terça-feira, 18 de agosto de 2015
Qual o espectro?! Qual o movimento real?!
Luta de classes para chegar ao fim das classes?! Afirma o que existe, a luta de classes, para chegar via negação duma classe pela outra ao fim das classes?! Mas, a afirmação duma classe sobre a outra classe, que é como a classe que se afirma nega a outra classe e, desse modo, faz da outra a classe dos negados, a classe negada, ou seja, pela luta de classes o que se afirma é qual é a classe dominante e não o fim das classes, certo?! Aqui, nos meus pensamentos, e aí, entre os leitores - se é que os há -, vem a ideia de aprofundar a dominação de classe de modo a exterminar a classe negada, a classe dos negados, para que não mais exista nenhuma classe negada e, com isso, deixe de existir também a classe dominante que afirmou esta extinção da classe negada, melhor, dominada. A exterminação pura e simples parece que foi experimentada com os pelotões de fuzilamento, com as prisões em massa e com a apropriação pelo Estado de todas as propriedades que possam ser fonte ou originar a continuidade da(s) classe(s) negada(s). Os nazistas que queriam exterminar raças e não propriamente classes partiram para um extermínio mais direto que indo além dos pelotões de fuzilamento, prendiam em campos de concentração para exterminar os corpos em câmaras de gás, fabricando sabão, bolsas etc. ou, pura e simplesmente, exterminando os corpos em fornos crematórios. Porém, aqui, o que interessa é o experimento dos que buscaram o extermínio da classe negada e que visavam o extermínio das classes. Nesse experimento a classe dominante, que de tudo se apropria via Estado, traz para si a propriedade de tudo, traz para si as propriedades da(s) classe(s) dominada(s), mas, desse modo, ela mesma muda de classe ao passar à condição de proprietária exclusiva do Estado. E o Estado diferencia o proprietário do Estado do proprietário da Sociedade Civil. Esta "nova" classe dominante considera que só o Estado é proprietário e a Sociedade Civil é inteiramente desapropriada ou só é proprietária em alguns casos, em algumas exceções, que são concessões feitas pelo Estado. E aí são os trabalhadores que são funcionários do Estado e membros reconhecidos do partido do Estado aqueles que efetivamente são proprietários do Estado, já que aqueles que não são funcionários do Estado nem membros reconhecidos do partido no poder do Estado se encontram na condição de membros da Sociedade Civil sem direitos à condição de proprietária, exceto nos casos das concessões, mas com os deveres da condição de propriedade do Estado, ou seja, os trabalhadores da sociedade em geral são a classe dominada pela classe dominante dos trabalhadores do Estado "em geral".
Hegel foi dos fenômenos até o espírito. Tudo ficou sujeito ao desaparecimento e, ainda que permanecesse o que permanecia era uma alienação vazia de conteúdo, já que este ficava com o tempo, melhor, com o espírito, com a ideia.
Seu discípulo Feuerbach disse que esta abstração que restava como conteúdo não era a ideia, não era o espírito e era sim o homem, quer dizer, o humano, porque a abstração era propriedade ou qualidade exclusiva do ser humano.
Seu discípulo Marx disse que este conteúdo abstrato não era propriedade ou qualidade exclusiva do ser humano, no sentido de inerente à natureza do ser humano isolado, mas sim da humanidade, no sentido de inerente à sociedade dos seres humanos.
Se para Hegel bastava alcançar e ser a ideologia dominante, já para Feuerbach era suficiente o "homem" conquistar o poder do Estado para conquistar a Sociedade Civil dos homens ou indivíduos singulares e, enfim, para Marx era preciso ir além da emancipação política ou conquista do poder do Estado com a correspondente Sociedade Civil dos homens ou indivíduos singulares para alcançar a emancipação social ou a conquista da sociedade dos seres ou indivíduos humanos comuns, quer dizer, era preciso destruir a máquina do Estado e a Sociedade Civil correspondente por meio da conquista da Comunidade Humana ou da Humanidade Comum.
Através de Hegel a morte imortal fica com a ideia, com o espírito que, como consciência, se apropria da vida mortal. Através de Feuerbach a morte imortal fica com a natureza humana, o "homem", com o ser humano que, como consciência, se apropria da vida mortal. Através de Marx a morte imortal fica com a sociedade humana, com a humanidade social, com o ser humano comum ou a comunidade dos seres humanos que, como consciências, se apropriam de suas vidas mortais.
