terça-feira, 31 de maio de 2016

Se ater ao conceito: doar?! Ou reter o não-conceito: receber?!












Faz anos que tento compreender a tese de Marx sobre Demócrito e Epicuro que adotei como objeto (às vezes sujeito) da minha pesquisa do saber viver. Ela tem passagens que escapam à minha compreensão. Agora, essa sucessão de textos que parecem se ater exclusivamente ao título do blog, “singularidade/pluralidade”, abriu uma possibilidade de compreensão duma passagem muito significativa, mas, ao mesmo tempo, muito enigmática, pelo menos para mim, para minha muito simples e muito concreta capacidade de compreender e raciocinar.









Essa é a passagem:









"Enfin, cet être-dedoublé de la conscience de soi philosophique se présente comme la lutte de deux tendances, s'opposant entre elles de la manière la plus extreme, dont l'une, le parti libéral, ainsi que nous pouvons le designer en général, s'en tient, comme détermination principale, au concept et au principe de la philosophie, tandis que l'autre retient le non-concept, le moment de la realité. Cette deuxiéme direction est la philosophie positive. L'activité de la première est la critique, donc justamente l'acte de se-tourner-vers-l'extérieur de la philosophie; l'activité de la seconde est l'essai de philosopher, donc l'acte de se-tourner-en-soi de la philosophie, car elle conçoit le défaut comme immanent à la philosophie, tandis que la première le conçoit comme défaut du monde, qu'il s'agit de rendre philosophique. Chacun de ces partis fait précisément ce que l'autre veut faire et ce qu'il ne veut pas faire lui-même. Mais le premier a conscience, au sein de sa contradiction intime, du principe en général et de son but. Dans le second apparaît le travers, la folie pour ainsi dire, comme tel. Pour ce qui est du contenu, le parti libéral seul, parce que parti du concept, parvient à des progrès réels, tandis que la philosophie positive n'est à même que d'arriver à des exigences et à des tendances dont la forme contredit la signification ."









Vou traduzir, não porque domine o francês, mas porque não gosto de ler textos que me excluem com citações em línguas estrangeiras que não domino e, desse modo, me deixam de fora do círculo de sabidos e espertos que, assim, se intitulam sábios e experts ou especialistas. Vou traduzir por respeito a mim mesmo que desde muito cedo fui denominado simples, burro, oligofrênico, idiota por exemplares destas belas almas superiores tão soberbas.









“Enfim, este ser-desdobrado da consciência de si filosófica se apresenta como a luta de duas tendências, se opondo entre si da maneira mais extrema, onde uma, o partido liberal, assim como nós podemos designá-lo em geral, se atém, como determinação principal, ao conceito e ao princípio da filosofia, enquanto que o outro retém o não-conceito, o momento da realidade. Esta segunda direção é a filosofia positiva. A atividade da primeira é a crítica, logo justamente o ato de se-voltar-para-o-exterior da filosofia; a atividade da segunda é o ensaio de filosofar, logo o ato de se-tornar-em-si da filosofia, porque ela concebe o defeito como imanente à filosofia, enquanto que a primeira o concebe como defeito do mundo, que se trata de tornar filosófico. Cada um desses partidos faz precisamente aquilo que o outro quer fazer e aquilo que ele-próprio não quer fazer. Mas o primeiro tem consciência, no seio da sua contradição íntima, do princípio em geral e do seu fim. No segundo aparece o capricho, a loucura por assim dizer, como tal. Para aquilo que se refere ao conteúdo, só o partido liberal, por ser partido do conceito, alcança progressos reais, enquanto que a filosofia positiva só consegue mesmo chegar a exigências e a tendências cuja forma contradiz o significado [conteúdo].”











Acho, hoje, que a chave, para abrir a possibilidade que a tal sucessão de textos abriu agora, está na parte final da passagem. Foi sempre aí que senti a dificuldade em distinguir entre a presença da felicidade da sabedoria e a presença da tragédia da loucura. Porque? Porque quem se propõe, por exemplo, mudar o mundo, como é dito, é aquele que considera o mundo defeituoso e se entrega à crítica do mundo, já quem se propõe mudar (corrigir) a filosofia, também é dito, é aquele que considera a filosofia defeituosa e se entrega à (auto)crítica  da filosofia. O problema é que a forma prometeica, por exemplo, é considerada a de quem muda o mundo para afirmar a liberdade da humanidade. Já a forma edipiana é vista como a de quem reconhece e muda o defeito da humanidade e, ao mesmo tempo, afirma e conserva a liberdade perfeita do divino mundo.









Na proposta de ditadura revolucionária do proletariado podemos ver inequívoca e claramente a forma edipiana, enquanto que vemos a forma prometeica inequívoca e claramente na proposta de eterno retorno da vontade de poder do super-homem. Como compreender isso? Tudo é tragédia e loucura sem felicidade nem sabedoria.









