É tudo muito deprimente e o que é mais deprimente é saber que não sou sequer um si mesmo.
Esta prática de escrever "para todos e para ninguém" está na verdade sintonizada com o totalitarismo, com o reducionismo de tudo a átomos e vazio.
Romper com esta prática é conseguir escrever "para mim e para alguém". É conseguir sintonizar com "ser um si mesmo", com o elevar os indivíduos à concretização da vitalidade.
Um espírito preso em si mesmo escreve de forma imperativa categórica, escreve "para todos e para ninguém", já que um espírito preso em si mesmo é um espírito absoluto por permanecer absolutamente preso em si mesmo. É um espírito impessoal, sem relações.
Um espirito livre em si mesmo escreve de forma afetiva livre, escreve "para si mesmo e para outrem", já que um espírito livre em si mesmo é um espírito relativo por sair relativamente livre de si mesmo. É um espírito pessoal, com afetivas relações.
Com certeza não sou um espírito livre, mas tampouco me interessa a infelicidade do espírito preso nesse mundo de múltiplas relações impessoais, de múltiplas prisões afetivas.
Talvez só tenha uma chance de vir a ser um espírito livre em mim mesmo e, talvez, seja exercitando o escrever para mim mesmo até que efetivamente escreva para alguém, mesmo que esse alguém venha a ser precisamente a conquista da capacidade de ser eu mesmo, já que, atualmente, como disse no início, "não sou sequer um si mesmo".
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
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