quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Escobar e a vida, destino, caráter


                                                                                                                                              09/03/2016




Ainda ontem, à noite, no sábado, 05/03/2016, fugindo de Amor & Sexo, da Globo, me deparei com a imagem envelhecida do Escobar na TVE e fui vendo que se tratava dum filme sobre ele feito pela filha dele, mas que eu já tinha pego pouco antes da parte 4 e da parte final. Em seguida, assim que acabou, pensei em procurar na internet um meio de falar com ele e foi aí que encontrei o filme completo no último desses links, mas, antes, passei por esses outros links.




Ele permanece sendo o Escobar revolucionário e crítico que conhecemos. Fiquei muito surpreso de não ter sabido que o filme foi feito em 2013 e que ganhou um festival. Alienação total da minha parte. "... a vida nos tem..." é uma parte, duma passagem no final do filme, muito interessante. Passagem que pode ser muito cética, muito realista, muito niilista, mas também muito "irônica" se a vida nos tem e não temos a vida...


E isso remete para perguntar se somos apenas intérpretes do mundo vivo que nos tem ou se somos capazes de transformar o mundo vivo que temos e, finalmente, se a questão da propriedade é a decisiva ou já está, desde sempre decidida, quando a vida nos tem e não temos a vida?! Somos capazes de termos a vida?! Ou não?! Há um "preço" a pagar para termos a vida?! Há um preço a pagar para adquirir a vida?! Ela é uma mercadoria e valor de troca que podemos adquirir por ser antes de tudo um valor de uso?! E um valor de uso de nossa necessidade humana de uso?!







pt.wikipedia.org
Carlos Henrique de Escobar Fagundes (São Paulo,11 de novembro de 1933) é um filósofo, dramaturgo, poeta e professor brasileiro. [1] [2] Nascido em São Paulo, aos ...
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oglobo.globo.com
Carlos Henrique Escobar ressurge no documentário ‘Os dias com ele’ Um dos intelectuais mais provocativos do Brasil nos anos 1960 e 70, o filósofo, dramaturgo e ...
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João do Rio, 1 1ªAno 10 - Número 61 Dezembro / Janeiro de 2014 FILOSOFIAS Entrevista com Carlos Henrique Escobarpor Marcio Salgado*O texto a seguir é parte de um...
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Carlos Henrique Escobar, um importante intelectual brasileiro de esquerda, foi preso e torturado, em 1973, quando o país vivia numa Ditadura Militar (1964-19...


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Filme de Maria Clara Escobar Editado por Julia Murat e Juliana Rojas Produzido por Filmes de Abril.





- Rapaz, como ele envelheceu...




Cirrose e tratamento muito caro que não pode fazer e prefere sofrer a doença. Aos 9 anos, depois de fugirem da casa dos pais e viverem nas ruas, pacto com os irmãos de não mais trabalhar nem estudar formalmente, de serem autodidatas. Preso aos 9 anos por roubar para se sustentar e aos irmãos. E por se justificar com o Manifesto Comunista, que sabia de cor, acaba sendo solto, sob a advertência de prometer não retornar ao local onde foi preso. Prefere ser enterrado num cemitério de animais com os gatos e não com os humanos. Perdeu os irmãos, os pais, os amigos, está faz 12 anos (época do filme, agora faz mais) em Aveiro sem se comunicar sequer com os portugueses num exílio voluntário, mas casado com uma portuguesa, pelo que se depreende do sotaque da companheira dele. A vida o tem, ele diz, mas, ao mesmo tempo, ele é o dramaturgo que quer controlar tudo e mais do que um bom ator, como ele mesmo assume, ele busca ser o autor dramaturgo de sua história desde os 9 anos. Foi generoso com a filha por possibilitar que ela nascesse ao evitar a realização da ameaça de aborto, feita pela mãe dela, caso ele não prometesse pagar integralmente pelo sustento da filha, foi generoso por ter prometido, ainda que não tenha cumprido, como diz não ter feito com nenhum dos filhos. Um sujeito autocentrado ou ego-centrado, logo, egocêntrico, mas não por ter a vida e sim porque a vida o tem, inteiramente desiludido com os humanos por se entender com os gatos no silêncio dos gatos. Ora, é curioso que os gatos sejam tidos como os animais domésticos que diferem inteiramente dos cachorros por sua autonomia, independência, egoísmo, posto que os cães se caracterizam por sua submissão, dependência, "altruísmo". Ele quer viver a grande solidão nietzschiana, ele permanece interpretando um grande papel ou sendo, como ele diz que foi no Brasil, um bom ator, mas que, como dramaturgo, vivencia a tragédia dos raros, dos superiores, os quais, mesmo assim, são determinados pelo acaso da vida que os tem e não pela determinação que têm de terem a vida. Teve vida pública, mulheres e bebeu. Quer ser lembrado como um pequeno homem aos 9 anos e, portanto, como um filiado à linhagem dos mestres de si mesmos ou dos autodidatas, melhor, dos super-homens nietzschianos. Nietzsche se tornou catedrático sem nunca ter feito doutorado, mas porque o catedrático da filologia o protegeu como monitor e o elevou à condição de catedrático porque reconheceu nele seu notório saber. Gênios como forças da natureza, quer dizer, porque a vida os tem como tal. E o mesmo se diz dos gatos e também dos felinos e dos "predadores" ou reis da cadeia alimentar.


É isso que você vê em outros, muito próximos, que, a seu ver, olham a vida com tristeza?! É uma lenda esta vida pública, este personagem do dramaturgo e ator Escobar ou é a vida que o teve assim e ele é simples produto determinado pelo acaso da vida que o tem?!




