09/03/2016
Ainda
ontem, à noite, no sábado, 05/03/2016, fugindo de Amor & Sexo, da Globo, me deparei
com a imagem envelhecida do Escobar na TVE e fui vendo que se tratava dum filme
sobre ele feito pela filha dele, mas que eu já tinha pego pouco antes da parte
4 e da parte final. Em seguida, assim que acabou, pensei em procurar na
internet um meio de falar com ele e foi aí que encontrei o filme completo no
último desses links, mas, antes, passei por esses outros links.
Ele
permanece sendo o Escobar revolucionário e crítico que conhecemos. Fiquei muito
surpreso de não ter sabido que o filme foi feito em 2013 e que ganhou um
festival. Alienação total da minha parte. "... a vida nos tem..." é
uma parte, duma passagem no final do filme, muito interessante. Passagem que
pode ser muito cética, muito realista, muito niilista, mas também muito
"irônica" se a vida nos tem e não temos a vida...
E isso remete para perguntar se somos apenas intérpretes do mundo vivo que nos tem ou se somos capazes de transformar o mundo vivo que temos e, finalmente, se a questão da propriedade é a decisiva ou já está, desde sempre decidida, quando a vida nos tem e não temos a vida?! Somos capazes de termos a vida?! Ou não?! Há um "preço" a pagar para termos a vida?! Há um preço a pagar para adquirir a vida?! Ela é uma mercadoria e valor de troca que podemos adquirir por ser antes de tudo um valor de uso?! E um valor de uso de nossa necessidade humana de uso?!
E isso remete para perguntar se somos apenas intérpretes do mundo vivo que nos tem ou se somos capazes de transformar o mundo vivo que temos e, finalmente, se a questão da propriedade é a decisiva ou já está, desde sempre decidida, quando a vida nos tem e não temos a vida?! Somos capazes de termos a vida?! Ou não?! Há um "preço" a pagar para termos a vida?! Há um preço a pagar para adquirir a vida?! Ela é uma mercadoria e valor de troca que podemos adquirir por ser antes de tudo um valor de uso?! E um valor de uso de nossa necessidade humana de uso?!
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pt.wikipedia.org
Carlos Henrique de Escobar Fagundes (São Paulo,11 de novembro de 1933)
é um filósofo, dramaturgo, poeta e professor brasileiro. [1] [2] Nascido em
São Paulo, aos ...
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oglobo.globo.com
Carlos Henrique Escobar ressurge no documentário ‘Os dias com ele’ Um
dos intelectuais mais provocativos do Brasil nos anos 1960 e 70, o filósofo,
dramaturgo e ...
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www.joaodorio.com
João do Rio, 1 1ªAno 10 - Número 61 Dezembro / Janeiro de 2014
FILOSOFIAS Entrevista com Carlos Henrique Escobarpor Marcio Salgado*O texto a
seguir é parte de um...
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www.youtube.com
Carlos Henrique Escobar, um importante intelectual brasileiro de
esquerda, foi preso e torturado, em 1973, quando o país vivia numa Ditadura
Militar (1964-19...
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www.youtube.com
Filme de Maria Clara Escobar Editado por Julia Murat e Juliana Rojas
Produzido por Filmes de Abril.
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- Rapaz, como ele envelheceu...
