da falha que a fazia criminosa. Mais do que a saída da menoridade humana e do que a entrada na maioridade humana, quer dizer, mais do que a emancipação política que supõe a manutenção tanto da máquina do Estado quanto da prisão se trata aqui da saída da pré-história humana, quer dizer, da sociedade ainda dividida em maiores tutores e menores tutelados, para a entrada na história humana, quer dizer, na sociedade onde os próprios humanos mudam as circunstâncias e onde os próprios educadores precisam ser educados, ou seja, onde os próprios humanos prisioneiros ou tutelados mudam as circunstâncias e se libertam bem como onde os próprios educadores carcereiros ou tutores precisam ser educados, mudados, transformados, quer dizer, precisam se autotransformar da mesma maneira que os humanos transformam as circunstâncias. Desse modo, fica claro que os prisioneiros e tutelados, aqueles que se encontram nas prisões e sob tutela, são os que mudam as circunstâncias e se libertam das prisões e tutelas. Também fica claro que aqueles que aprisionam e tutelam, aqueles que são os carcereiros e os tutores tanto das prisões quanto das máquinas do Estado, são os que precisam se autotransformar e se libertar de sua educação carcereira e tutora ou formadora de prisões e máquinas do Estado.
Os educadores e tutores são aqueles voltados para mudar a natureza humana dos demais ou a natureza humana alheia, enquanto que os humanos prisioneiros e tutelados são aqueles voltados para trabalhar ou mudar as circunstâncias de acordo com o que foi determinado pela educação dos educadores e tutores. Ora, estes últimos podem trabalhar e mudar as circunstâncias por si mesmos e sem a educação dos educadores-tutores e ao fazerem isto já estão liberando e desenvolvendo a sua autoeducação que é uma nova educação, a qual, por sua vez, implica na aprendizagem da mesma pelos educadores e, por isso mesmo, na transformação dos educadores-tutores por meio da autoeducação nascida da transformação das circunstâncias pelos humanos de forma independente da educação existente, melhor, de forma liberadora e criadora de autoeducação.
A resposta relativa à capacidade humana de se reabilitar, se recuperar, se transformar e de se libertar está inteiramente entregue na confiança que se demonstrar ter na atividade humana ou no trabalho humano capaz de mudar as circunstâncias naturais e a educação humana, ou seja, está inteiramente confiante na capacidade da natureza humana de autotransformar-se. Só a autotransformação pode ser a emancipação humana que é obra dos próprios humanos bem como a emancipação humana dos trabalhadores que é obra dos próprios trabalhadores humanos.
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