Os pais eram ausentes e ele e os irmãos também se ausentaram dos pais. (Por vingança ou autoestima?!) Ele veio a ser um pai ausente. "Filhos de gatos, gatinhos são?!". Ele sempre trata muito bem as crianças de rua. Caráter também é a coragem de estar na rua, de não frequentar escola, de não trabalhar. Caráter é a coragem de não se deixar corromper pelo mundo ou de não ser tomado pelo mundo e se manter tomado pela vida, se manter determinado pela vida, pelo acaso, pela condição de gato/"gatuno"/"vagabundo"/incorruptível e não a de cão/"tira"/escravo/corruptível determinado pelo destino, pela morte, melhor, pelo medo da morte. Porém, se for a vida quem nos determina e nos possui, então ela também determina e possui tanto o senhor quanto o escravo, ou seja, as classes são perenes e os indianos estão certos, porque a vida sempre irá determinar e ter os que quer como senhores e os que quer como escravos, porque, ao fim e ao cabo, todos são seus servos ou suas propriedades e qualidades se manifestando. Só que aí não existe saída deste caráter determinista do acaso da vida, ou seja, somos para sempre incapazes de sair da perenidade ou eterno retorno da sociedade de classes ou da natureza com forças excessivas nos libertos (gatos) e forças carentes nos escravos (cães). Mas, Marx é nietzschiano ou marxiano?! Para ele, o acaso é a simples determinação da vida que nos possui ou é também a simples determinação da vida que possuímos?! Caráter, mais do que a coragem de não se deixar corromper ou ser tomado pelo mundo, é a coragem de mudar o mundo por meio da capacidade de tomar e determinar a vida e o acaso, posto que não são destinos nem a vida nem o acaso e sim a morte e o determinismo, posto que a vida e o acaso são sim livremente determinados pelo indivíduo ou são a própria livre determinação da capacidade humana!!!???


Escobar critica a tradição cultural da corrupção no Brasil e avalia que a derrota da sua posição de esquerda se deve antes a um erro da sua posição de esquerda e dos seus aliados do que a um acerto dos seus adversários. Acredita que o Brasil ainda irá conhecer o vir a ser de uma posição de esquerda não corrupta e não stalinista. Esta posição de esquerda de caráter errou e, por isso, foi derrotada. Mas, ele não diz qual foi o erro.


Escobar nos ensina que, na questão do mestre/senhor e do discípulo/escravo, ele encontra e desenvolve uma trajetória sem mestre/senhor por se recusar a ser discípulo/escravo ou, como ele diz, por se recusar a ser filho de pais ausentes, se recusar a trabalhar ou ser escravo do trabalho, se recusar a ser aluno ou discípulo do professor. O carinho, a atenção e cuidado que sempre manteve com as crianças de rua é identidade consigo mesmo. A preferência pelos gatos é identidade consigo mesmo. A preferência por Nietzsche é identidade consigo mesmo. Em todos estes casos o autodidata é uma força da natureza com a qual Escobar se identifica. Mas, talvez, aí mesmo esteja o problema do erro de sua posição de esquerda, quer dizer, da defesa do caráter por sua posição de esquerda. O autodidatismo que ensina é ou não o mesmo autodidatismo que os trabalhadores precisam desenvolver para serem libertos ou emancipados do trabalho?! Com o seu autodidatismo ocorre uma ruptura com a família, com o trabalho e com a escola como sistemas institucionais, ainda que o reconhecimento maior seja feito pela escola precisamente devido ao Notório Saber do seu autodidatismo.


Mesmo assim, as outras instituições, a família e o trabalho, podem reconhecer o seu autodidatismo sob aquilo que denominam de livre iniciativa, empreendedorismo, atividade capitalista, mas não como iniciativa prisioneira do sistema assalariado, do trabalho explorado, da atividade trabalhista. Ou seja, o seu autodidatismo é aquele que desenvolve uma comunidade autodidata daqueles que podem vir a se constituir como Estado-Maior da organização dum processo de libertação autodidata do sistema assalariado, da exploração do trabalho, da atividade trabalhista, mas, mesmo assim, correndo o risco deste Estado-Maior vir a ser um sucessor mais desenvolvido da livre iniciativa e empreendedorismo do capitalismo.


O problema então é o da libertação dos trabalhadores da atividade trabalhista, do sistema assalariado, da exploração do trabalho, mas não como algo que passa a ser reconhecido como livre iniciativa, empreendedorismo, atividade capitalista, notório saber. O caráter do autodidatismo dos trabalhadores não é o mesmo do autodidatismo do Escobar. O do Escobar é um autodidatismo inerente à natureza do gênio, do superdotado, do super-homem, enfim, daquele que a vida naturalmente determina porque o tem como sua propriedade, como seu caráter. Já o autodidatismo dos trabalhadores que lutam para se emancipar do trabalho se constitui no interior mesmo do próprio processo de trabalho de forma inerente à relação social que desenvolve os trabalhadores como uma comunidade social, ou seja, é um autodidatismo que não se deve à natureza dos trabalhadores e sim à sociedade ou comunidade artificialmente constituída dos trabalhadores no processo de desenvolvimento do sistema do trabalho ou da produção.


É evidente que ambos autodidatismos têm mais em comum do que as erudições contra as quais se levantam e lutam. Os trabalhadores nada possuem, além de suas próprias forças humanas de trabalho. O caráter do trabalhador é sua força humana de trabalho. O caráter do Escobar é a sua natureza. E como o trabalhador se liberta? Se tornando proprietário comum dos meios de produção, quer dizer, se tornando sim o proprietário da iniciativa, do empreendimento e quem “capitaliza” a produção dos meios de produção comuns e automatizados.


Será que é por aí que se encontra o erro da posição de esquerda do Escobar que defende o caráter autodidata e/ou independente da emancipação ou libertação dos trabalhadores?!





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O ser sensível precede a consciência.