Cirrose e tratamento muito caro que não pode fazer e prefere sofrer a doença. Aos 9 anos, depois de fugirem da casa dos pais e viverem nas ruas, pacto com os irmãos de não mais trabalhar nem estudar formalmente, de serem autodidatas. Preso aos 9 anos por roubar para se sustentar e aos irmãos. E por se justificar com o Manifesto Comunista, que sabia de cor, acaba sendo solto, sob a advertência de prometer não retornar ao local onde foi preso. Prefere ser enterrado num cemitério de animais com os gatos e não com os humanos. Perdeu os irmãos, os pais, os amigos, está faz 12 anos (época do filme, agora faz mais) em Aveiro sem se comunicar sequer com os portugueses num exílio voluntário, mas casado com uma portuguesa, pelo que se depreende do sotaque da companheira dele. A vida o tem, ele diz, mas, ao mesmo tempo, ele é o dramaturgo que quer controlar tudo e mais do que um bom ator, como ele mesmo assume, ele busca ser o autor dramaturgo de sua história desde os 9 anos. Foi generoso com a filha por possibilitar que ela nascesse ao evitar a realização da ameaça de aborto, feita pela mãe dela, caso ele não prometesse pagar integralmente pelo sustento da filha, foi generoso por ter prometido, ainda que não tenha cumprido, como diz não ter feito com nenhum dos filhos. Um sujeito autocentrado ou ego-centrado, logo, egocêntrico, mas não por ter a vida e sim porque a vida o tem, inteiramente desiludido com os humanos por se entender com os gatos no silêncio dos gatos. Ora, é curioso que os gatos sejam tidos como os animais domésticos que diferem inteiramente dos cachorros por sua autonomia, independência, egoísmo, posto que os cães se caracterizam por sua submissão, dependência, "altruísmo". Ele quer viver a grande solidão nietzschiana, ele permanece interpretando um grande papel ou sendo, como ele diz que foi no Brasil, um bom ator, mas que, como dramaturgo, vivencia a tragédia dos raros, dos superiores, os quais, mesmo assim, são determinados pelo acaso da vida que os tem e não pela determinação que têm de terem a vida. Teve vida pública, mulheres e bebeu. Quer ser lembrado como um pequeno homem aos 9 anos e, portanto, como um filiado à linhagem dos mestres de si mesmos ou dos autodidatas, melhor, dos super-homens nietzschianos. Nietzsche se tornou catedrático sem nunca ter feito doutorado, mas porque o catedrático da filologia o protegeu como monitor e o elevou à condição de catedrático porque reconheceu nele seu notório saber. Gênios como forças da natureza, quer dizer, porque a vida os tem como tal. E o mesmo se diz dos gatos e também dos felinos e dos "predadores" ou reis da cadeia alimentar.
É isso que você vê em outros, muito próximos, que, a seu ver, olham a vida com tristeza?! É uma lenda esta vida pública, este personagem do dramaturgo e ator Escobar ou é a vida que o teve assim e ele é simples produto determinado pelo acaso da vida que o tem?!
Os pais eram ausentes e ele e os irmãos também se
ausentaram dos pais. (Por vingança ou autoestima?!) Ele veio a ser um pai
ausente. "Filhos de gatos, gatinhos são?!". Ele sempre trata
muito bem as crianças de rua. Caráter também é a coragem de estar na rua,
de não frequentar escola, de não trabalhar. Caráter é a coragem de não se
deixar corromper pelo mundo ou de não ser tomado pelo mundo e se manter tomado
pela vida, se manter determinado pela vida, pelo acaso, pela condição de
gato/"gatuno"/"vagabundo"/incorruptível e não a de cão/"tira"/escravo/corruptível
determinado pelo destino, pela morte, melhor, pelo medo da morte. Porém, se for
a vida quem nos determina e nos possui, então ela também determina e possui
tanto o senhor quanto o escravo, ou seja, as classes são perenes e os indianos
estão certos, porque a vida sempre irá determinar e ter os que quer como
senhores e os que quer como escravos, porque, ao fim e ao cabo, todos são seus
servos ou suas propriedades e qualidades se manifestando. Só que aí não existe
saída deste caráter determinista do acaso da vida, ou seja, somos para sempre
incapazes de sair da perenidade ou eterno retorno da sociedade de classes ou da
natureza com forças excessivas nos libertos (gatos) e forças carentes nos
escravos (cães). Mas, Marx é nietzschiano ou marxiano?! Para ele, o acaso é a
simples determinação da vida que nos possui ou é também a simples determinação
da vida que possuímos?! Caráter, mais do que a coragem de não se deixar
corromper ou ser tomado pelo mundo, é a coragem de mudar o mundo por meio
da capacidade de tomar e determinar a vida e o acaso, posto que não são
destinos nem a vida nem o acaso e sim a morte e o determinismo, posto que a
vida e o acaso são sim livremente determinados pelo indivíduo ou são a própria
livre determinação da capacidade humana!!!???
Escobar critica a tradição cultural da corrupção no Brasil e avalia que a derrota da sua posição de esquerda se deve antes a um erro da sua posição de esquerda e dos seus aliados do que a um acerto dos seus adversários. Acredita que o Brasil ainda irá conhecer o vir a ser de uma posição de esquerda não corrupta e não stalinista. Esta posição de esquerda de caráter errou e, por isso, foi derrotada. Mas, ele não diz qual foi o erro.