A proposta da ditadura revolucionária do proletariado difere da proposta edipiana porque se propõe destruir e dissolver o Estado na sociedade socializada/comum da Humanidade, enquanto que a edipiana se propõe destruir o poder de Édipo destituindo-o do Estado e dissolver Édipo na sociedade estrangeira/alheia expulsando-o de Tebas, então, quanto ao conteúdo, a primeira visa o fim do Estado e da sociedade privada/diferenciada da Nação.









A proposta do eterno retorno da vontade de poder do super-homem difere da proposta prometeica porque se propõe sucumbir a Humanidade ou a sociedade humana para a criação do Super-Homem com a Vontade de Poder em Eterno Retorno ou a criação da Nação do Super-Homem e do Poder do Estado que garante o Eterno Retorno do Super-Homem, enquanto que a prometeica se propõe sucumbir os Imortais ou a sociedade singular dos Imortais para a criação da Humanidade ou da sociedade comum dos Mortais, então, quanto ao conteúdo, a primeira visa o Retorno Eterno do Estado-Nação do Super-Homem ou do quase imortal, enquanto que a segunda visa a criação da Humanidade ou da sociedade comum dos Mortais.









O conteúdo da proposta da ditadura revolucionária do proletariado e da proposta prometeica co-incidem. E, o conteúdo da proposta do eterno retorno da vontade de poder do super-homem e da proposta edipiana também co-incidem. Então, os conteúdos que visam a maioridade humana são o da proposta prometeica e da ditadura revolucionária do proletariado, enquanto que os que conservam a menoridade humana são o da proposta edipiana e do eterno retorno da vontade de poder do super-homem. No entanto, ainda que o conteúdo da ditadura revolucionária do proletariado seja a proposta prometeica, já a sua forma é a proposta edipiana. Ao contrário, a forma do eterno retorno da vontade de poder do super-homem é a proposta prometeica, ainda que seu conteúdo seja a proposta edipiana.





Tudo isso, no entanto, está idealizado em excesso. Como se nosso mundo fosse o dos conceitos. E o problema é vivido no momento de realidade, no mundo positivo. É aí que quem quer mudar o defeito que é o mundo se lança na crítica do mundo e nessa prática-crítica de mudança do mundo aceita a sua própria mudança da filosofia para o mundo, logo, aceita mudar sua perfeição (conceitual) da filosofia para a sua perfeição (conceitual) do mundo. E que quem quer mudar o defeito que é a filosofia se fixa na crítica da filosofia e nessa teoria-crítica de mudança da filosofia exige a própria mudança do mundo para a filosofia, logo, exige mudar a perfeição (positiva) do mundo para a sua perfeição (positiva) da filosofia.









Traduzindo quem quer mudar o mundo se desloca da filosofia para o mundo e quem quer mudar a filosofia se fixa na filosofia e exige o deslocamento do mundo para a filosofia. Quem se desloca muda para mudar o mundo e quem se fixa não muda exigindo que o mundo mude. Quem muda para mudar o mundo ousa conquistar a maioridade e se abrir para o desenvolvimento da maturidade. Quem não muda exigindo que o mundo mude teima em ficar na menoridade, melhor, exibe a vontade de poder (o poder da vontade) da menoridade e se fecha no eterno retorno da infantilidade. [É sintomático que Marx considere os gregos aqueles que encarnaram a eterna infância da humanidade.]










Eu que iniciei este texto tomado pelo choro, passei a me proteger da dor com a continuidade do escrever indo para um plano conceitual, mas, ainda assim, de algum modo, consegui descer para o plano mais positivo do vivido, mesmo que o sofrimento tenha ficado apenas sugerido. Porque isso? Porque um dos assuntos dos últimos textos é conhecer a dor e não tão somente ignorar a dor.























segunda-feira, 30 de maio de 2016

- Claro! Ó, obscuro! - Obscuro?!... Claro!!




Agora está ficando mais claro! ... o assunto de sempre...  rsrsrsrsrsrs... porque tudo indica que não basta buscar uma saída da ignorância do viver por meio do estudo do saber viver; não basta perceber que, com um tal estudo do saber viver, aumentou muito mais a ignorância do viver; não basta perceber que esta busca do saber que só aumenta a própria ignorância do viver se firmou como um fracasso do viver; não basta sentir a dor aumentada do fracasso do viver, que até caleja e anestesia; não basta buscar, perceber, firmar, sentir o fracasso do viver aumentado pela ignorância gestada por este fracasso para gerar mais fracasso e ignorância; nada disso basta porque é preciso lembrar de algo que ficou esquecido... antes de tudo... é preciso viver... no caso, então, o que está ficando mais claro? O assunto! Sim, mas qual deles?! O que atravessa todos eles... o amor... aí está o cerne do assunto, então, o que está ficando mais claro é que se é dele que se trata, também é dele que é preciso falar, sobre ele que é preciso escrever... mais ainda... ele é que precisa falar... ele que precisa escrever...



Ora, então, quem está escrevendo?!