Nossa sensibilidade é inconsciente e da sua existência ou atividade vital nasce, depois de um determinado tempo, a consciência/o eu. A consciência da sensibilidade ou a sensibilidade consciente conhece a si mesma, mas se limita a sentir, a perceber e a conhecer as manifestações para a consciência da sensibilidade inconsciente e não conhece a sensibilidade inconsciente em si mesma. As manifestações para a consciência da sensibilidade inconsciente mostram a presença na sensibilidade consciente de uma vontade inconsciente. Enquanto a sensibilidade consciente conhece a si mesma, quer dizer, a objetividade tal qual ela se mostra para a consciência, já a sensibilidade inconsciente permanece submersa em si mesma e só deixa vir à tona ou à consciência sinais, marcas, manifestações, perturbações, alterações que a vontade inconsciente faz na objetividade sensível tal qual a conhecemos conscientemente. Com a sensibilidade consciente temos acesso à objetividade tal qual ela se mostra para nós, mas com a sensibilidade inconsciente percebemos o acesso à objetividade, tal qual ela se mostra a nós, da vontade duma subjetividade tal qual ela se esconde em nós.





Se chamamos a sensibilidade consciente de coisas para nós que podemos conhecer e a sensibilidade inconsciente de coisas em si que não podemos conhecer, então nos aproximamos da terminologia de Kant. Porém, as coisas em si da sensibilidade inconsciente ainda são sensíveis e acessíveis para nós e passíveis de conhecimento quando se manifestam ou se mostram para nós como presença duma vontade. Já as coisas em si da sensibilidade inconsciente que permanecem escondidas são insensíveis, inacessíveis e incognoscíveis para nós, ainda que, de repente, possam vir à tona. Entre estas coisas em si da sensibilidade inconsciente que, vez por outra, manifesta sua presença como vontade, e as coisas em si da insensibilidade ou do ser tal qual ele é em si independente e liberto da sensibilidade existe uma diferenciação da inconsciência. Diferenciação entre uma inconsciência ou inconsciente insensível e uma inconsciência ou inconsciente sensível. Essas coisas em si do plano da inconsciência ou inconsciente insensível foram chamadas por Kant de númenos e só aí a vontade pode ser inteiramente livre, alma imortal e divindade sem espaço nem tempo, já as coisas em si situadas no plano da inconsciência ou do inconsciente sensível foram chamadas de fenômenos porque aí a vontade já se encontra aprisionada ou encarnada na sensibilidade, na vida mortal e na natureza do espaço e do tempo. Porém, como o plano dos númenos só pode ser suposto como plano contrário ao dos fenômenos e como o plano dos fenômenos é aquele que aprisiona e encarna a vontade na sensibilidade, então surge a compreensão do plano da prática humana dos costumes ou dos comportamentos obedientes ou disciplinados pela encarnação duma determinada vontade como sendo aquele que, no plano dos fenômenos, não apenas supõe a vontade do plano dos númenos mas visa encarná-la como superconsciência, quer dizer, como consciência que transcende a si mesma ou o fenômeno do eu e situa além de si mesma ou no fenômeno do super-eu. Nietzsche situou o fenômeno da consciência ou do eu (consciência sensível) como ponte humana entre o animal (inconsciente instintivo) e o super-homem (superconsciência supersensível). Freud parece ter traduzido mais completamente o esquema de Kant com sua formulação do Id (isso ou coisa em si)/Inconsciente, Ego (consciência ou coisa para nós) e Superego (superconsciência ou supercoisa para nós, quer dizer, as suposições da coisa em si que são encarnadas como supervontade, lei, presença divina para nós ou encarnação da divindade em nós).






Coisa em si sensível ou inconsciente fenomênico e coisa em si insensível ou inconsciente numênico. Coisa para nós sensível ou consciência fenomênica do eu/ego e coisa para nós supostamente "insensível" ou consciência supostamente “numênica”  do supereu/superego.




Se o ser sensível impede o acesso ao ser em si, então a coisa em si real e incognoscível também pode ser, segundo Platão, a mesma coisa real em si para além da caverna da sensibilidade. A coisa em si ou o objeto real similar ao real do filme "Matrix", ainda que aí começa a prevalecer a prática da seita, do segredo, da atividade secreta e/ou dos poucos escolhidos de posse da verdade.




Se o ser sensível não impede o acesso ao ser em si precisamente porque a coisa em si real e inconsciente é sensível







quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Dramaturgia do acaso e a crise atual do governo Dilma e do Lula /Síntese da tese de Marx sobre Epicuro com o epicurismo da psicanálise de Freud

                                                                                                                                           17/03/2016



Como a dramaturgia do senhor e do escravo é explicada por Nietzsche?


