... ou reflexões sobre a terceira das "Teses Sobre Feuerbach", de Karl Marx, bem como raciocínio rigoroso aplicado ao meu próprio ceticismo expresso em "Como é possível acreditar ainda em outros humanos?!".
A pessoa parece ser um sujeito que muda as circunstâncias e parece
ser um sujeito que é mudado pela educação ou parece ser um sujeito que muda a
si mesmo pela educação. Quando a pessoa parece mudar as circunstâncias ela
parece mudar os objetos, as coisas e quando a pessoa parece ser mudada pela
educação ela parece ser mudada pelos sujeitos, pelos fantasmas ou quando a
pessoa parece mudar a si mesma pela educação ela parece mudar sua própria
subjetividade, sua própria fantasmalidade pelas outras subjetividades, pelas
outras fantasmalidades.
A pessoa parece ser um sujeito objetivo quando muda as
circunstâncias, os objetos, as coisas que parecem ser objetividades sujeitas à
ação da pessoa. E a pessoa parece ser um sujeito subjetivo quando é mudada pela
educação, pelos sujeitos, pelos fantasmas que parecem ser subjetividades que
sujeitam a ação da pessoa. A pessoa parece se sentir um sujeito que age/atua
sobre um objeto quando se relaciona com as circunstâncias que ela muda. E a
pessoa parece se sentir como um objeto da ação/atuação de um sujeito sobre ela
quando se relaciona e é mudada e/ou muda a si mesma pela educação. A primeira
impressão que se tem é que quem sente que, agindo/atuando sobre um objeto, muda
as circunstâncias é a pessoa que trabalha, a pessoa que realiza um trabalho
humano produtivo, ou seja, a impressão que se tem é que a pessoa sente que
age/atua/trabalha sobre a natureza e desenvolvendo relações com a natureza. Já
a impressão que se tem de quem sente que um sujeito agindo/atuando sobre si muda
a educação é a pessoa que é trabalhada, a pessoa sobre a qual é realizado um
trabalho humano produtivo, ou seja, a impressão que se tem é que a pessoa sente
que age/atua/trabalha sobre ela um sujeito humano ou mais de um sujeito humano,
melhor, que age/atua/trabalha sobre ela uma subjetividade humana e que ela
desenvolve relações com a subjetividade humana.
Nas relações de trabalho humano produtivo sobre as circunstâncias,
sobre a natureza e de mudança das circunstâncias, de mudança da natureza fica
claro que os humanos mudam as circunstâncias e a natureza. Aí as relações são
de produção de objetos, de coisas e, por isso, é surpreendente que os
produtores dos objetos, das coisas sejam expropriados e que fiquem, melhor,
recebam em troca apenas o que necessitam para continuar a ser trabalhador
humano produtivo ou sujeito humano que muda as circunstâncias. E quem expropria
aí nessas relações de produção não são as circunstâncias, nem são os objetos ou
coisas nem é a natureza objetiva, mas é sim uma subjetividade humana, quer
dizer, são outros humanos que entram aí nessas relações de produção não como
produtores de objetos, coisas, circunstâncias e sim como produtores de
subjetividades/sujeitos, fantasmas, educação. Nas relações de produção com a
natureza a pessoa se encontra no mesmo plano daquilo que Hegel, na “Fenomenologia
do Espírito”, chama de “Consciência” e que Kant, na sua “Crítica da Razão Pura”,
chamava de “Consciência/Ciência/Conhecimento do Fenômeno”. Já nas relações de
produção com os humanos a pessoa se encontra no mesmo plano daquilo que Hegel,
na “Fenomenologia do Espírito”, chama de “Consciência de Si” (e onde se
desenvolve a dialética do “Senhor/Mestre e do Escravo/Discípulo”) e que Kant,
na sua “Crítica da Razão Prática”, chamava de “Crença/Prática/Cultivos
Fenomênicos de Como Seja o Númeno/Coisa Em Si para a Vontade do Sujeito de Si”.
A pessoa sente então que muito mais importante que fazer a mudança das
circunstâncias é fazer a mudança da educação. Ela percebe que são os
trabalhadores humanos produtivos que mudam as circunstâncias, mas que essa mudança
que liberta a pessoa das limitações da natureza, das limitações da objetividade
não consegue libertar a pessoa das limitações da educação, das limitações da
subjetividade, portanto, se a pessoa consegue se sentir sujeito nas suas
relações de trabalho produtivo com a natureza, já o mesmo não ocorre nas suas
relações de trabalho produtivo com a subjetividade humana onde ela se sente
objeto. Portanto, para que venha a se libertar nas suas relações de trabalho
produtivo com a subjetividade humana, quer dizer, nas relações de produção onde
ela mesma é o objeto, tudo indica, ao que parece, que ela precisa assumir e
partir de sua condição de objeto para vir a aprender como pode desenvolver essa
sua condição de objeto humano da subjetividade humana até chegar a realizar e
libertar a objetividade humana da subjetividade humana. O problema principal da
libertação e da mudança do mundo é o da libertação e da mudança da educação
porque é aí nessas relações dos humanos entre si que se desenvolvem as relações
de exploração dos humanos pelos humanos, que se desenvolvem as relações de
exploração de sujeitos humanos como objetos de outros sujeitos humanos que se
sentem mais sujeitos e/ou se sentem super sujeitos humanos. Então, estes
últimos, que se sentem acima e fora das relações dos demais sujeitos humanos
que são apenas objetos deles, os super sujeitos, são precisamente aqueles que
concebem a sua liberdade como sujeição dos demais à sua subjetividade e nunca
como sujeição de si mesmos à subjetividade dos demais. Noutras palavras, eles
parecem ser daqueles que concebem a si mesmos como educadores dos demais, mas
que não admitem ter sido nem querem vir a ser educados pelos demais, ou seja,
eles admitem apenas a sua condição de sujeitos exclusivos, de sujeitos geniais,
de super sujeitos, mas não a sua condição de sujeitos inclusivos, de sujeitos
comuns, de sujeitos objetos de sujeitos que são igualmente objetos de sujeitos.
Melhor, até admitem essa possibilidade de serem sujeitos inclusivos, sujeitos
de uma educação desde que tal possibilidade seja precisamente a de sujeitos
comuns de uma classe social determinada. Portanto, só quando essa limitação é
ultrapassada e a condição de objeto humano de uma subjetividade humana se
tornar uma condição recíproca na qual o educador assume que aprende sendo
objeto da subjetividade da criança, do educando, do trabalhador, enfim, só
quando a relação de quem se sente objeto humano de um sujeito humano deixar de
ser uma relação de exploração/expropriação/aprisionamento e passar a ser uma
relação de cooperação/socialização/liberação é que se poderá verificar uma
coincidência entre a mudança das circunstâncias e a mudança da educação ou a autotransformação.
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