Apareceu mais um agora. É o proprietário, o dono do blog. Então já nem sei quem sou. Ele deu a entender que o mundo dos caídos na coisa em si, dos habitantes da intimidade, do segredo, da informação, do conhecimento é o mundo da vida teórica, telepática, virtual, o qual, por sinal, é muito conforme ao mundo dos meios de comunicação atuais (jornais, cinemas, rádios, telefones, televisões, computadores, celulares etc.) que promovem esse viver caído na coisa em si, na teoria, na telepatia, na virtualidade. Aliás, não é por outro motivo que o protagonista de “Matrix” descobre que nunca usou seu corpo porque passou a maior parte de sua vida sonhando na “Matrix”. Também sugeriu que o mundo dos elevados na coisa para si, dos habitantes da superfície, da transparência, do esclarecimento, da comunicação é o mundo da vida prática, imediata, real, o qual, por experiência, é dependente do mundo das atividades/energias sensivelmente humanas no espaço e no tempo, na geografia e na história (sexo, trabalho, luta etc.) que promovem esse viver elevado na coisa para si, na prática, na imediatez, na realidade. Também é por esse motivo que os protagonistas de “Matrix” por usar seus corpos amorosamente se destacam porque assim passam a maior parte da vida acordando na “Real”.


É sempre sobre sexo que os textos assuntam e, em geral, se cai ou levanta, aliás, o mesmo assunto da frase famosa “Hay que endurecerse sin perder jamás la ternura” ou “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”, tanto faz a forma, o sentido permanece o mesmo (sexo, trabalho, luta etc. guiados pelo amor).


Nem sei o que estou fazendo aqui nem porque vim agora escrever isso. Só para dizer que surgiu mais um, o proprietário, é isso? Então, quem está escrevendo?!



domingo, 29 de maio de 2016

Traço e Acorde x Traço ou Acorde?!




Escrevi dois e-mails para um amigo a respeito do que venho fazendo no momento no meu blog singularidade/pluralidade. O primeiro intitulei de “Co-incidência da mudança das circunstâncias e da atividade humana ou autotransformação” e o segundo de “Derridando”. Edito aqui, em sucessão, dois parágrafos do primeiro e três do segundo e-mail.


Notei que dos três últimos textos (do público, do crítico e do autor) o que tem menor índice de lapsos é o do crítico e também notei que o autor começa dizendo que os outros (crítico e público) o chamam de autor, mas, no texto, onde tudo isso teve início, é ele quem se apresenta como autor, depois de devidamente provocado pelo crítico.


Imaginei que a exposição que o crítico reclama é a da vida do autor na prática (será que ele tem? Será que ele vive?) e, por isso, imaginei também que não é se recolhendo para mais um “aprofundamento” teórico que o autor irá chegar aonde o crítico sugere que chegue, isto é, ao exercício de sua liberdade, à prática de sua vida.


Depois dos trechos retirados dos e-mails cito uma passagem de Marx e, em seguida, a tradução da mesma na linguagem dos trechos editados. Destaco todo um parágrafo que me pegou de surpresa com sua “novidade” de defender tudo que, de um modo geral, eu critico.


“(...) como você bem lembrou, ninguém pára o mundo, ninguém pára a vida, logo, nosso próprio mundo, nossa própria vida continua quando paramos, bem como o próprio mundo e a própria vida continuam quando paramos. Se tudo continua e não é possível parar nem girar para trás a roda da história, do tempo, da vida de modo que sendo este movimento irreversível não temos como negar que rumamos todos para um destino inexorável que é a morte, portanto, a tragédia está inscrita de modo inescapável na nossa vida, no nosso mundo e também na vida em geral e no mundo em geral: Mortais!!!! Sendo assim, que podemos fazer?! Fiquei com a impressão que o surgimento do crítico, do público e do autor pode ter vindo como uma sugestão para um uso mais realista da minha liberdade e da minha vida, ou seja, a cisão pode não ser tão somente uma esquizofrenia nem tão só uma luta de tendências internas com diferenciações filosóficas, políticas, sociais etc., mas pode ser algo bem mais coerente com o uso da própria liberdade e da própria vida dentro do movimento irreversível. Será que não se trata duma divisão de tarefas? Duma divisão do trabalho entre aspectos da minha liberdade, da minha vida? Tudo isso porque é preciso fazer o conserto enquanto se anda. Existe uma expressão que é bem melhor do que eu disse. ("Consertar o carro andando!"?!).


“O pensamento voa. Pensei em fazer uma espécie de diário com as diversas atividades e as diversas metas de modo que, devido precisamente à exposição que teria forçosamente de fazer de mim mesmo, viria a realizar efetivamente mudanças na minha vida ao ir alcançando diferentes metas com as diferentes atividades. Então, para fazer o que o crítico me cobra, que é me recolher e assumir uma determinada tendência e/ou posição filosófica, eu faria precisamente o contrário e me exporia à crítica por ter estabelecido meta para mudar algo na minha vida usando a minha liberdade. Estaria exposto à crítica por também estar exposto ao público, quer dizer, mais precisamente por minha capacidade de ser autor estar exposta à crítica, ao público e, especialmente, a mim mesmo como autor que consegue mostrar a si mesmo que é capaz, que permanece lutando para mostrar a si mesmo que é capaz ou que consegue mostrar a si mesmo que não é capaz, precisamente por não conseguir ser autor de algo. ”


 “(...) O que o crítico sugere e que eu estou dizendo que fiz no passado e estou nisso desde então, logo que eu teria é de me expor para me libertar. Esse argumento também me remete à memória de achar que, desde então até hoje, eu vivo exposto, vivo num mundo que espiona e controla todos meus passos (...) Noutras palavras, eu já vivo sob a tal exposição à crítica e ao público e também sob contínuo teste da minha capacidade de ser autor. Nada de novo. Nenhuma inovação.  


