quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Será que é isso?!...




No Brasil é a partir da chamada década perdida, cujo início coincide com o do lançamento do neoliberalismo no mundo, que surge e se desenvolve a prática dos sujeitos político-sociais atualmente no poder.


É curioso que o novo sindicalismo, que originou o PT e a CUT, seja formado e desenvolvido em partido político e central sindical durante a década perdida.


Também é curioso que os governos Lula tenham assumido combater as crises por meio do aumento sistemático dos meios de consumo. Mais curioso ainda que os governos Dilma tenham assumido a enorme redução da participação da indústria no PIB.


Será que ao se situar na luta salarial o "novo sindicalismo" também se situou apenas na aquisição de aumento da renda e/ou de meios de consumo e, desse modo, uma vez no poder, só imaginou real a política que distribuísse renda para os mais pobres e/ou aumentasse a distribuição de meios de consumo para os mais pobres?! Também só imaginou real a política de aumento dos meios de consumo para combater as crises. As reduções do IPI para aumento do consumo de automóveis, a aceitação do burlar a lei introduzindo os transgênicos para aumentar o consumo via as exportações de soja e de carnes de gados alimentados com rações baseadas na soja transgênica, facilidades com os créditos baseados em consignados, quer dizer, em descontos em folha, os quais lembram uma antiga prática dita "do barracão" por meio da qual os salários dos trabalhadores eram descontados de acordo com os gastos que faziam para se alimentar e vestir recorrendo aos produtos do dito "barracão". Uma visão de grande produção monocultural que abandona a diversificação e produção de alternativas energéticas quando "descobre" o pré-sal. Uma visão que, em nome do consumo futuro do pré-sal, não consegue conter a voracidade dos que corrompem a Petrobrás no presente. E agora nos governos Dilma, cada vez mais, se reafirma o retorno aprofundado da "década perdida".


Será que toda a novidade do partido independente e da central independente da classe dos trabalhadores num país como o Brasil se reduz a um "novo sindicalismo" no sentido de um novo participante do aumento dos meios de consumo (aumento dos salários), no sentido de um novo agente mercantilista, mas nunca no sentido de um novo participante do aumento dos meios de produção (reduções das jornadas de trabalho), no sentido de um novo agente capitalista?!


Será que é aí que se encontra o problema posto pelo "Que Fazer?" que diferencia entre os que se limitam à aquisição e propriedade dos meios de consumo e os que avançam para a aquisição e propriedade dos meios de produção?! Enfim, que diferencia entre os que socializam os meios de consumo ou socializam o mercado/o socialismo de mercado e os que socializam os meios de produção ou socializam a produção do capital/o comunismo da produção do capital?!



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