terça-feira, 29 de novembro de 2016

A novidade do materialismo epicurista revolucionário de Karl Marx




“Um filósofo da razão aprisionado na positividade, mas que, por isso mesmo, aplica nela o cálculo, a medida, o mapeamento, enfim, o máximo possível de razão de modo que, vingativamente, também a aprisiona na razão, razão na qual ela o impede de livremente viver.” (Ver em https://singularidadeabstrata.wordpress.com/2016/11/29/a-novidade-do-materialismo-epicurista-revolucionario-de-karl-marx/ )


“Parece acontecer à filosofia grega aquilo que não deve acontecer numa boa tragédia: um desenlace sufocado. Com Aristóteles, o Alexandre da Macedônia da filosofia grega, parece terminar, na Grécia, a história objectiva da filosofia. Mesmo os estoicos, apesar de sua decisão (força, na versão francesa) viril, não conseguem, tal como o fizeram os Espartanos nos seus templos, prender Ateneia a Heracles para que aquela não pudesse fugir.” (Ver em http://docslide.com.br/documents/3-as-filosofias-da-natureza-em-democrito-e-epicuro.html ).


Pela primeira decisão, talvez, seja melhor dizer pela primeira força, a de Demócrito, o mundo positivo é inteiramente dominado e domesticado pela razão que tudo nele calcula, mede e mapeia para poder chegar o máximo possível onde anseia que é o mundo da razão insensível e invisível. A objetividade da positividade aqui, ao mesmo tempo, já é outra objetividade, é a objetividade da abstração. Esta novidade, a objetividade da razão, é a mesma do aviso da Academia de Platão de que nela “só entra quem conhece a Geometria”. Esta objetividade da razão equivale à objetividade do trabalho abstrato, equivale à objetividade do capital. Se considerarmos que é a história dessa objetividade que chegou ao fim, logo, também que, nesse momento, o capital escapou dos templos, então podemos trazer para dentro da crise ou do sufoco pelo término da história objetiva da filosofia grega igualmente o sufoco ou a crise pelo término da história do capital grego.


As filosofias pós-aristotélicas dos epicuristas, estoicos e céticos, apesar da força viril dos estoicos, são aquelas que não conseguem prender a razão objetiva ou o capital nos templos gregos. São as filosofias que escapam dos templos e dos cultos que a tudo calculam, medem e mapeiam buscando fruir esta liberdade na história subjetiva da filosofia grega, quer dizer, no livre desenvolvimento dos sujeitos gregos, logo, é aí na liberdade dos indivíduos que a liberdade de Ateneia (deusa da Sabedoria), logo, do livre desenvolvimento da força da sabedoria vem a ser igualmente o livre desenvolvimento da força do sujeito humano, o livre desenvolvimento da força da sabedoria humana. Estas filosofias pós-aristotélicas são as forças subjetivas da sabedoria da filosofia grega que vem à tona, vem à cena da história desta filosofia grega. Elas são as forças que sustentam toda a história da filosofia grega, mas que vinham sendo mantidas prisioneiras da tal história objetiva desta filosofia, logo, igualmente prisioneiras da história do capital grego, a qual, por sua vez, é igualmente a história do escravismo grego ou a história do trabalho escravo na Grécia. Estas filosofias são filosofias da libertação dos sujeitos, dos indivíduos e/ou das forças humanas gregas do trabalho escravo. São filosofias que surgem num momento bem específico de crise do império alexandrino, quer dizer, tanto do sistema aristotélico quanto do mercado mundial alexandrino, logo, num momento que não tem mais como expandir o escravismo e que, ao mesmo tempo, para manter o mercado precisa de mais consumidores, portanto, num momento de crise do domínio mundial do império que precisa reduzir o poder senhorial escravocrata junto com a redução do trabalho escravo e, ao mesmo tempo, aumentar o número de consumidores livres do excesso de poder senhorial e do excesso de trabalho escravo. São filosofias que surgem num momento de libertação do poder senhorial escravocrata e do trabalho escravo, por isso mesmo, na história da filosofia de Hegel (e na sua Fenomenologia), são filosofias da consciência de si, filosofias da dialética do senhor e do escravo. E, dentro desta dialética da senhor e do escravo, a filosofia epicurista é aquela que, segundo Marx, realiza efetivamente a libertação deste sistema escravocrata do senhor e do escravo, quer dizer, é aquela que, na língua de Hegel, realiza efetivamente a superação e/ou a suprassunção da dialética do senhor e do escravo.



O detalhe é que a filosofia de Hegel é equivalente em poder senhorial imperialista à filosofia de Aristóteles, já que a filosofia de Hegel é a do Saber Absoluto, porém, é o próprio Hegel quem situa as filosofias epicurista, estoica e cética da consciência de si gregas como sucessoras imediatas de Aristóteles, portanto, é o próprio sistema hegeliano que indica que seus sucessores serão filósofos das filosofias da consciência de si. Marx vai desenvolver esta filosofia da consciência de si como filosofia da libertação/emancipação da força humana de trabalho. No sentido de emancipação do trabalho livre assalariado, logo, de fim da história objetiva do capital que aprisiona a história subjetiva da força humana no trabalho livre assalariado. De modo que a força humana de trabalho deixará de ser objeto do sistema de trabalho livre assalariado e não mais simplesmente do sistema de trabalho escravista. Porque? Porque irá suprimir ou suprassumir a objetividade insensível ou o capital de modo a realizar o livre desenvolvimento da subjetividade sensível ou da força humana criadora.



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