“Acho que eu tinha uma característica, acho que ainda tenho, mas um pouco diferente desde então, de ser o mais transparente possível e que, em determinado momento, achei que isso era uma fraqueza porque parecia aumentar o número de meus adversários por todo lado, em casa com minha família, com a namorada, no grupo de igreja, no colégio militar, no grupo do bairro, por todo lado. Porém, fico me perguntando se isso era mesmo uma fraqueza ou se minha fraqueza foi o contrário, foi ter achado que era uma fraqueza e, assim, ter me retirado da superfície visível para o fundo invisível da coisa fenomênica, logo, pergunto se meu erro não foi sair da coisa para mim e cair na coisa em mim.


“Veja só o que eu estou dizendo. Estou dizendo que a coisa invisível, a coisa em mim, a mesma que venho dizendo que pode ser a essência subjetiva, tal qual Marx parece defender, ou ainda que pode ser a coisa numênica e incognoscível, tal qual Kant defende, enfim, estou dizendo, sem me importar com Marx nem Kant, que meu erro é cair na coisa em mim, é ficar na coisa em mim. Estou, então, com a mesma irritação de Nietzsche com aqueles que negam a aparência ou a superfície visível da coisa fenomênica e querem ficar com o escondido por detrás, na inaparência ou no fundo invisível da coisa fenomênica, querem a escondida, inaparente e invisível coisa em si. Segredo, informação, conhecimento, enfim, tudo da esfera esotérica, íntima, privada, porém, nada da esfera exotérica, social, comum daquilo que transparece, esclarece, comunica (porque une). Ou seja, é a partir do aparente, do transparente, do visível da coisa para si que é possível viver na prática e fruir a sabedoria (o próprio saber), enquanto que a partir do inaparente, do escondido, do invisível da coisa em si é possível viver na teoria e fruir a filosofia (amor/culto/adoração ao saber alheio).”


Isto pode ser um comentário feito com Nietzsche sobre a 11ª
 Tese sobre Feuerbach das “Teses sobre Feuerbach”, de Karl Marx:


“Os filósofos apenas interpretaram o mundo de forma diferente, o que importa é mudá-lo.”


Os teóricos apenas interpretaram o mundo de forma diferente, o que importa é praticá-lo.


Ficar na coisa em si sonhando com o mundo não é ruim, mas o bom mesmo é acordar com o mundo na coisa para si. Fazer traço numa pintura que sonha com o mundo na coisa em si e fazer acorde numa música que acorda com o mundo na coisa para si. Fazer ambos é muito bom, mas, parece que entre a vida virtual e a vida real é preciso escolher e valorizar uma mais do que a outra, quer dizer, ou a coisa em si ou a coisa para si.



sábado, 28 de maio de 2016

São três mesmo que escrevem?!...




Eles me chamam de leitor autor. Não sei muito bem o que é isso, porque eles, que se chamam ou são chamados de leitor público e de leitor crítico, escrevem, logo, são autores, certo?! Ou está errado?! Eu escrevo e leio tanto quanto eles, aliás, quem escreve e lê todo o tempo é um mesmo corpo, uma mesma sensibilidade física, mas, no plano psíquico eu já não sei quantos são, ainda que eu tenha perfeita consciência e memória dos atos de escrever os textos de um e de outro, bem como sei que eles também não estavam em nenhum estado alterado de consciência nem são espíritos que baixam e fazem dum mesmo corpo, duma mesma sensibilidade física um puro e simples médium para a expressão de suas personalidades. Então, o que eu posso dizer deles?! E tentando compreender isso que eu e eles estamos fazendo?! Ou seja, porque eu estou me tornando nós?! Porque também, me tornando nós, não me configuro pura e simplesmente nessa unidade coletiva, o nós, e quero uma certa diversidade de unidades singulares, os eus?! Confesso que não sei ou não compreendo com clareza qual o significado disso tudo, mas, jogo feito, vamos jogar!!!