O senhor é aquele com excesso de capacidade e o escravo é aquele com carência de capacidade, ou seja, o senhor é aquele que se faz suporte da liberdade e o escravo é aquele que se faz suporte da necessidade. É uma dramaturgia entre a natureza aristocrática do senhor, do capacitado, do livre e a natureza carente do escravo, do incapacitado, do necessitado. Quem vai para o trono ou para o Estado? Naturalmente é o senhor, diz Nietzsche. E quem vai ser súdito ou Sociedade Civil? Claro que ao lado do Rei e no Estado ficam os aristocratas, ainda que os carentes possam servir como criados que vestem, cozinham, servem ao Rei e ao Estado. Os súditos, claro, são todos aqueles que não são o Rei, logo, os aristocratas são súditos, mas, ao mesmo tempo, eles se encontram no mesmo campo do Rei, o Estado, e podem vir a ser Rei. Já súditos e exclusivamente súditos são os carentes que constituem o campo dos escravos, a Sociedade Civil, e que só poderão vir a ser Rei depois de uma luta entre os súditos carentes e os aristocratas. Segundo Nietzsche, isso ocorre quando no interior dos capacitados aristocratas, os guerreiros, surge um que adoece e sentindo a carência da doença se afasta do convívio destes guerreiros. Este que adoece, sente carência de saúde e se afasta dos saudáveis guerreiros vem a constituir a figura do sacerdote. E dele podemos falar que é uma declinação ou desvio da queda (vertical) em linha reta da saúde guerreira dos capacitados aristocratas, logo, é a constituição numa linha curva da carência de saúde guerreira ou do surgimento da capacitação da saúde sacerdotal. Noutras palavras, a figura do sacerdote elaborada por Nietzsche exerce a mesma função do clinâmen epicurista no interior da dramaturgia determinista por ser através dela que se faz a introdução da dramaturgia propriamente dita do acaso. Também podemos falar algo que é próprio do que dizem os especialistas na “Arte da Guerra”, como o chinês Sun Tzu, a respeito da figura decisiva do espião ou agente duplo, o qual, em geral, é um aristocrata, que desempenha um papel importante ao lado do poder aristocrático do Rei, mas que trai seu campo aristocrático, seu reino e seu Rei promovendo a vitória do poder carente dos súditos, dos escravos e, com isso, traz à tona a invenção dum novo campo de ação da linha reta que é o da repulsão (horizontal), porque a sua novidade é a independência em relação à determinação da queda (vertical) em linha reta, a qual destaca a capacidade versus a carência, porque a determinação em linha reta da repulsão (horizontal) admite que todos possuem tanto capacidade quanto carência, afinal, foi isto que o sacerdote aprendeu com sua doença e sua declinação ou desvio, a saber, que ele não é apenas capacidade nem saúde guerreira mas também é carência e saúde carente, ou seja, o sacerdote com o desvio, a declinação ou o clinâmen, tal qual Arquimedes, inventa a alavanca que move, muda e transforma o mundo, que, assim, sai da dramaturgia do determinismo para a dramaturgia do acaso, quer dizer, daquela dramaturgia onde a determinação preponderante é da natureza ou do ator da natureza ou da natureza do ator e passa para a dramaturgia na qual a determinação preponderante é da artificialidade/criatividade ou do ator da artificialidade/criatividade ou da artificialidade/criatividade do ator. Portanto, se pode dizer que a invenção do campo democrático ou da repulsão (horizontal) em linha reta que, aliás, também é a invenção do mercado e dos valores relativos de todo e qualquer quantum presente aí na repulsão (horizontal) em linha reta, ou seja, que ambos democracia e mercado são invenções decorrentes do desvio, da declinação ou do clinâmen, e este pode ser concebido, no final das contas, como presença da carência no interior do campo da capacidade aristocrática. Finalmente, pode-se falar que a experiência pessoal de Nietzsche, depois de se alistar como voluntário da Guerra Franco-Prussiana de 1870, foi decisiva, não só para escrever sua obra de estreia estrondosa no campo filosófico, “A Origem ou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música”, mas também para constituir o próprio Nietzsche como filósofo, artífice, criador e ela é inseparável das histórias e estórias a respeito da doença e do adoecimento do próprio Nietzsche.


Nietzsche diz de sua obra que ela é guerra. E tem toda razão porque ela é obra do desvio, do agente duplo, da alavanca, enfim, de quem se situa na dobradiça de dois movimentos em linha reta, o de queda e o de repulsão, por ser movimento em linha curva, que gira em torno de si, logo, revolucionário, mas que se situa entre os dois movimentos em linha reta e de um modo que participa como alavanca que move e muda um no outro.


- Tá bom. Esta é a explicação de Nietzsche para a dramaturgia do senhor e do escravo, mas que importa isso, aqui e agora?!


Que importa?! Hobbes dizia que “o homem nasce mau e o Estado o corrige”, com isso queria desenvolver um Estado que corrigisse a natureza humana e Rousseau dizia que “o homem nasce bom e a sociedade o corrompe” e, com isso, queria, ao contrário, desenvolver uma sociedade que afirmasse a natureza humana. Hobbes era conservador e defendia o Estado anterior ao surgimento da superpopulosa natureza humana má. Rousseau era progressista e defendia a Sociedade Civil posterior ao surgimento da superpopulosa natureza humana boa. Ambos estavam diante do fenômeno duma superpopulosa natureza humana. Para Hobbes esta superpopulação era uma corrupção da sociedade existente e para Rousseau esta superpopulação era corrompida pela sociedade existente.


Epicuro, o inventor da declinação da queda em linha reta, dizia que as sociedades que não fizeram pactos e/ou contratos (constituições) eram isentas de justiça e de injustiça, precisamente porque não criaram nenhuma lei, logo, nelas vigorava apenas a determinação da Natureza, quer dizer, apenas a dramaturgia do determinismo, posto que as forças dos atores eram pura e simplesmente as forças naturais instintivas, eram apenas as forças determinantes do instinto, portanto, nelas não havia a menor injustiça quando o mais forte com sua força massacrava o mais fraco nem quando o mais fraco se juntava com outros para com suas fraquezas associadas ter forças para massacrar o mais forte. Nelas, em geral, vigorava a “lei” do mais forte, quer dizer, ele é quem dizia o que era “bom” e de “valor” e também o que era “mau” e “sem valor”, como nos ensina Nietzsche. Já Epicuro nos ensina que esses juízos e valores são próprios das sociedades sem justiça nem injustiça por serem sem contratos sociais. As sociedades que fazem contratos, pactos, constituições são aquelas que conhecem a justiça e a injustiça. E tais sociedades são resultantes da declinação, desvio ou clinâmen da determinação da Natureza ou do determinismo da queda em linha reta, ou seja, são sociedades resultantes da artificialidade/criatividade dos atores determinada ao acaso, quer dizer, por uma determinação resultante das invenções dos próprios atores. Portanto, as sociedades que conhecem a justiça e a injustiça, que fazem as leis etc. são sociedades determinadas pela imaginação dos atores ou pelo acaso das ações em torno de si mesmos feitas pelos atores.


