sexta-feira, 3 de junho de 2016

O Rei do aparente e o miserável do real




Como é possível atrair a raiva, o ódio e, o que é pior, aquilo que Nietzsche tanto valorizava (?!), o tal do pathos da distância e que, tudo indica, nada mais ser do que a indiferença, então, como é possível que uma pessoa tenha essa capacidade de atração?!


Ora, se aprendemos alguma coisa com a consciência aparente e a consciência real, tudo indica que foi perceber que a capacidade de atrair a alucinação que suprime a realidade e de atrair a realidade que suprime a alucinação depende da subjetividade que nega/trai seus próprios assuntos e da subjetividade que afirma/realiza seus próprios assuntos.


Mas, em ambos os casos, os pacientes padecem da atração do ódio e da indiferença do fórum da religião. A consciência aparente de um Rei padece como um objeto/um escravo a atração psíquica do ódio e da indiferença. A consciência real de um miserável padece como um sujeito/um liberto a atração física do ódio e da indiferença. A consciência aparente de um Rei resiste fisicamente ao ódio e à indiferença. A consciência real de um miserável resiste psiquicamente ao ódio e à indiferença. O Rei resiste fisicamente tal qual um escravo, logo, ambos Rei e escravo resistem e imperam como objetos, mas estão submissos e obedientes como sujeitos. O miserável resiste psiquicamente tal qual um liberto, logo, ambos miserável e liberto resistem e imperam como sujeitos, mas estão interditos e acorrentados como objetos. Então, na linguagem de Kant, o Rei e o escravo são praticantes do imperativo hipotético, enquanto que o miserável e o liberto são praticantes do imperativo categórico. O imperativo hipotético é o da consciência própria aparente. O imperativo categórico é o da consciência própria real.


A consciência aparente é a voz que pode ser calada ou psiquicamente sufocada e permanecer fisicamente ativa e resistente. A consciência real é a voz que permanece falante e psiquicamente ativa mesmo podendo ser fisicamente paralisada e interdita.


Então, por mais que fisicamente o ódio e a indiferença isolem e interdite, a voz, que permanece falante e psiquicamente ativa, associa e liberta a subjetividade da objetividade. E por mais que psiquicamente o ódio e a indiferença calem e sufoquem, o corpo, que permanece resistente e fisicamente ativo, isola e interdita a subjetividade da objetividade.


Portanto, amigos, o pior para o sujeito liberto é calar e sufocar a voz, ainda que o pior para o objeto escravo seja isolar e interditar o corpo. Por mais que se sofra o ódio e a indiferença do pathos da distância o melhor que se faz é resistir com a voz falante e psiquicamente ativa. E o pior que se faz, tudo indica, é resistir com o corpo agente e fisicamente ativo.



Será por isso que o crítico não consegue fazer que o autor e os outros se recolham e retornem resolvidos etc. e tal?! As vozes de todos insistem em permanecer falantes e psiquicamente ativas, apesar de seus pesares.



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