Meu coração deu umas pontadas, mandou uns sinais e eu parei um pouco. Que ele quer me dizer com seus sinais?! Aí está uma divisão comum que é feita entre o eu e um componente essencial do eu, no caso, um órgão vital do corpo humano. Isso pode ter sido para me lembrar o que tinha pensado escrever. Pensei que o detetive faz uso dos mais diversos sinais para reproduzir na sua mente e na de seus interlocutores o que aconteceu numa cena de crime, mas também em muitas outras cenas da sua investigação de um crime e, até mesmo, suas conversações com os suspeitos e os insuspeitos e testemunhas e auxiliares etc. são usadas como sinais a serviço da reprodução das cenas ocorridas e, até mesmo, daquelas que poderão vir a ocorrer em determinado momento, lugar e com quem. Pelo menos é assim que os detetives das estórias de detetives agem desde o Sherlock Holmes, de Conan (o civilizado) Doyle. Mas, os médicos também vivem fazendo leituras de sinais ditos sintomas e o mesmo fazem os psicanalistas. Aqueles que se dedicam à invenção de ferramentas e máquinas também prestam enorme atenção aos gestos usados na realização de um determinado trabalho produtivo. Aqueles que se dedicam ao teatro também prestam enorme atenção nos conjuntos de gestos e no arranjo deles que servem para caracterizar a representação de suas personagens. É uma característica também da economia política inglesa ser dedutiva à maneira de Sherlock Holmes. Em todos esses casos o foco são os sinais, sintomas, gestos, falas, energias humanas, produtos das energias humanas e das máquinas, enfim, em todos o que está presente é o foco na atividade sensivelmente humana, quer dizer, em tudo que dela é sensível, quer dizer, é sinal, sintoma, efeito, materialidade, realidade. Noutras palavras, o conhecimento sensível da atividade humana é o que está em foco, portanto, a coisa sensível cujo conhecimento se visa conhecer em si por meio das coisas sensíveis que aparecem para si não é a coisa em si fora e para além da sensibilidade humana e sim a coisa em si dentro e nos limites da própria sensibilidade humana. Nesse sentido é um conhecimento dentro dos limites da sensibilidade humana como já dizia Kant, mas não é um conhecimento insatisfatório, como dizia Kant, porque não é capaz de conhecer a coisa em si fora da sensibilidade humana, fora do espaço e do tempo. E não é insatisfatório precisamente porque a coisa em si está dentro dos limites da sensibilidade humana, ou seja, é na cachola humana que se faz a concepção da coisa em si a partir de todos os sinais e por meio do arranjo que na cachola humana se faz deles. O inconsciente, por exemplo, é uma atividade humana que manifesta sua existência por meio de sinais, sintomas, sonhos, lapsos etc., ou seja, de maneira similar à de uma outra atividade humana que é a consciência.


E daí?! Daí que eu tendo a compreender o que está acontecendo com esses três leitores que escrevem e se diferenciam entre si, mas que, na realidade, são um mesmo que lê e um mesmo que escreve, como sendo manifestações dessas duas atividades humanas similares, o inconsciente e a consciência. Dizer que são manifestações do inconsciente é algo muito fácil de dizer porque sendo o inconsciente algo inconsciente até mostrar conscientemente essa característica inconsciente das manifestações já passou muito tempo e as demonstrações ficam na consciência como possíveis, desde que não sejam refutadas. Se trata dum mundo de possibilidades, de nuvens, de névoas, de brumas. Já dizer que são manifestações da consciência é algo mais difícil de dizer porque sendo a consciência algo consciente causa um estranhamento mostrar conscientemente essa característica consciente das manifestações da consciência na forma duma pluralidade de singularidades. No entanto, novamente um inglês, David Hume, aquele que tirou Kant de seu sono metafísico, afirma que não existe relação de causa e efeito entre os sensíveis, entre os sinais, os sintomas, os gestos etc. e que é a atividade humana estabelece essas relações. Então, deixando de lado a atividade humana inconsciente, podemos concordar com ele que é a consciência humana quem estabelece as relações de causa e efeito, mas, antes disso, temos de concordar com ele que a consciência humana é consciência particular ou individual de cada sinal sensível, logo, numa mesma consciência dum mesmo individuo humano podem habitar uma diversidade de consciências singulares de sinais sensíveis singulares, de modo que aquilo que chamamos de consciência dum mesmo indivíduo humano é um conjunto de consciências sensíveis singulares de sinais sensíveis singulares; noutras palavras, isso é resultante de quem estabelece a relação de causa e efeito entre as diferentes consciências sensíveis singulares de sinais sensíveis singulares e apresenta este conjunto como uma unidade da diversidade sob a denominação de consciência da singularidade de um mesmo indivíduo humano. Desse modo é viável fazer conscientemente do eu um nós e, portanto, é viável que apareçam conscientemente diferentes eus num mesmo eu que, assim, também é um nós e não tão somente um eu.