As marcas que Nietzsche nos mostra da presença da lei do instinto ou do mais forte, quer dizer, do aristocrata naquilo que conhecemos como sendo o Estado, ele também mostra como sendo lei do instinto ou do mais fraco, quer dizer, do escravo naquilo que conhecemos como Sociedade Civil. No entanto, nos ensina Epicuro, que tais marcas pertencem à dramaturgia sem lei, sem justiça nem injustiça, do determinismo da Natureza e/ou do instinto, mas que aquilo que está presente sob o véu dessas marcas dessa dramaturgia determinista do instinto é a dramaturgia com lei, com justiça e injustiça, da determinação pelo acaso/imaginação e/ou pelo desejo dos atores presentes na dramaturgia. Aquilo que Nietzsche compreende como sendo uma corrupção, um adoecimento da saúde natural é compreendido por Epicuro como sendo uma geração, uma criação da saúde humana.


A democracia, como vimos acima com Nietzsche, é resultante, como vemos com Epicuro, da criatividade humana das sociedades humanas, quer dizer, daquelas sociedades que, ao contrário das simplesmente naturais, criam contratos, pactos, constituições, leis, justiça e injustiça.


Portanto, devemos desconfiar da leitura aristocrática que só vê corrupção na democracia e no mercado, posto que ambos nascem concomitantemente, e que defende como justo e incorruptível o Estado Aristocrático e Natural dos poderosos, dominantes e bem-nascidos. Por outro lado, também não podemos confiar na leitura servil que também só vê e só quer se beneficiar da corrupção da democracia e do mercado, não só por considerar que ambos nasceram concomitantemente, mas sim por considerar que é o interesse e o pragmatismo da corrupção aí presentes que torna a Sociedade Democrática e Própria dos fracos, dos dominados e malnascidos.



Noutras palavras, devemos desconfiar das leituras exteriores à determinação dos próprios atores da sociedade. Porque a leitura interna e própria dos atores da sociedade é aquela que supera e suprime estas marcas da determinação externa ou do determinismo da Natureza e/ou do instinto por se afirmar como determinação interna ou do determinismo do acaso/imaginação e/ou do desejo, ou seja, por se colocar por inteiro no campo do determinismo da sociedade que faz ela mesma a justiça e a injustiça, a lei, quer dizer, no campo da sociedade que é ela mesma socialista ou humana e não de classe ou natural.


Além disso, significa que temos de olhar para a crise atual e ver os aristocratas querendo dar golpe, os corruptos querendo que democracia e mercado sejam meramente corrupção e os socialistas querendo que a justiça e a injustiça bem como a democracia e a lei sejam resultantes da dramaturgia dos atores das sociedades que fazem contratos sociais, constituições, pactos e/ou criam a si mesmas ao acaso das ações mútuas de seus atores.



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Alguém, não sei quem, leu esta semana o último texto que postei em 7 de fevereiro de 2016 e na mesma semana alguém, também não sei quem, leu um texto que publiquei em 7 de setembro de 2015. Reli o de setembro e de fevereiro e concluo que eu já sei diferenciar com relativo grau de detalhamento entre um método que começa pela representação concreta do concreto e dissolvendo a representação do concreto chega aos princípios gerais abstratos e um outro método que começa pelos dissolvidos princípios gerais abstratos da representação e condensando os dissolutos princípios abstratos gerais chega na reedificação abstrata da representação do concreto.


O primeiro método é aquele pelo qual se começa e, por isso, pode ser considerado como o método do ingênuo, do iniciante, do discípulo, do aprendiz. Já o segundo método é aquele pelo qual se finaliza e, por isso, pode ser considerado como o método do crítico, do perito, do mestre, do profissional. Por isso que Marx chama o segundo de o método científico.


No primeiro método não só interrogamos ou investigamos a representação do concreto mas também todos os mestres e, em especial, aquele que é considerado o oráculo pelo saber que possui e nosso trabalho visa decifrar o concreto, então, nossa atividade para chegar ao segredo escondido do concreto é uma atividade de dissolução do concreto. No segundo método estamos de posse do segredo escondido do concreto e a partir dele nos dedicamos à reconstrução abstrata do concreto e também à reconstrução concreta do concreto por meio do uso da abstração ou do segredo escondido do concreto.


Esta relação pela qual todos precisamos passar é também a da passagem do aprendizado do conhecimento para a prática da sabedoria, passagem da atividade de apreender, decifrar, consumir o concreto para a atividade de praticar o apreendido, o decifrado, o consumido do concreto como prática, trabalho, elaboração do abstraído num concreto pensado. Portanto, se trata da passagem do apreender, decifrar, consumir para o elaborar, criar, produzir. Permanecer na primeira atividade e com o primeiro método depois de obter o resultado dessa atividade e método é permanecer aprisionado nos dissolutos princípios gerais abstratos ou é permanecer num mundo abstrato insensível. Avançar para o desenvolvimento da segunda atividade e do segundo método é sair do aprisionamento nos dissolutos princípios gerais abstratos e adentrar na liberdade de criar um concreto pensado ou é adentrar na liberdade de mudar o concreto representado num concreto pensado.


