quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A doutrina dominante ainda é a que esquece. Até quando?!




Esta autoeducação como solução da auto-emancipação não está forçada, não?! Afinal, dizer "que as circunstâncias são mudadas pelos homens e que o próprio educador deve ser educado" não é apenas se restringir aos fatos?! "As circunstâncias mudadas pelos homens" não é o que se vê na história desde os tempos mais remotos até agora e mesmo na história do nosso dia a dia?! "E que o próprio educador deve ser educado" não é algo evidente em toda e qualquer história até agora, já que como poderia ser educador sem ser educado?! Então, de onde vem esta interpretação dessa passagem como defesa da auto-emancipação e da autoeducação?! Não salta aos olhos que esta passagem é pura e simplesmente a constatação daquilo que é expresso pela prática e na prática?!


- Sim, é!!! Mas não é precisamente por isso que ele critica "a doutrina materialista da mudança das circunstâncias e da educação" que considera "que as circunstâncias são mudadas pela educação" e "que o próprio educador é um gênio que muda os homens educando-os", desse modo, o homem genial muda os homens pela educação e os homens educados mudam as circunstâncias pela educação do homem genial?! Nessa "doutrina materialista da mudança das circunstâncias e da educação" o educador, o gênio, o homem genial não é o mestre, o senhor, o tutor que, com a educação, é a parte elevada acima da sociedade, enquanto que os demais homens e as circunstâncias, que são mudados pela educação do gênio, são a parte da sociedade mantida abaixo e no solo da mesma. Nessa doutrina materialista da mudança das circunstâncias e da educação não está presente um tipo de autoeducação que independe da educação porque se mostra inteiramente dependente da genialidade ou das qualidades inatas e, portanto, inteiramente dependentes da natureza do gênio, logo, a natureza humana capaz de mudar a natureza humana é a natureza humana genial, quer dizer, a natureza humana exclusiva do gênio, o que, por sua vez, significa dizer que a natureza divide os homens em homens de natureza genial que podem mudar os demais e homens de natureza medíocre que podem ser mudados pelos homens de natureza genial. Estes últimos, por sua vez, não podem ser mudados e não importam "as mudanças das circunstâncias e da educação" porque são eles aqueles que verdadeiramente acabam mudando as circunstâncias e a educação, portanto, são eles que exclusivamente praticam a autoeducação que a sua natureza humana fornece, enquanto que os demais são sempre educados por eles tal qual sua natureza humana demanda. Nessa interpretação a divisão da sociedade em duas partes se baseia na divisão da natureza humana em duas partes, a genial e aristocrática, de um lado, e a medíocre e plebeia, do outro.



- Então, com sua crítica dessa doutrina e lembrando, por um lado, "que as circunstâncias são mudadas pelos homens", mas não porque eles sejam geniais e sim porque eles são homens e porque são os homens que ao longo da história e no cotidiano mudam as circunstâncias, e lembrando, por outro lado, "que o educador deve ser educado", logo, não se trata de considerar que o educador deve ser um gênio mas sim que ele deve ser educado, quer dizer, deve ser mudado pela educação, tanto com a adquirida ou produzida ao longo da história quanto com a produzida ou adquirida no cotidiano, portanto, nas circunstâncias mudadas pelos homens o educador deve ser educado não mais tão só pelas velhas circunstâncias mas também pelas novas circunstâncias, porém, ele deve ser educado principalmente na atividade de mudar as circunstâncias, quer dizer, na atividade de ser humano que é a atividade própria dos homens, melhor, dos humanos por natureza: mudar as circunstâncias! Nessa interpretação a unidade da sociedade numa comunidade humana se baseia na unidade da natureza humana que é sua capacidade natural, geral, comum e inerente a todo e qualquer humano de mudar as circunstâncias e, consequentemente, de se educar ou de mudar a si mesmo.


- Ora, se esta última interpretação é a verdadeira, então porque a história continua sendo feita por líderes e homens excepcionais?! Porque não se repete uma história de mudanças "das circunstâncias e da educação" nas quais não se destaquem líderes e homens excepcionais?! Será que é porque a história de "mudanças das circunstâncias e da educação" que se repete é precisamente a história da emancipação política e da sucessão no poder político da máquina do Estado e nunca a história da emancipação humana e da dissolução do poder político da máquina do Estado na comunidade humana livre?!





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