Escobar critica a tradição cultural da corrupção no Brasil e avalia que a derrota da sua posição de esquerda se deve antes a um erro da sua posição de esquerda e dos seus aliados do que a um acerto dos seus adversários. Acredita que o Brasil ainda irá conhecer o vir a ser de uma posição de esquerda não corrupta e não stalinista. Esta posição de esquerda de caráter errou e, por isso, foi derrotada. Mas, ele não diz qual foi o erro.
Escobar nos ensina que, na questão do mestre/senhor e do discípulo/escravo, ele encontra e desenvolve uma trajetória sem mestre/senhor por se recusar a ser discípulo/escravo ou, como ele diz, por se recusar a ser filho de pais ausentes, se recusar a trabalhar ou ser escravo do trabalho, se recusar a ser aluno ou discípulo do professor. O carinho, a atenção e cuidado que sempre manteve com as crianças de rua é identidade consigo mesmo. A preferência pelos gatos é identidade consigo mesmo. A preferência por Nietzsche é identidade consigo mesmo. Em todos estes casos o autodidata é uma força da natureza com a qual Escobar se identifica. Mas, talvez, aí mesmo esteja o problema do erro de sua posição de esquerda, quer dizer, da defesa do caráter por sua posição de esquerda. O autodidatismo que ensina é ou não o mesmo autodidatismo que os trabalhadores precisam desenvolver para serem libertos ou emancipados do trabalho?! Com o seu autodidatismo ocorre uma ruptura com a família, com o trabalho e com a escola como sistemas institucionais, ainda que o reconhecimento maior seja feito pela escola precisamente devido ao Notório Saber do seu autodidatismo.
Mesmo assim, as outras instituições, a família e
o trabalho, podem reconhecer o seu autodidatismo sob aquilo que denominam de
livre iniciativa, empreendedorismo, atividade capitalista, mas não como iniciativa
prisioneira do sistema assalariado, do trabalho explorado, da atividade
trabalhista. Ou seja, o seu autodidatismo é aquele que desenvolve uma
comunidade autodidata daqueles que podem vir a se constituir como Estado-Maior da
organização dum processo de libertação autodidata do sistema assalariado, da
exploração do trabalho, da atividade trabalhista, mas, mesmo assim, correndo o
risco deste Estado-Maior vir a ser um sucessor mais desenvolvido da livre
iniciativa e empreendedorismo do capitalismo.
O problema então é o da libertação dos trabalhadores da atividade trabalhista, do sistema assalariado, da exploração do trabalho, mas não como algo que passa a ser reconhecido como livre iniciativa, empreendedorismo, atividade capitalista, notório saber. O caráter do autodidatismo dos trabalhadores não é o mesmo do autodidatismo do Escobar. O do Escobar é um autodidatismo inerente à natureza do gênio, do superdotado, do super-homem, enfim, daquele que a vida naturalmente determina porque o tem como sua propriedade, como seu caráter. Já o autodidatismo dos trabalhadores que lutam para se emancipar do trabalho se constitui no interior mesmo do próprio processo de trabalho de forma inerente à relação social que desenvolve os trabalhadores como uma comunidade social, ou seja, é um autodidatismo que não se deve à natureza dos trabalhadores e sim à sociedade ou comunidade artificialmente constituída dos trabalhadores no processo de desenvolvimento do sistema do trabalho ou da produção.
É evidente que ambos autodidatismos têm mais em comum do que as erudições contra as quais se levantam e lutam. Os trabalhadores nada possuem, além de suas próprias forças humanas de trabalho. O caráter do trabalhador é sua força humana de trabalho. O caráter do Escobar é a sua natureza. E como o trabalhador se liberta? Se tornando proprietário comum dos meios de produção, quer dizer, se tornando sim o proprietário da iniciativa, do empreendimento e quem “capitaliza” a produção dos meios de produção comuns e automatizados.
Será que é por aí que se encontra o erro da posição de esquerda do Escobar que defende o caráter autodidata e/ou independente da emancipação ou libertação dos trabalhadores?!
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O ser sensível precede a consciência.