O espectro que ronda a Europa com Hegel é o do espírito absoluto cujo movimento real é o da ideia, da ideologia. Daí o poder absolutista do Estado, da ideia ou do espírito, quer dizer, da propriedade estamental do espírito ou ideia acima de tudo e de todos.
O espectro que ronda a Europa com Feuerbach é o do humanismo absoluto cujo movimento real é o da natureza humana. Daí o poder absolutista da Sociedade Civil, da natureza humana ou do humanismo, quer dizer, da propriedade privada do "homem" ou indivíduo isolado.
O espectro que ronda a Europa com Marx é o do comunismo cujo movimento real é o da sociedade humana. Daí o poder absolutista da comunidade trabalhadora, da sociedade humana ou do comunismo, quer dizer, da propriedade comum dos "homens" ou indivíduos socializados/indivíduos sociais.
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Nas manifestações verdes amarelas contra Dilma e o PT ainda se vê como espectro que ronda o Brasil o daquele "comunismo de Estado" que é algo que está mais para uma adaptação de Hegel do para uma aplicação de Marx.
Mas, qual é o movimento real deste espectro visto pelos manifestantes verde-amarelos?! São o PT e a CUT?! Mas, de que modo o PT e a CUT querem implantar o tal espectro do "comunismo de Estado"?! Corrompendo tudo?! Ora, desse modo, é simplesmente impossível porque corrompem a si mesmos, portanto, praticam a autodestruição, se tornam seus próprios coveiros.
E os manifestantes querem que o Brasil seja rondado por qual espectro?! Ou seja, qual o movimento real dos manifestantes verde-amarelos?! No geral, eles são ordeiros e pacíficos, ainda que existam entre eles aqueles que são ordeiros e belicistas, que querem um golpe militar. Que querem os ordeiros e pacíficos?! Querem menos impostos, menos Estado e mais Sociedade Civil, mais propriedade privada, ou seja, estão mais para Feuerbach e seu movimento real da natureza humana e da propriedade privada humanista do que para o movimento real da ideia ou da propriedade estamental/estatal ideológica de Hegel.
domingo, 16 de agosto de 2015
A dramaturgia, quem pode com ela?!/Impeachment? Não!!!... LIBERDADE!!!
15/03/2016
Esta monstruosidade, a dramaturgia, quem pode com ela?
O PT nasceu como a mais completa afirmação do Manifesto do
Partido Comunista, de Marx & Engels, e dos Estatutos da Associação dos Trabalhadores, também escritos por Marx, ou seja, ele nasceu como o mais genuíno partido dos
trabalhadores que toda a teoria de Marx pensou no século XIX, por isso, ele
pareceu ser um acontecimento estrondoso no Brasil e no mundo. E era de tal
monta o espectro ou o fantasma que ele representava que Lech Valessa, líder do
movimento dos trabalhadores poloneses que lutavam contra o comunismo soviético,
rejeitava a aproximação com o PT por ver nele um partido ainda mais clássico
que o dos comunistas soviéticos. No entanto, ambos PT e Solidariedade, eram
componentes do mesmo fenômeno histórico e que era o da afirmação dos
trabalhadores pelos próprios trabalhadores, sem a interferência de doutrinas
nem de reformistas sociais, ou seja, seus dirigentes eram mesmo os próprios
trabalhadores e não os quadros doutrinários e revolucionários de socialistas,
comunistas etc.
O PT parecia ter saído dos escritos de Marx e adquirido vida,
mas com uma personalidade histórica ainda mais perfeita do que aquela descrita
nos textos de Marx. O PT era efetivamente o partido dos trabalhadores que os
textos de Marx tinham anunciado, ou seja, ele nasceu no interior do movimento
dos trabalhadores e já nasceu se “forjando como partido” e foi só depois disso
que ele veio a criar a sua central sindical, portanto, ele nasceu das greves
dos trabalhadores por meio das quais os trabalhadores se afirmaram e
organizaram em classe e, por conseguinte, em partido político. Tal qual Marx
tinha escrito no Manifesto: a luta de classes conduzia os trabalhadores a se “organizar
em classe e, portanto, em partido político” e o PT tinha feito exatamente isso,
tinha afirmado literalmente essa passagem do Manifesto. O PT era fantástico,
maravilhoso e atraía irresistivelmente toda a esquerda e de um modo ainda mais
perfeito porque nasceu fazendo a tão famosa “unidade da diversidade”, que Marx
tinha descrito no “Método da Economia Política”, e que, na verdade, era a aplicação
mais completa que já existiu dos Estatutos da 1ª Internacional dos Trabalhadores,
a de Marx, porque nele existia espaço e tempo para que todas as mais diversas
correntes do movimento social dos trabalhadores pudessem se abrigar. O PT era
um fenômeno social e político de importância mundial, internacional, ou seja, “nunca
antes na história do Brasil e do mundo existiu um partido dos trabalhadores
como o PT liderado pelo Lula”.
