“Um filósofo
da razão aprisionado na positividade, mas que, por isso mesmo, aplica nela o
cálculo, a medida, o mapeamento, enfim, o máximo possível de razão de modo que,
vingativamente, também a aprisiona na
razão, razão na qual ela o impede de livremente viver.” (Ver em https://singularidadeabstrata.wordpress.com/2016/11/29/a-novidade-do-materialismo-epicurista-revolucionario-de-karl-marx/
)
“Parece
acontecer à filosofia grega aquilo que não deve acontecer numa boa tragédia: um
desenlace sufocado. Com Aristóteles, o Alexandre da Macedônia da filosofia
grega, parece terminar, na Grécia, a história objectiva da filosofia. Mesmo os
estoicos, apesar de sua decisão (força, na versão francesa) viril, não
conseguem, tal como o fizeram os Espartanos nos seus templos, prender Ateneia a
Heracles para que aquela não pudesse fugir.” (Ver em http://docslide.com.br/documents/3-as-filosofias-da-natureza-em-democrito-e-epicuro.html ).
Pela
primeira decisão, talvez, seja melhor dizer pela primeira força, a de
Demócrito, o mundo positivo é inteiramente dominado e domesticado pela razão
que tudo nele calcula, mede e mapeia para poder chegar o máximo possível onde
anseia que é o mundo da razão insensível e invisível. A objetividade da
positividade aqui, ao mesmo tempo, já é outra objetividade, é a objetividade da
abstração. Esta novidade, a objetividade da razão, é a mesma do aviso da
Academia de Platão de que nela “só entra quem conhece a Geometria”. Esta
objetividade da razão equivale à objetividade do trabalho abstrato,
equivale à objetividade do capital.
Se considerarmos que é a história dessa objetividade que chegou ao fim, logo,
também que, nesse momento, o capital
escapou dos templos, então podemos trazer para dentro da crise ou do sufoco
pelo término da história objetiva da filosofia grega igualmente o sufoco ou a
crise pelo término da história do capital
grego.
As
filosofias pós-aristotélicas dos epicuristas, estoicos e céticos, apesar da
força viril dos estoicos, são aquelas que não conseguem prender a razão
objetiva ou o capital nos templos gregos. São as filosofias que escapam dos
templos e dos cultos que a tudo calculam, medem e mapeiam buscando fruir esta
liberdade na história subjetiva da filosofia grega, quer dizer, no livre
desenvolvimento dos sujeitos gregos, logo, é aí na liberdade dos indivíduos que
a liberdade de Ateneia (deusa da Sabedoria), logo, do livre desenvolvimento da
força da sabedoria vem a ser igualmente o livre desenvolvimento da força do
sujeito humano, o livre desenvolvimento da força da sabedoria humana. Estas
filosofias pós-aristotélicas são as forças subjetivas da sabedoria da filosofia
grega que vem à tona, vem à cena da história desta filosofia grega. Elas são as
forças que sustentam toda a história da filosofia grega, mas que vinham sendo
mantidas prisioneiras da tal história objetiva desta filosofia, logo,
igualmente prisioneiras da história do capital grego, a qual, por sua vez, é
igualmente a história do escravismo grego ou a história do trabalho escravo na
Grécia. Estas filosofias são filosofias da libertação dos sujeitos, dos
indivíduos e/ou das forças humanas gregas do trabalho escravo. São filosofias
que surgem num momento bem específico de crise do império alexandrino, quer
dizer, tanto do sistema aristotélico quanto do mercado mundial alexandrino,
logo, num momento que não tem mais como expandir o escravismo e que, ao mesmo
tempo, para manter o mercado precisa de mais consumidores, portanto, num
momento de crise do domínio mundial do império que precisa reduzir o poder
senhorial escravocrata junto com a redução do trabalho escravo e, ao mesmo
tempo, aumentar o número de consumidores livres do excesso de poder senhorial e
do excesso de trabalho escravo. São filosofias que surgem num momento de
libertação do poder senhorial escravocrata e do trabalho escravo, por isso
mesmo, na história da filosofia de Hegel (e na sua Fenomenologia), são
filosofias da consciência de si, filosofias da dialética do senhor e do
escravo. E, dentro desta dialética da senhor e do escravo, a filosofia
epicurista é aquela que, segundo Marx, realiza efetivamente a libertação deste
sistema escravocrata do senhor e do escravo, quer dizer, é aquela que, na
língua de Hegel, realiza efetivamente a superação e/ou a suprassunção da
dialética do senhor e do escravo.
O detalhe é
que a filosofia de Hegel é equivalente em poder senhorial imperialista à
filosofia de Aristóteles, já que a filosofia de Hegel é a do Saber Absoluto,
porém, é o próprio Hegel quem situa as filosofias epicurista, estoica e cética da
consciência de si gregas como sucessoras imediatas de Aristóteles, portanto, é
o próprio sistema hegeliano que indica que seus sucessores serão filósofos das
filosofias da consciência de si. Marx vai desenvolver esta filosofia da
consciência de si como filosofia da libertação/emancipação da força humana de
trabalho. No sentido de emancipação do trabalho livre assalariado, logo, de fim
da história objetiva do capital que aprisiona a história subjetiva da força
humana no trabalho livre assalariado. De modo que a força humana de trabalho
deixará de ser objeto do sistema de trabalho livre assalariado e não mais
simplesmente do sistema de trabalho escravista. Porque? Porque irá suprimir ou
suprassumir a objetividade insensível ou o capital de modo a realizar o livre
desenvolvimento da subjetividade sensível ou da força humana criadora.
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