Mas, sabemos que o primeiro método é também aquele presente na tragédia do mítico Édipo e que o segundo método é aquele presente na tragédia do mítico Prometeu e ainda que na tragédia de Édipo é o saber oracular que se encontra fora de Édipo, enquanto que na tragédia de Prometeu é o saber oracular que se encontra representado por Prometeu e que Prometeu diz ter auxiliado Zeus a destronar seu pai Cronos e que Prometeu ainda anuncia que Herácles irá libertar Prometeu pondo em xeque o poder de seu pai Zeus, ou seja, Prometeu conta a história como uma sucessão de situações edipianas e, ao mesmo tempo, mostra que este seu saber oracular do caráter edipiano da historicidade é devido à elaboração prometeica da historicidade edipiana. Noutras palavras, Prometeu tal qual Freud anuncia a universalidade do "Complexo de Édipo", mas pratica a elaboração da singularidade da "Cura Prometeica".


O psicanalisando vai ao encontro do psicanalista que o apresenta ao Complexo de Édipo e, a partir daí, inicia a terapia visando a prática da elaboração da singular ou individual "Cura Prometeica" do psicanalisando, a qual, por sua vez, corresponde à libertação do psicanalista do seu aprisionamento no sistema oracular para um mundo humano.


Finalmente, fica claro que o meu problema é permanecer repetindo a descoberta dos princípios gerais abstratos e não abandoná-los por não me sentir capaz de me lançar na prática de elaborar o concreto pensado, na prática de trabalhar a síntese dos princípios gerais abstratos num concreto pensado, na prática de elaborar ou trabalhar a síntese de múltiplas determinações na concretização do concreto. Por outro lado, fica claro que, graças a minha leitura, das leituras dos leitores anônimos do que escrevi, pude avançar aqui na prática da elaboração duma síntese do epicurismo de Marx e de Freud.






domingo, 7 de fevereiro de 2016

A relação com a sensibilidade e com a insensibilidade

A relação com a sensibilidade e com a insensibilidade.


A princípio o ser é sensível e o não ser é insensível. No entanto, é possível duvidar que o insensível seja não ser argumentando que o sensível só conhece o ser sensível e quanto ao insensível ele não pode afirmar que é ser insensível ou não ser insensível porque só tem certeza de ser sensível.


Olhando para a própria história do vir à luz sensível ou do nascer é possível adquirir consciência que o próprio ser sensível saiu duma mãe e, antes, foi gerado pela relação sexual dessa mãe com o pai. É possível perceber ainda que a consciência não participa da geração, da gestação, do nascimento e dos primeiros anos de vida. Mais ainda, é possível perceber que, quando a consciência começa a participar e a estar presente com lembrança, essa lembrança é muito incerta, nebulosa, melhor, se confunde com fantasia, alucinação, sonho. E quando a lembrança é muito certa, clara e se mostra real, fato, vigília, então, também é possível perceber que aí a consciência que está presente e participa da lembrança é a mesma que nomeia a si mesma de eu.


Um período sem lembrança que é, então, totalmente inconsciente e outro período com lembrança incerta, nebulosa e que é considerado parcialmente inconsciente na forma de fantasia, alucinação, sonho. Este segundo período corresponde, melhor, equivale ao das cogitações da física quântica com seu princípio de incerteza ou indeterminação que afirma o predomínio da nuvem ou da nebulosa sobre o ponto claro e distinto. Já com o primeiro período surgem associações que tornam possível fazer equivalências entre os átomos e os espermatozoides e óvulos, bem como entre o encontro dos átomos no vazio originando a composição e o encontro do espermatozoide e do óvulo no útero originando o feto e, assim por diante, até o nascimento e primeiros anos de vida.


Essas comparações entre ser sensível inconsciente e atomismo até chegar ao ser sensível consciente e à saída do atomismo parecem reafirmar que só temos certeza do ser sensível. Do ser sensível inconsciente, em especial, os átomos e o vazio e os espermatozoides e os óvulos temos certeza da presença duma vontade ou desejo que os faz se encontrar e associar numa composição. Vontade ou desejo que pode ser determinada como encontro de dois átomos ou de espermatozoide e óvulo atraídos por uma queda em linha reta no vazio ou no útero, segundo o primeiro atomismo de Demócrito. Já o atomismo de Epicuro argumenta que a vontade ou desejo cuja determinação é a queda em linha reta no vazio faz os átomos permanecerem afastados uns dos outros em suas quedas em linha reta no vazio e o mesmo argumento é usado para o espermatozoide e o óvulo que caem em linha reta no útero, pois podem perfeitamente permanecer um ao lado do outro no útero quando a vontade ou o desejo que os determina for apenas o da queda em linha reta. Por isso, Epicuro ou Lucrécio, segundo os especialistas, seu discípulo romano, argumentou a favor de um movimento mínimo e próprio dos átomos e do espermatozoide e do óvulo de desvio da queda em linha reta no vazio, movimento este que tornaria possível aos átomos e ao espermatozoide e ao óvulo sair da posição paralela no vazio ou de lado a lado no útero e se encontrar, associar e combinar um com o outro no vazio e no útero. Quando, na física atual, a partir de Einstein, se diz que o espaço é curvo parece que é o mesmo pensamento, de uma vontade ou desejo que dobra o grave, que volta para tornar possível o encontro, associação e combinação do que é físico ou sensível.


A linha curva dos átomos e do espermatozoide e do óvulo durante sua queda em linha reta no vazio e no útero corresponde à afirmação da vontade ou desejo dos átomos e do espermatozoide e óvulo dentro da todo poderosa vontade e desejo da queda em linha no vazio e no útero. Essa pequena vontade ou pequeno desejo próprios do ser sensível é a vontade ou o desejo do vir a ser, enquanto que a grande vontade ou grande desejo exteriores do ser sensível é a vontade ou o desejo do não ser.


Com essa vontade ou desejo do vir a ser é possível vir à consciência da realidade em si, já apenas com a vontade ou desejo do não ser é possível permanecer inconsciente da realidade em si.