O socialismo democrático do PT era a maior das singularidades
que já tinha vindo a ser no mundo, porque se diferenciava da socialdemocracia europeia
e do social-burocratismo soviético. Em parte alguma do mundo já tinha vindo a
ser uma tal singularidade. O socialismo democrático do PT era efetivamente o
que de mais revolucionário já tinha vindo à existência no mundo. O mundo
inteiro estava encantado e intrigado com a singularidade do socialismo
democrático do PT e agentes da socialdemocracia europeia e do
social-burocratismo soviético vinham ver de perto o PT e tentar desvendar o seu
grande feito. Qual era o seu enigma? Se perguntavam todos.
O PT era a realização efetiva na história do mito do partido
dos trabalhadores porque veio à existência precisamente quando o Neoliberalismo
foi lançado no mundo, quando o socialismo real entrava em decadência e
derrocada no mundo, quando o Brasil dava início àquilo que foi chamado de a “década
perdida”, enfim, quando o Estado do Bem-Estar Social (o qual, geralmente, é
visto como uma defesa dos interesses sociais dos trabalhadores pelo Estado e
contra o mercado) foi enterrado pelo Neoliberalismo surgiu o PT, quando o dito
Socialismo ou Comunismo Real de Estado entrava em decomposição surgiu o PT,
quando o desenvolvimentismo entrava em colapso no Brasil surgiu o PT. Então, o
PT, para além do mito e como agente real, surgiu como parte integrante e
componente irresistível do Neoliberalismo.
O PT esperou a virada do século e só chegou ao poder quando o
socialismo já não se colocava mais na pauta política e social em parte alguma.
Agora, só existia mesmo o problema da democracia e do terrorismo do
fundamentalismo religioso. Lula, o líder do PT, eleito presidente do Brasil
chegou a ser chamado de “o cara” pelo Barack Obama dos EUA, o mais poderoso dos
presidentes do mundo.
A política social do PT, reclame ele do FHC ou não, foi a
das bolsas que se reuniram numa só, a que foi chamada de Bolsa Família. E esta política
social foi proposta pelo chefe neoliberal dos chamados Chicago’s Boy, o Milton
Friedman. Este economista argumentava que era preciso fornecer dinheiro para
que os pobres e/ou os sem dinheiro pudessem consumir as mercadorias e, desse
modo, ativar a economia. Esta se tornou a doutrina de Lula. Não só com o Bolsa
Família, mas em tudo que signifique aumentar o consumo e manter a economia
ativa por meio da maior circulação monetária.
Mercado máximo era o grito do Neoliberalismo e também foi o
do Lula e do PT.
Tinha um crítico que dizia que no Brasil as ideias e as
pessoas/classes estão fora de lugar. É isso que o PT em toda sua trajetória,
desde sua origem até agora, demonstra: Mito, realizado por estar fora de lugar
e Monstruosidade Real por ser inseparável do capitalismo neoliberal.
Marx, depois disso, só é autor de mitos ou sua crítica ainda
tem vez? Se tiver vez, então como se combate o capitalismo e como os trabalhadores
se libertam da produção do valor e/ou da mercadoria?! Eles efetivamente visam
sair da condição de meras mercadorias?! Em caso positivo, como?! Forjando o Partido
dos Trabalhadores?! O PT demonstrou que isso não passa de um mito, então como
podem os trabalhadores se libertar?! O interesse de se libertar da produção do
valor/mercadoria não é dos trabalhadores?! É de quem?! E como se organiza a
luta para fazer esta libertação da mercadoria ou produção do valor?!
A dramaturgia fora de lugar é a do determinismo que, nos
enganando, faz crer que praticamos a dramaturgia do acaso. Como saímos do
mercado?! O Estadão soviético, que suprimiu o mercado, assim que desmoronou
trouxe à tona o mercado e todas as instituições da sociedade civil anterior desde
a Igreja Ortodoxa até a mais avançada instituição financeira, ou seja, o Estado
não pode acabar com o mercado porque, como dizia Marx, ele é resultado ou
efeito da sociedade civil e não causa nem determina a sociedade civil. A saída
do mercado se faz por meio da sociedade, mas duma sociedade que se torna
comunidade, quer dizer, faz dos produtos não mais mercadorias e sim produtos de uso
comum ou equipamentos sociais e comuns dos usuários.