Nossa sensibilidade é inconsciente e da sua existência ou
atividade vital nasce, depois de um determinado tempo, a consciência/o eu. A
consciência da sensibilidade ou a sensibilidade consciente conhece a si mesma,
mas se limita a sentir, a perceber e a conhecer as manifestações para a
consciência da sensibilidade inconsciente e não conhece a sensibilidade
inconsciente em si mesma. As manifestações para a consciência da sensibilidade
inconsciente mostram a presença na sensibilidade consciente de uma vontade
inconsciente. Enquanto a sensibilidade consciente conhece a si mesma, quer
dizer, a objetividade tal qual ela se mostra para a consciência, já a
sensibilidade inconsciente permanece submersa em si mesma e só deixa vir à tona
ou à consciência sinais, marcas, manifestações, perturbações, alterações que a
vontade inconsciente faz na objetividade sensível tal qual a conhecemos
conscientemente. Com a sensibilidade consciente temos acesso à objetividade tal
qual ela se mostra para nós, mas com a sensibilidade inconsciente percebemos o
acesso à objetividade, tal qual ela se mostra a nós, da vontade duma
subjetividade tal qual ela se esconde em nós.
Se chamamos a sensibilidade consciente de coisas para nós
que podemos conhecer e a sensibilidade inconsciente de coisas em si que não
podemos conhecer, então nos aproximamos da terminologia de Kant. Porém, as coisas em si
da sensibilidade inconsciente ainda são sensíveis e acessíveis para nós e
passíveis de conhecimento quando se manifestam ou se mostram para nós como
presença duma vontade. Já as coisas em si da sensibilidade inconsciente que
permanecem escondidas são insensíveis, inacessíveis e incognoscíveis para nós,
ainda que, de repente, possam vir à tona. Entre estas coisas em si da
sensibilidade inconsciente que, vez por outra, manifesta sua presença como
vontade, e as coisas em si da insensibilidade ou do ser tal qual ele é em si
independente e liberto da sensibilidade existe uma diferenciação da
inconsciência. Diferenciação entre uma inconsciência ou inconsciente insensível
e uma inconsciência ou inconsciente sensível. Essas coisas em si do plano da
inconsciência ou inconsciente insensível foram chamadas por Kant de númenos e
só aí a vontade pode ser inteiramente livre, alma imortal e divindade sem
espaço nem tempo, já as coisas em si situadas no plano da inconsciência ou do
inconsciente sensível foram chamadas de fenômenos porque aí a vontade já se
encontra aprisionada ou encarnada na sensibilidade, na vida mortal e na natureza
do espaço e do tempo. Porém, como o plano dos númenos só pode ser suposto como
plano contrário ao dos fenômenos e como o plano dos fenômenos é aquele que
aprisiona e encarna a vontade na sensibilidade, então surge a compreensão do
plano da prática humana dos costumes ou dos comportamentos obedientes ou
disciplinados pela encarnação duma determinada vontade como sendo aquele que,
no plano dos fenômenos, não apenas supõe a vontade do plano dos númenos mas
visa encarná-la como superconsciência, quer dizer, como consciência que
transcende a si mesma ou o fenômeno do eu e situa além de si mesma ou no
fenômeno do super-eu. Nietzsche situou o fenômeno da consciência ou do eu
(consciência sensível) como ponte humana entre o animal (inconsciente instintivo)
e o super-homem (superconsciência supersensível). Freud parece ter traduzido
mais completamente o esquema de Kant com sua formulação do Id (isso ou coisa em
si)/Inconsciente, Ego (consciência ou coisa para nós) e Superego
(superconsciência ou supercoisa para nós, quer dizer, as suposições da coisa em
si que são encarnadas como supervontade, lei, presença divina para nós ou encarnação
da divindade em nós).
Coisa em si sensível ou inconsciente fenomênico e coisa em
si insensível ou inconsciente numênico. Coisa para nós sensível ou consciência
fenomênica do eu/ego e coisa para nós supostamente "insensível" ou consciência supostamente “numênica” do supereu/superego.
Se o ser sensível impede o acesso ao ser em si, então a coisa em si real e incognoscível também pode ser, segundo Platão, a mesma coisa real em si para além da caverna da sensibilidade. A coisa em si ou o objeto real similar ao real do filme "Matrix", ainda que aí começa a prevalecer a prática da seita, do segredo, da atividade secreta e/ou dos poucos escolhidos de posse da verdade.
Se o ser sensível não impede o acesso ao ser em si precisamente porque a coisa em si real e inconsciente é sensível




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