sábado, 4 de junho de 2016

O que podem a positividade e a imaginação?!?!?!...




“Antígona” é uma tragédia de Sófocles. Ela é a filha que acompanhou o pai e irmão Édipo durante o exílio em busca do lugar sagrado para ser enterrado e que volta para Tebas para enterrar um dos irmãos que, apesar de na luta fratricida com o outro irmão os dois terem morrido, não foi reconhecido como cidadão tebano com direito aos ritos fúnebres como teve seu irmão. E quem não reconheceu este direito foi Creonte, o irmão de Jocasta, e tio de Antígona e de seus irmãos. Creonte, após a morte de Jocasta e o exílio de Édipo ficou com o poder real, confirmadíssimo depois do aniquilamento fratricida dos irmãos e herdeiros de Jocasta e de Édipo.


A tragédia de Antígona é a de quem quer enterrar seu morto. De quem quer que seu morto seja reconhecido como morto e não ignorado como um desaparecido, como se nem ao menos tivesse nascido na cidade-Estado e não fosse um cidadão de Tebas.


É muito curiosa a co-incidência. Mas é isso mesmo que vemos na figura histórica de Dilma Rousseff. No primeiro momento ela é uma figura prometeica que fica acorrentada e sofre tortura, em seguida, ela aparece como figura dupla (ou será tripla?!), já que encarna tanto Antígona que quer o reconhecimento da cidadania dos ditos mortos e desaparecidos, bem como dos que sofreram torturas, quanto encarna também a figura de Édipo, quer dizer, do governante que sofre um processo de Impeachment. E, ainda mais curioso, em ambos os casos, quem está se beneficiando da perda de poder dela, bem como não reconhecendo seus direitos de reconhecer os desaparecidos, enterrar os mortos e denunciar as torturas sofridas e os torturadores, na medida que se alia com os torturadores e os que não reconhecem os mortos e desaparecidos, é precisamente o irmão de sua mãe, seu tio Creonte, tal qual a figura histórica de Michel Temer é a de quem se beneficia com sua perda de poder, se alia aos algozes dela e de seus companheiros mortos, desaparecidos e torturados, bem como, finalmente, é seu tio e irmão de sua “mãe”, a qual, aqui é o Lula, bem como é ela, uma mulher, quem está encarnando a figura de Édipo.


Isto, talvez, possa esclarecer as características da conjuntura, ou seja, Dilma Rousseff não é nem encarna verdadeiramente a figura de Édipo, mas sim a figura de Antígona, logo, Michel Temer tampouco encarna o Creonte que herda o poder do impeachment de Édipo, mas sim o Creonte que já domina o poder e que persegue, condena e pune Antígona. A verdadeira figura histórica correspondente à de Édipo é o Lula, o pai da “criatura” Dilma tal qual Édipo foi de Antígona. Nesse sentido, estamos diante duma combinação de enredos, onde, na verdade, o fator preponderante do Impeachment de Dilma Rousseff não é o crime de responsabilidade tal qual no caso de Édipo, logo, ela não tem como reconhecer o crime de responsabilidade tal qual Édipo reconheceu. Porque isso? Porque o fator preponderante de seu Impeachment é o não reconhecimento dos direitos de cidadania de uma parte da população, não só da parte da população que foi perseguida, torturada, morta, desaparecida e não-reconhecida como pertencente à mesma cidade-Estado como todo o restante da população, mas também aquela cujos votos não são mais reconhecidos pelo seu aliado, o vice Michel Temer, que deles se beneficiou, pura e simplesmente, porque a Dilma-Antígona perseverou no reconhecimento da cidadania e dos direitos dos mortos, desaparecidos e torturados.


Nesse caso, o crime de responsabilidade foi cometido por Creonte na tragédia “Antígona”, bem como foi sofrido pela protagonista que intitula a tragédia, e agora, na atual conjuntura histórica, está sendo cometido por Michel Temer & Cia na atual conjuntura histórica contra Dilma-Antígona, que sofre a Injustiça.


O que podem a consciência aparente e a consciência real! O que podem o Rei do aparente e o miserável do real, caramba!!!


Mas, onde fica a Peste que castigava Tebas na atual conjuntura? E os filhos de Édipo que cometem fratricídio? Quem é o filho escolhido como cidadão e quem é o rejeitado como cidadão?


Ah, sim. Quem é a irmã de Antígona? Quem é o filho de Creonte? Quer dizer, onde estão estas figuras na conjuntura histórica atual?!










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