Como é possível atrair a raiva, o ódio e, o que é pior,
aquilo que Nietzsche tanto valorizava (?!), o tal do pathos da distância e
que, tudo indica, nada mais ser do que a indiferença, então, como é possível
que uma pessoa tenha essa capacidade de atração?!
Ora, se aprendemos alguma coisa com a consciência aparente e
a consciência real, tudo indica que foi perceber que a capacidade de atrair a
alucinação que suprime a realidade e de atrair a realidade que suprime a
alucinação depende da subjetividade que nega/trai seus próprios assuntos e da
subjetividade que afirma/realiza seus próprios assuntos.
Mas, em ambos os casos, os
pacientes padecem da atração do ódio
e da indiferença do fórum da religião. A consciência aparente de um Rei padece
como um objeto/um escravo a atração psíquica do ódio e da indiferença. A consciência real de um miserável padece como um sujeito/um
liberto a atração física do ódio e da indiferença. A
consciência aparente de um Rei resiste
fisicamente ao ódio e à indiferença.
A consciência real de um miserável resiste
psiquicamente ao ódio e à
indiferença. O Rei resiste fisicamente tal qual um escravo, logo, ambos Rei e
escravo resistem e imperam como objetos, mas estão submissos e
obedientes como sujeitos. O miserável
resiste psiquicamente tal qual um liberto, logo, ambos miserável e liberto
resistem e imperam como sujeitos, mas estão interditos e
acorrentados como objetos. Então, na
linguagem de Kant, o Rei e o escravo são praticantes do imperativo hipotético,
enquanto que o miserável e o liberto são praticantes do imperativo categórico.
O imperativo hipotético é o da consciência própria aparente. O imperativo
categórico
é o da consciência própria real.
A consciência aparente
é a voz
que pode ser calada ou psiquicamente sufocada e permanecer
fisicamente ativa e resistente. A consciência real é a voz que permanece falante
e psiquicamente
ativa
mesmo podendo ser fisicamente paralisada e interdita.
Então, por mais que fisicamente o ódio e a indiferença isolem
e interdite, a voz, que permanece falante e psiquicamente ativa,
associa e liberta a subjetividade da objetividade. E por mais que psiquicamente
o ódio e a indiferença calem e sufoquem, o corpo, que permanece resistente
e fisicamente
ativo,
isola e interdita a subjetividade da objetividade.
Portanto, amigos, o pior para o sujeito liberto
é calar e sufocar a voz, ainda que o pior para o objeto escravo
seja isolar e interditar o corpo. Por mais que se sofra o ódio
e a indiferença do pathos da distância o melhor que se faz é resistir com a voz
falante
e psiquicamente
ativa.
E o pior que se faz, tudo indica, é resistir com o corpo agente
e fisicamente
ativo.
Será por isso que o crítico não consegue fazer que o autor e
os outros se recolham e retornem resolvidos etc. e tal?! As vozes de todos
insistem em permanecer falantes e psiquicamente ativas, apesar de seus pesares.
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