Resultado. Para a vontade ou o desejo do vir a ser a possibilidade de vir à consciência da realidade em si corresponde a afirmar o conhecimento ou a ciência da consciência de si, quer dizer, o autoconhecimento humano e não o da própria natureza em si, mas apenas porque esta natureza em si carece de consciência de si. Para a vontade ou o desejo do não ser a possibilidade de permanecer inconsciente da realidade em si corresponde a negar o conhecimento ou a ciência da coisa em si, quer dizer, o conhecimento da própria natureza em si porque ela permanece inconsciente de si.


Porém, este resultado não basta porque ambas posições afirmam ter consciência de si, consciência de ser sensível. Porém, a consciência de si de uma é resultante da própria vontade íntima que dobra si mesma para vir a si, enquanto que a consciência de si da outra é resultado da vontade externa que empurra e expulsa do inconsciente em si para a formação duma consciência para si. A primeira é uma consciência efetivamente de si no sentido de vir a ser consciência do próprio inconsciente ou autoconhecimento. A segunda é uma consciência efetivamente fora de si no sentido de não ser consciência da coisa em si ou auto-ignorância, quer dizer, no sentido de não ser consciência da coisa em si e sim consciência fora da coisa em si, melhor, consciência da coisa aparente ou consciência da consciência ignorante.


Prometeu pega o húmus da terra e dá forma, dá forma ao húmus ou dá forma humana. Porém, a criatura a que deu forma está sem autonomia, então ele rouba a centelha do céu e a dá para a forma humana. A fertilidade do húmus presente na forma humana faz germinar a criatividade que recebe da centelha e, desse modo, sua obra fica completa e a humanidade que formou se torna livre para agir a partir de si mesma. Isso que Prometeu faz como artista é o mesmo que o óvulo e o esperma fazem criando o feto humano. Tanto Prometeu quanto os princípios tratam de fazer a síntese que é a humanidade, o bebê humano.


Édipo mata o pai, casa com a mãe e dá origem a uma prole abominável. Édipo já foi sintetizado pelos princípios, mas ele quer fazer análise e, por isso, mata o pai para que o princípio espermático dele oriundo e que, no caso é o próprio Édipo, possa se associar com o princípio ovular, que no caso é a própria mãe, ou seja, é ele e não mais o pai quem tem relação sexual com a mãe, mas, assim, ele também expressa querer voltar para antes do seu nascimento, porém, isto não ocorre e da sua relação com a mãe nasce a tal prole abominável (monstruosa, vomitada, expulsa), quer dizer, não mais uma síntese propriamente dita e sim a busca de um encontro concreto dos princípios ou mais claramente a realização de uma análise propriamente dita dos princípios. Finalmente, auxiliado por um membro de sua prole abominável, sua filha Antígona, ele vai encontrar a recompensa que sempre buscou e que é o seu túmulo, junto ao túmulo de Teseu, num local secreto e sagrado em Colona, nos arredores de Atenas.


No “método da economia política” Marx diz que existem dois métodos aplicados na economia política. Diz que o primeiro é aquele que parte da representação ou do existente e por meio da análise chega a princípios gerais abstratos. E que o segundo é aquele que parte desses princípios gerais abstratos e vai se elevando até chegar à síntese da representação ou do existente, mas chegar a uma síntese pensada, uma síntese de pensamento. E conclui que este segundo método é método verdadeiramente científico.


Demócrito, que antecede historicamente Epicuro, usa o primeiro método no estudo do sistema do atomismo à maneira de Édipo. Já Epicuro usa o segundo método no estudo do atomismo à maneira de Prometeu. É isso que resulta da leitura da tese de doutorado de Marx sobre Demócrito e Epicuro.

















sábado, 6 de fevereiro de 2016

Inconsciente. Consciência. Superconsciência.













O ser sensível precede a consciência.
















Nossa sensibilidade é inconsciente e da sua existência ou atividade vital nasce, depois de um determinado tempo, a consciência/o eu. A consciência da sensibilidade ou a sensibilidade consciente conhece a si mesma, mas se limita a sentir, a perceber e a conhecer as manifestações para a consciência da sensibilidade inconsciente e não conhece a sensibilidade inconsciente em si mesma. As manifestações para a consciência da sensibilidade inconsciente mostram a presença na sensibilidade consciente de uma vontade inconsciente. Enquanto a sensibilidade consciente conhece a si mesma, quer dizer, a objetividade tal qual ela se mostra para a consciência, já a sensibilidade inconsciente permanece submersa em si mesma e só deixa vir à tona ou à consciência sinais, marcas, manifestações, perturbações, alterações que a vontade inconsciente faz na objetividade sensível tal qual a conhecemos conscientemente. Com a sensibilidade consciente temos acesso à objetividade tal qual ela se mostra para nós, mas com a sensibilidade inconsciente percebemos o acesso à objetividade, tal qual ela se mostra a nós, da vontade duma subjetividade tal qual ela se esconde em nós.
















Se chamamos a sensibilidade consciente de coisas para nós que podemos conhecer e a sensibilidade inconsciente de coisas em si que não podemos, então nos aproximamos da terminologia de Kant. Porém, as coisas em si da sensibilidade inconsciente ainda são sensíveis e acessíveis para nós e passíveis de conhecimento quando se manifestam ou se mostram para nós como presença duma vontade. Já as coisas em si da sensibilidade inconsciente que permanecem escondidas são insensíveis, inacessíveis e incognoscíveis para nós, ainda que, de repente, possam vir à tona. Entre estas coisas em si da sensibilidade inconsciente que, vez por outra, manifesta sua presença como vontade, e as coisas em si da insensibilidade ou do ser tal qual ele é em si independente e liberto da sensibilidade existe uma diferenciação da inconsciência.

















