sábado, 5 de novembro de 2016

Quem é a pessoa e quem são os outros humanos?!





A tal da pessoa, que é o sujeito presente nas duas últimas postagens, teria descoberto, na última postagem, que a maior dificuldade, na mudança das circunstâncias e da educação, é a mudança da educação porque nela o objeto é o próprio sujeito humano, enquanto que na mudança das circunstâncias são elas, as circunstâncias, que são o objeto do sujeito humano. Mudar as circunstâncias e, com elas, mudar as forças humanas de produção é algo que parece ser muito fácil e que, inclusive, pode se apresentar como uma característica de um modo de produção, como a tal da “revolução incessante dos instrumentos/meios de produção”. Porém, mudar a educação e, com ela, mudar as relações humanas de produção é algo que parece muito difícil e que, inclusive, pode se apresentar como uma dificuldade característica de um tipo de modo de produção, como o tal da “exploração incessante dos sujeitos/forças humanas de trabalho”.


Uma mudança dos meios de produção que parece mudar as forças humanas de produção é a que vem se desenvolvendo com os computadores, a internet e que vem reduzindo o poder dos sujeitos sindicalizados, dos sindicatos de forças humanas de trabalho e, ao mesmo tempo, expandindo os sujeitos do mercado de trabalho informal, os mercados de trabalho informal para as forças humanas de trabalho. Com os novos meios de produção ocorre a dissolução de toda uma série de formalizações que expressavam o poder adquirido pelos sujeitos, pelas forças humanas de trabalho, mas, por outro lado, também ocorre o deslocamento dos sujeitos, das forças humanas de trabalho para uma série de redes de informalizações que adquirem e desenvolvem seu poder como sistema, modo de produção.


Os sujeitos sindicalizados e os sindicatos das forças humanas de trabalho passaram a perder forças, empregos e capacidades para formalizar o mercado de trabalho. Já os sujeitos empreendedores e os empreendedorismos das forças humanas de trabalho passaram a ganhar forças, usos e capacidades para informalizar o mercado de trabalho. Com os sindicatos incapacitados para garantir direitos, salários, empregos, jornadas de trabalho e com os mercados informais garantindo a expansão dos empreendimentos, dos ganhos monetários, das alternativas aos empregos e às jornadas formais/regulamentadas de trabalho as relações humanas de produção que permanecem invariantes são as relações humanas mercantis ou são as relações humanas que exploram os humanos como mercadorias para outros humanos.


Mesmo que a mercadoria não deixe de ser mercadoria, quando ela é formal bem como quando ela é informal, ou seja, mesmo que não passe de uma ilusão acreditar que  a formalização suprime a mercadoria, o que se destaca na mercadoria informal é a predominância da vivência cotidiana, no âmbito da sociedade civil capitalista, regulada quase que exclusivamente pela troca de valor frente à antiga predominância da cidadania política regulada quase que exclusivamente pela invariância de valor. Em ambos os casos a mercadoria permanece predominante, mas, a mercadoria formal da cidadania política difundia a ilusão de que a mais completa formalização da cidadania política ou do Estado viria a suprimir a mercadoria e só deixaria subsistir a formalização sem mercadoria. Ilusão completa porque um Estado completamente formalizado que suprime a sociedade, logo, um Estado sem sociedade é um Estado que nunca nasceu porque a fonte de onde se origina o Estado é a sociedade, portanto, o contrário, uma sociedade sem Estado não só é perfeitamente possível como também é a realidade original da sociedade e/ou da fonte do Estado: Vir a ser e existir sem Estado. Porém, supondo que o desenvolvimento venha a permitir que o Estado se desenvolva tão completamente que consiga suprimir sua fonte, a sociedade, e permanecer se desenvolvendo como Estado Completo, então, também se torna preciso supor que a sociedade exista subsumida no interior desse Estado Completo e, nesse caso, também é preciso indagar que sociedade é esta que existe como o conteúdo de um Estado? Bem como que Estado Completo é este que contém uma sociedade inteira? Certamente é um Estado que circunda a sua fonte, a sociedade, por completo, mas, então, que fonte criadora é esta que permite ser circundada pela sua criatura? É a fonte criadora que, para se desenvolver, precisa que sua criatura a circunde e a proteja de modo que sua fonte criadora possa superar a fonte criadora anterior que também era protegida por sua criatura, ainda que não de forma tão completa quanto no caso do Estado Completo. Então a fonte criadora para se desenvolver e superar uma outra fonte criadora recorreu à proteção completa de sua criatura, o Estado. Conclusão: A fonte criadora que permite ser circundada de forma completa pela sua criatura é uma fonte criadora que precisa ser protegida por sua criatura até ter condições de se desenvolver por completo e não precisar mais ser circundada completamente por sua criatura, o Estado. Noutras palavras, a criatura e/ou o Estado Completo nunca suprimirá a sociedade, sua fonte criadora, por mais que a circunde por completo, mas poderá sim ser dissolvido quase por completo quando a sociedade, sua fonte criadora, tiver se desenvolvido de forma suficientemente livre e independente de suas necessidades de proteção, de segurança.


Essa teoria foi expressa por Marx na “Ideologia Alemã” e noutros textos, mas se tornou prática expressa na experiência de edificação e de dissolução da URSS no século XX. Donde se conclui que a sociedade que foi a fonte criadora da experiência da URSS e que saiu dessa experiência suficientemente livre e independente foi precisamente a sociedade capitalista desse momento atual de predomínio da fonte criadora sobre a criatura, de predomínio da sociedade civil sobre o Estado, de predomínio do mercado informal sobre o mercado formal, donde se conclui, enfim, que o Estado Completo e/ou a criatura absoluta só pode ter por resultado a dissolução quase Completa do Estado e/ou a dissolução quase absoluta da criatura para que a sua fonte criadora, a sociedade, deixe claramente explícito por que criou, fez funcionar e existir a criatura, o Estado.



Sob outro ângulo, o Estado não parece ser parte das circunstânjcias e sim da educação. E na educação o Estado é aquele educador que se supõe acima e fora da subjetividade que reduz a seu objeto, a sociedade. E o Estado educador que supõe ter reduzido a subjetividade da sociedade a objeto abaixo e dentro da sua subjetividade é precisamente aquele que se dissolve para que dele saia suficientemente forte a subjetividade que desenvolve sistematicamente a exploração do humano pelo humano, a sociedade desenvolvida da exploração capitalista/a sociedade da exploração capitalista desenvolvida.



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