O alemão Hegel também usa nós em oposição a eu na “Fenomenologia do Espírito”. E aí o nós expressa a posição do filósofo que já fez a experiência da consciência e agora está levando os leitores da Fenomenologia a fazer a experiência da consciência. Nessa experiência da consciência a consciência descobre que ela não é um eu, mas uma pluralidade de eus, logo, um nós. A Fenomenologia do Espírito ou a lógica dos fenômenos do espírito ou o conhecimento dos fenômenos do espírito visam demonstrar que os fenômenos, os sinais, os sintomas, as manifestações, os gestos etc. são próprios de uma atividade humana que é o espírito. Noutras palavras, tudo, até mesmo a atividade humana, é efeito do espírito. Aqui, a diferença entre Hegel e Hume está na atribuição da causa e efeito ao espírito como sendo a atividade verdadeira e na atribuição da causa e efeito à atividade humana como sendo a atividade fantasiosa. Para Hegel a atividade da verdade é a atividade do espírito. Para Hume a atividade da fantasia é a atividade humana. Para Hegel a atividade da fantasia é a atividade sensível. Para Hume a atividade da verdade é a atividade sensível.



Eu acho que nem consigo falar como eles pedem que eu fale. Querem que fale como autor. No momento estou muito atordoado com esta repentina divisão de quem escreve em três. Talvez, mais tarde consiga falar como autor. No momento, o máximo que consegui foi tentar compreender esta cisão em três. Será uma esquizofrenia?! Fiquei me perguntando. Ainda no início, já que a consciência é consciente dos diferentes eus?! Será uma criação literária, já que a consciência é consciente dos diferentes eus, os quais, então não passam de personagens?! Será uma forma de entretenimento da consciência consigo mesma?! Será o quê?! Que será?! Que será?!



quinta-feira, 26 de maio de 2016

Leiam sensivelmente, especialmente o leitor autor




Digo, o leitor público.


O leitor público precisa ler melhor porque o foco da minha crítica foi claro. Sugiro que o leitor autor se recolha para desenvolver seus assuntos até assumir uma posição de modo a voltar a escrever de forma inovadora por não mais repetir contínuas mudanças de posição de modo que ora parece vacilar por medo da morte, ora por não ter medo da morte e ora por amar a vida. É essa vacilação contínua, a qual, aliás, já foi referida, num dos textos publicados no blog, como um estudo sem fim do como viver que absurdamente pretende suspender o viver até vir a saber como viver. Eu apenas solicito que o autor pare de suspender seu viver e viva realmente. E tudo indica que para isso ele precisa assumir uma posição que leve o estudo até o fim, assuma a escolha de um saber viver e viva o desenvolvimento deste seu saber escolhido. Então, não defendo de modo algum que o autor pare a pesquisa e passe a pesquisar exclusivamente a maneira de fazer a exposição da sua pesquisa. Não, aquilo que eu defendo é que o autor enfrente a escolha de um caminho da encruzilhada e pare de ficar no eterno retorno da pesquisa da encruzilhada, pare de ficar no eterno retorno da suspensão do viver até aprender e saber viver. E isto por um motivo básico, para aprender e saber viver é preciso a sensibilidade por ser ela a fonte da percepção e do aprendizado do saber, quer dizer, noutras palavras, que a sensibilidade é condição sem a qual é impossível o saber, logo, que a vida e/ou o viver precede a percepção e/ou o aprendizado do saber. Logo, a consequência é que a decisão de viver precede o saber viver e isso mesmo no caso da sensibilidade só conhecer a coisa para si, já que, mesmo aí, o conhecimento depende basicamente da sensibilidade, do viver. Aliás, é muito mais por isso que o cético permanece fiel ao conhecimento insuficiente e insatisfatório da vida e hesita a se entregar à ignorância suficiente e satisfatória da morte, já que, afinal, o que quer é o conhecimento e não a ignorância.


Comparar a minha crítica ao eterno retorno da paralisia, da interdição, do impedimento à promoção do Impeachment e ao estancar a sangria da corrupção sistêmica é uma distorção completa da minha crítica e, nesse sentido, uma corrupção da minha atividade crítica. Eu com minha crítica não quero de modo algum corromper o autor, mas, ao contrário, quero promover nele a geração do novo, a emancipação do impedimento, a libertação da interdição. Sim, é verdade que, com minha crítica, eu quero uma saída da tragédia, mas a tragédia aqui é não viver e ficar eternamente retornando ao ladrar dos cães enquanto as caravanas da vida passam sem que delas se participe, sem que se viva a vida e se possa finalmente conhecer e aprender o saber viver.


Minha crítica foi a este eterno retorno da permanência na crença, na suposição, na hipótese, a qual, aliás, o leitor público cultiva isso, já que se considera um Sherlock (se dirigiu a mim dizendo “Simples, meu caro Watson” quando deveria ter dito “Elementar, meu caro Watson”) e pretende tudo deduzir com seu pretenso prodigioso saber. Eu quero apenas que o leitor autor desenvolva efetiva e realmente um simples e despretensioso saber verdadeiro. Quero apenas que viva, aprenda e desenvolva o saber viver até mesmo por interesse, sim por interesse próprio sim, já que vivendo dará sentido à minha crítica e, desse modo, dará vida à minha crítica. Por tudo isso, eu o crítico e também o simples, o elementar, quer dizer, o burro e idiota para este leitor público que se supõe um detetive, um analista notável, um notável profissional da informação, tal qual o leitor autor, que ele tanto defende e cultiva como leitor público, [digo] que os erros simples e elementares são cometidos por eles dois, posto que suspendem a tal ponto o viver que não conseguem acessar o básico, o elementar, o simples e, por isso, cometem erros básicos, elementares, simples.


