quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Orlando Costa:
16 de setembro às 22:44 •
Quem diz é Bogdanov, em seus “Ensaios de Tectologia”: “Na luta da humanidade contra os elementos, sua meta é domínio da natureza.” e explica:”Domínio é a relação do mais organizado para o menos organizado” e segue: “Passo a passo, a humanidade adquire controle sobre e conquista a natureza; isto significa que, passo a passo ela organiza o universo. Este é o sentido e o conteúdo do perene trabalho da humanidade” mais? “A Natureza resiste elementalmente e cegamente com a terrível força de seu obscuro, caótico, mas inumerável e infinito exército de elementos. Para conquistá-la a humanidade precisa organizar-se em um poderoso exército. Inconscientemente, ela vem fazendo isso por séculos formando coletivos de trabalhadores, desde pequeno comunas primitivas de tempos remotos à contemporânea cooperação de centenas de milhões de pessoas.”
http://monoskop.org/images/5/51/Bogdanov_Alexander_Essays_in_Tektology.pdf
Orlando Costa: bem longe das posmodernas "criticas" às metanarrativas!...
Thieplo Bertola: A historia da humanidade é a luta de classes. A história das classes vem da especialização e divisão do trabalho. E a historia da realização do trabalho vem da necessidade da humanidade sobreviver às adversidades e dificuldades da natureza, com organização,conhecimento, tecnologia e maior rendimento do trabalho.
No fim, a história da humanidade é a luta contra a natureza instável e caótica, sempre se organizando e melhorando a eficiência do trabalho
Carlos Eduardo de Alencastro: Qual é a luta da natureza?! A história da luta de classes não seria aquela que acontece até agora, mas que seria apenas a história pré-humana?! Na dialética do senhor e do escravo (ou do mestre e do discípulo?!) o senhor é aquele que não teme a morte e que afirma sua natureza até à morte, já o escravo temendo a morte se desvia do embate com o senhor e se dedica à luta contra a natureza. É deste último que resulta o capitalismo, a tecnologia etc. O que quer aquele que visa superar este último?!
Carlos Eduardo de Alencastro: Ser inimigo da natureza e em permanente luta contra a natureza também é ser inimigo de si mesmo e estar em permanente luta consigo mesmo. Desse jeito como se sai do eterno retorno da cisão consigo mesmo, da cisão em classes?!
Carlos Eduardo de Alencastro: Fim da história: a história da humanidade é a luta de classes, a história do eterno retorno das classes. E quanto à perspectiva de ser amigo da natureza e em permanente cooperação com a natureza sendo também amigo de si mesmo e em permanente cooperação consigo mesmo?!
Orlando Costa: dominar a natureza com certeza inclui dominar a si mesmo, mas absolutamente não inclui ser dominado pela burguesia. Cooperação entre nós e guerra ao senhores e à natureza sempre. Harmonia com a natureza é coisa que se conquista no cemitério. Estamos bem longe dos "fims" da história: Há História!
Carlos Eduardo de Alencastro: Se harmonia com a natureza é conquista do cemitério, então a natureza é igual ou equivale à morte e a vida é luta ou guerra contra a natureza, logo, a vida é antinatural e ser vital é ser antinatural. Nesse caso, cabe perguntar a quem corresponde ser natural além, é claro, da própria morte: o dominador/senhor ou o dominado/escravo?!
Carlos Eduardo de Alencastro: O fim da história não é ausência de história nem quando ele foi anunciado pela primeira vez pelo filósofo da história, Hegel, nem agora quando ele foi reanunciado devido à dissolução geral dos sistemas socialistas reais que intentaram ir além do fim da história, ir além do capitalismo.
Carlos Eduardo de Alencastro: Marx e os jovens hegelianos se situam no fim da história anunciado pelo sistema de Hegel. Marx compara a situação filosófica e histórica na qual se encontra com a situação filosófica e histórica na qual se encontram os epicuristas, os estóicos e os céticos que manifestam o fim da história objetiva da filosofia e a continuidade exclusiva da história subjetiva da filosofia.
Carlos Eduardo de Alencastro: Epicuristas, estóicos e céticos se tornam tipos de indivíduos que saídos da Grécia aparecem em Roma e depois no mundo moderno. E, finalmente, na época de Marx e dos jovens hegelianos eles são os componentes da situação filosófica e histórica que vivem Marx e os jovens hegelianos.
Carlos Eduardo de Alencastro: É interessante assinalar que Marx em "O Capital" e na "Contribuição..." fala em três grandes classes, a dos proprietários fundiários ou de terras, a dos proprietários capitalistas ou dos instrumentos de produção e a dos proprietários da própria força de trabalho ou de si próprios.
Carlos Eduardo de Alencastro: Das três classes apenas uma escapa da objetividade ou é exclusivamente subjetiva, a dos proprietários da própria força de trabalho ou de si próprios, logo, apenas uma escapa do fim da história objetiva porque a história subjetiva significa a continuidade da sua história.
Carlos Eduardo de Alencastro: Também é possível esquematizar: os proprietários fundiários são os proprietários da totalidade, quer dizer, das terras ou da natureza (nação e estado-nação), logo, são os estóicos; os proprietários capitalistas da parcialidade, quer dizer, dos instrumentos ou da artificialidade (sociedade civil e economia), logo, são os céticos; finalmente sobraram os epicuristas como proprietários proletários da singularidade, quer dizer, da própria força de trabalho ou da subjetividade (condição vital sine quae non e essência histórica) .
Carlos Eduardo de Alencastro: Para afirmar que há história é preciso afirmar a continuidade da história subjetiva, logo, é preciso libertar a singularidade ou a força de trabalho. Ora, até agora isso não aconteceu, até mesmo porque as tentativas de libertação efetivadas como história do socialismo realmente existente entraram em decomposição ou dissolução. Daí que afirmem o retorno do fim da história ou de Hegel.
Carlos Eduardo de Alencastro: Se está em curso o retorno do fim da história ou de Hegel, então também está presente na conjuntura o retorno de Marx e dos jovens hegelianos do fim da história objetiva ou do idealismo objetivo e às voltas com a continuidade da história subjetiva ou do materialismo subjetivo, histórico, dialético.
Carlos Eduardo de Alencastro: A continuidade da história subjetiva é também continuidade da história natural subjetiva e, nesse sentido, não supõe e implica numa relação subjetiva com a natureza? Numa vitalidade que identifica a força de trabalho como simples força natural?! Logo, numa vitalidade íntima natural conquistada no curso da história subjetiva vital e não na harmonia do cemitério, é admissível?!
Carlos Eduardo de Alencastro: De todo modo é o que defende Marx na "Crítica ao programa de Gotha" (força de trabalho ser uma simples força natural), onde também defende o fim do direito igual, a redução a um só aspecto igual, o de trabalhador, e a admissão da desigualdade, isto é, da singularidade de cada indivíduo.
Carlos Eduardo de Alencastro: Argumentando que os indivíduos só são diferentes porque são indivíduos, quer dizer, únicos, portanto, abrindo caminho para as diferenças individuais as quais não são diferenças de classe ou sociais, mas sim diferenças naturais. Ora, Stirner adiantou algo disso no seu livro que, curiosamente, dizem que foi o único que publicou.
Carlos Eduardo de Alencastro: "O Único e sua Propriedade" foi o único livro publicado de Max Stirner. Isso é ironia, estranheza ou coerência?!
Antonio Ricardo Candidato CA Petrobras: Show!!
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