Diferenciação entre uma inconsciência ou inconsciente insensível e uma inconsciência ou inconsciente sensível. Essas coisas em si do plano da inconsciência ou inconsciente insensível foram chamadas por Kant de númenos e só aí a vontade pode ser inteiramente livre, alma imortal e divindade sem espaço nem tempo, já as coisas em si situadas no plano da inconsciência ou do inconsciente sensível foram chamadas de fenômenos porque aí a vontade já se encontra aprisionada ou encarnada na sensibilidade, na vida mortal e na natureza do espaço e do tempo. Porém, como o plano dos númenos só pode ser suposto como plano contrário ao dos fenômenos e como o plano dos fenômenos é aquele que aprisiona e encarna a vontade na sensibilidade, então surge a compreensão do plano da prática humana dos costumes ou dos comportamentos obedientes ou disciplinados pela encarnação duma determinada vontade como sendo aquele que, no plano dos fenômenos, não apenas supõe a vontade do plano dos númenos mas visa encarná-la como superconsciência, quer dizer, como consciência que transcende a si mesma ou o fenômeno do eu e situa além de si mesma ou no fenômeno do super-eu.

















Nietzsche situou o fenômeno da consciência ou do eu (consciência sensível) como ponte humana entre o animal (inconsciente instintivo) e o super-homem (superconsciência supersensível). Freud parece ter traduzido mais completamente o esquema de Kant com sua formulação do Id (isso ou coisa em si)/Inconsciente, Ego (consciência ou coisa para nós) e Superego (superconsciência ou supercoisa para nós, quer dizer, as suposições da coisa em si que são encarnadas como supervontade, lei, presença divina para nós ou encarnação da divindade em nós).



























segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O Sheik de Agadir




É preciso pensar a respeito dessa atividade de escrever para ninguém, já que raramente alguém se interessa pelo que escrevo. É uma escrita que não desperta diálogo no outro e, talvez, nem mesmo monólogo no outro. É uma escrita que se desenvolve sem saber se está promovendo um diálogo interno, um monólogo interno ou um silenciamento interno. É uma escrita para não ler, logo, apenas para sinalizar que alguém escreveu, alguém se deu ao trabalho de fazer aqueles desenhos próprios de uma escrita apenas para garantir que alguém existiu e não para que sua escrita seja lida. Como o personagem da novela deixava escrito para ser lido: 


                                                                  

                                         

                                  “Demian esteve aqui!”.



domingo, 27 de dezembro de 2015

De onde importa e exporta & exporta e importa de onde?!?!




Que importa o que se pense, o que se fale, o que se diga e o que se faça?!


Quando se está morto ou quando se está vivo que nada importa?!


Não sei, qual a diferença?! Basta estar vivo para morrer e basta morrer para deixar de viver


Se a morte é imortal e não para de morrer, então a vida é mortal e única a cada morte


É um entra e sai, um estar dentro e estar fora, um viver e morrer e a cada morrer é um viver que se vai e um viver que vem


Sexo?! Amor?! A-mor-te?!


Jesus Cristo! A morte de Cristo. O sofrimento e a ressurreição. A ressurreição e o desaparecimento pela elevação ao céu.


O céu é sempre olhado como origem e destino do mistério da vida-morte e da morte-imortal.


Quando se vai para o microcosmo, para os átomos e as partículas também se vai de volta para um céu micro e em oposição ao céu macro do macrocosmo


No macrocosmo pode se situar o superego?! No microcosmo se situar o inconsciente?! E no mesocosmo se situa o ego?!


Sem ego, sem consciência, sem palavra, sem conceito ainda assim existe algum cosmo, seja macro, seja micro ou meso?!


A coisa em si existe sem que se tenha acesso consciente a ela?!


Que se pode dizer da coisa em si?!


Nada?! Que é uma coisa linda?! Que é uma coisa horrível?!


"... tudo é perigoso! tudo é divino, maravilhoso!... atenção para o refrão: uau! não temos tempo de temer a morte, é preciso estar atento e forte!..."


... mistério!!!!!!!!!!!!!!!.... mistério??????????...  mistério?!?!?!?!?!...


...





segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Biblia y Ciencia/Opio imaginario del pueblo y el opio real de la élite... está siempre opio?




no se sabe como
pero, asimismo, se sabe
y se dice que la palabra
hace el mundo


y eso es lo mismo que
creer y confirmar la Biblia
pues es ella quién ha dicho
"al principio era la palabra"


lingüística y Dios


pero el Proyecto Genoma
dice que la ciencia
ha llegado a la conclusión
de que había dos padres principales
y una madre primordial


de un lado,
la serpiente y Adán,
del otro,
sólo Eva,
se dice en la Biblia


Génesis y el Big Bang son también similares
parece que el desarrollo de la ciencia sólo
confirma la creencia en la Biblia en cada hogar


la criatura,
con la palabra,
es libre de confirmar,
de manera creativa,
la creación del creador


libertad y destino se diferencian
sólo como equivalentes
tal cual la criatura humana 
con la palabra
pasa a equivaler al creador


... y mismo eso 
lo confirma
la Biblia 
cuando dice que
la criatura humana fue hecha
a la imagen y semejanza de Dios


con la palabra,
los hombres hacen su propia historia,
cambiando el destino de las circunstancias,
pero no el mismo destino de su libertad:
confirmar la libertad del creador/ destino ...


o


"Los hombres hacen su propia historia,
pero no hacen como quieren ... 
la tradición 
de todas las generaciones muertas
oprime 
como una pesadilla
el cerebro de los vivos" (Marx)


variante


"Los hombres hacen su propia historia,
pero no la hacen bajo circunstancias de su elección,
pero bajo las que se enfrentan directamente,
dadas y transmitidas desde el pasado ..." (Marx)