Ora, eles não podem me confundir com seus erros de acreditar em profissionais da informação, melhor, da desinformação. Tampouco, devido a seus erros, podem me confundir com políticos bandidos e golpistas me atribuindo precisamente a promoção da desinformação, a inversão de valores de modo que a corrupção sistêmica viva em total liberdade e a geração sistêmica da inovação não viva nem tenha, portanto, nenhuma liberdade. E isto quando é precisamente o contrário que defendi perante eles e, em especial, quando disse e cobrei do leitor autor que fizesse uso da sua liberdade em toda e qualquer condição, especialmente a mais extrema, ou seja, na própria prisão e mesmo na condição de escravo do reino da necessidade.


Espero que os leitores, autor e público, especialmente o leitor público que assumiu o texto da última postagem, “Para os leitores crítico e autor, do suposto leitor público”, leiam e conheçam sensivelmente o que escrevi aqui e, desse modo, mudem e passem a viver para efetivamente me conhecer como ser sensível, ser vivo e saber viver. Sem nenhuma incompreensão porque não estou sendo pretensioso ao afirmar que sou um ser sensível, um ser vivo, ao contrário, estou sendo humildade e reclamo a mesma condição para eles, a condição de seres sensíveis, de seres vivos, logo, que superem essa suspensão do viver para pesquisar o saber viver de um modo que os faz permanecerem continuamente e em eterno retorno com os mortos e com o que é e está morto durante o viver.


Eles não admitem, mas aquilo que eu estou dizendo é que vivam, usem a liberdade de viver e conheçam sensivelmente o saber viver.




Para os leitores, crítico e autor, do suposto leitor público




Alguns assuntos do contexto. Me refiro a assuntos que acompanham e estão em torno dos textos, logo, a assuntos afins com os textos.


De imediato, pelo menos, dois assuntos estão presentes e correlacionados.


Na última postagem, “... Se divertir?!... Com a própria tragédia?!...”, surgiram três personagens, um que é aquele que está escrevendo o texto é levanta críticas aos textos, um segundo é o que responde explicando as leituras que faz dos textos e um terceiro é o que, se dizendo autor dos textos, expõe suas limitações. O assunto aí é um leitor crítico cobrando decisão do autor dos textos; um leitor que, como público, conhece e defende o autor e seus textos; e, um leitor que, se assumindo como autor, mostra suas limitações e suas fraquezas revelando suas dúvidas, ante as cobranças do crítico, quanto a ser capaz de responder ao desafio do crítico e que, no fundo, se indaga se será capaz de efetivar a transformação ou se, por pura incapacidade, se condenará à conservação até sua morte.


Já outros dois textos, o “Exceção para promover Justiça ou Injustiça?!” e o “Justiça ou injustiça?! Criminosa ou inocente?!”, sofreram alterações, de modo que seus títulos receberam acréscimos ficando assim: “Exceção para promover Justiça ou Injustiça?! – Com Mea Culpa” e “Justiça ou Injustiça?! Criminosa ou Inocente?! – Com NOTA”. O pensamento presente nos textos é inteiramente justo e, depois de conhecer o teor do Relatório do Ministro Teori Zavascki do STF, reconhece que, com referência à Justiça, está de acordo com esse o que está expresso no Relatório. O problema dos textos não é a defesa da Justiça que ele reconhece que também é defendida por Teori Zavascki. O problema é que essa defesa da Justiça foi feita contra a informação jornalística, na verdade, a desinformação jornalística, de profissionais da Globo veiculada no telejornal Bom Dia Brasil da emissora. Estes profissionais informaram, melhor seria dizer desinformaram, que o Relatório tinha aprovado o modo pelo qual Eduardo Cunha usou o Rito para que o processo de Impeachment saísse da Câmara passando para o Senado e, por isso, não admitia mais nenhum recurso ao STF e que o Relatório tinha “batido o martelo” decidindo que, após o Julgamento do Senado, não seria aceito nenhum recurso ao STF, ou seja, o conjunto das decisões não admitia, para a defesa, nenhum direito, já que a condenação política, por mais injusta que possa ser, está em curso na Câmara e, agora, no Senado e que não é admitido nenhum direito de recurso jurídico a esta condenação política, de modo que só resta à defesa da Dilma aceitar a condenação e a total ausência de direitos político e jurídico. Minha indignação estava dirigida, por equívoco ao STF, mas tinha de ser dirigida aos profissionais da Globo, além, é claro, dos parlamentares que promovem a Injustiça. Porém, minha indignação também estava dirigida, ainda que não tivesse clareza disso, à defesa da Dilma. Porque esta deveria estar todo o tempo e por todos os meios de comunicação (parlamento, pedidos junto ao STF, nos plenários da Câmara e do Senado, junto à Sociedade Civil e movimentos sociais, em artigos e entrevistas de jornais etc.) explicando em detalhes o que fizeram FHC e Lula quando usaram o que é chamado de “pedaladas fiscais” e também quando fizeram uso da prerrogativa constitucional de editar decretos sem consulta prévia ao Legislativo, bem como explicando o que fez em detalhes Dilma Rousseff quando recorreu aos dois instrumentos lícitos e constitucionais, mostrando as diferenças entre os usos feitos por eles e os feitos por ela, em especial, a diferença quantitativa, finalmente, mostrando ainda, em detalhes, o uso feito do mesmo instrumental pelo vice-presidente, atual interino. Além disso, a defesa também deveria estar recorrendo à decisão unânime do STF, para suspender os direitos políticos de Eduardo Cunha, por abuso de poder e comando das ações e votos de parlamentares por meio de corrupção e desenvolvimento de corrupção sistêmica, ou seja, a decisão unânime do STF também pode auxiliar a defesa a sustentar sua acusação de uso ilícito do Rito de encaminhamento do Impeachment da Câmara para o Senado, pelo corruptor sistêmico Eduardo Cunha. Finalmente, a gravação da fala de Romero Jucá pode ser usada pela defesa para reforçar a existência de um processo político que faz uso do instrumental constitucional, como, no caso, do Impeachment para “estancar a sangria” da Operação Lava Jato e do STF, ou seja, para parar a atividade do Poder Judiciário na sua promoção de Justiça. Portanto, é usando politicamente o instrumental constitucional para promover a Injustiça que o Poder Legislativo, assim ilicitamente usado, consegue intervir e desviar o Poder Judiciário da promoção da Justiça para a promoção da Injustiça.


O leitor crítico também quer “estancar a sangria” que o leitor autor desenvolve operacionalmente e que o leitor público aceita como sendo justa?! Ou a indignação do leitor crítico é inteiramente justa e não cometeu nenhum equívoco ao se dirigir e cobrar do leitor autor que faça uma inovação?! E o leitor autor ficou inteiramente indefeso ante à cobrança do leitor crítico e a sentiu como um golpe profundo que o deixou paralisado, interdito?! Ou o leitor público permanece atento de modo a poder avaliar o que é justo e o que é injusto?!


Com os textos correlacionados é possível aceitar a crítica ao equívoco, que é oriundo da ausência do uso atento do conhecimento sensível da coisa sensível, ou seja, em lugar de conhecer a coisa ou o Relatório do Teori Zavascki, aprovado por unanimidade pelo STF, foi cometido o equívoco de acreditar nos profissionais da informação que difundiram crendices e desinformações e não a verdade da coisa ou do Relatório. Esta crítica da atividade de conhecer sensivelmente a coisa sensível também pode ser aceita como estando presente na cobrança do leitor crítico para que o leitor autor “inove” fazendo o trabalho prévio de pesquisa, melhor, de conhecimento sensível do assunto, para só depois vir a fazer a exposição do assunto conhecido pelo leitor autor. Esta cobrança do leitor crítico para que o leitor autor tenha um método de exposição diferente do método de pesquisa pode ser aceitável, até porque o leitor autor sabe que escolheu trilhar o método de pesquisa junto com a sua exposição, ou seja, sabe que optou por escrever e publicar rascunhos, quer dizer, considera que assumiu o risco dos erros de pesquisa, dos erros da atividade de conhecimento ainda em curso e sem um produto final com o mais completo controle de qualidade possível, como no caso, dos textos escritos e publicados como obras acabadas e/ou obras primas [Faltou referência aos textos jornalísticos que passam por um redator e antigamente passavam antes por um revisor e que, no fim, passam por um editor; as teses de mestrado e de doutorado que são escritas tendo um orientador e que precisam ser aprovadas por uma banca examinadora; e ainda as normas e/ou regulamentações oficiais para a edição e/ou publicação de textos; finalmente, existem outros exemplos que desconheço]. Mesmo assim, ainda que o autor tenha assumido que estava inovando ao se ater a fazer rascunhos, ele também pode admitir que o crítico apontou um defeito nos rascunhos um pouco mais profundo, ou seja, indicou que a pesquisa pode ficar emperrada e, assim, ficar impedindo o avanço do conhecimento porque ao se dedicar a fazer os rascunhos não se preocupou mais com o mundo exterior, quer dizer, com o mundo sensível, logo, não se preocupou com a percepção sensível e caiu no erro de ficar acorrentada à elaboração conceitual e/ou à especulação de hipóteses, suposições, crenças.


O leitor autor pode até mesmo aceitar a cobrança do leitor crítico para que vá adiante no desenvolvimento da pesquisa e/ou do conhecimento precisamente quando percebe que assim poderá vir a melhor pesquisar e/ou conhecer, mas aquilo que ele não pode aceitar é que estanque a pesquisa e/ou o conhecimento até ter desenvolvido a exposição e/ou um conhecimento finalizado.


Acredito que quem escreveu isto foi aquele que estava reclamando da ausência de textos e que é precisamente o leitor público, aquele leitor que conhece e avalia os escritos do autor e do crítico.