Como se faz isso?! Com qual dramaturgia?!
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16/08/2015
Impeachment? Não!!!
Dilma foi responsável pelos Ministérios das Minas e Energia e da Casa Civil. Foi na área do primeiro que veio a ocorrer os problemas de corrupção (ao que parece relacionados à descoberta do pré-sal), também os problemas de energia hidrelétrica (ao que parece relacionados aos desmatamentos das matas ciliares legitimados pelo Novo Código Florestal). Foi na área do segundo que ocorreu o mensalão, ainda que não sob seu comando.
Ainda que se procure até agora não há nada que possa justificar uma tal medida contra a Presidente Dilma Rousseff. Se pode não gostar e discordar dela, mas é preciso reconhecer que esse direito de pensar diferente vem sendo garantido por ela mais do que por qualquer outro governo brasileiro do nosso passado recente. A liberdade é o valor mais prezado pela Presidente Dilma e, até agora, ela não deixa a menor dúvida que aguenta as críticas precisamente porque respeita a liberdade de quem as faz. Os direitos democráticos de livre organização e livre expressão são o maior espetáculo do governo Dilma Rousseff. E, em especial, do segundo governo Dilma Rousseff que revela para o mundo inteiro aquilo que se encontra no cerne da Presidente e que foi denominado em sua campanha de "coração valente", ou seja, é o mesmo brado, do herói escocês interpretado por Mel Gibson que define toda sua trajetória e posição políticas: LIBERDADE!!!
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dilma_Rousseff#cite_note-40
http://pib.socioambiental.org/pt/noticias?id=33580
A dança da farsa autêntica com o autêntico farsante?! E vice-versa?!
As críticas ao sindicalismo atrelado ao Estado e ao imposto sindical estão presentes na tradição trabalhista de esquerda e a Dilma Rousseff é dessa tradição.
O novo sindicalismo, nascido com as greves do ABC e com Lula, criou o PT e a CUT combatendo o sindicalismo atrelado ao Estado e o imposto sindical, mas acabou retrocedendo no combate e aceitando a manutenção do imposto sindical e do atrelamento do sindicalismo ao Estado.
O curioso da história do sindicalismo no Brasil é seu nascimento sob predominante influência anarquista trazida pelos trabalhadores industriais que eram basicamente estrangeiros importados da Europa, ou seja, eram parte do excesso de contingente dos trabalhadores europeus do fim do século XIX e início do século XX.
Greves amplas e famosas desse sindicalismo caracteristicamente anarquista e europeu foram as de 1917. Aliás, os fundadores do PCB, em 1922, foram trabalhadores brasileiros que, até pouco antes, eram sindicalistas e anarquistas.
Enquanto se desenvolviam as divergências entre os comunistas e os anarquistas em relação ao sindicalismo e à organização apenas em movimento e à organização também em partido, surgiu a Revolução de 30 e com ela a formalização do trabalhismo duma estrutura sindical dita corporativa ou atrelada ao Estado, a qual, aliás, também foi importada da Europa, da Itália fascista.
E o sindicalismo autônomo, seja anarquista, seja comunista, simplesmente perdeu influência significativa e capacidade de exercer hegemonia sindical, ou seja, o sindicalismo real passou a ser o trabalhista, quer dizer, o sindicalismo tutelado pelo Estado que o criou.
Marx observava que a estrutura corporativista era característica da ausência de emancipação política, isto é, característica da situação na qual não existe separação entre Estado e Sociedade Civil de modo que os indivíduos são inteiramente dependentes das organizações corporativas porque apenas através delas existe o reconhecimento dos direitos políticos e civis, ou seja, destacava Marx, a Sociedade Civil corporativista é imediatamente política ou estatal/Estado. Assim, as reflexões de Gramsci podem ser compreendidas como tendo sido desenvolvidas para aquelas condições nas quais vigora a estrutura corporativista imediatamente política da Sociedade Civil que é imediatamente Estado e inseparável do Estado. Noutras palavras, condições nas quais vigora por toda parte a tutela do Estado e nas quais o tutor exerce por toda parte seu poder. A emancipação política nasceu nessas condições e para se libertar dessas condições.
A emancipação política que nasceu nessas condições do Estado e Sociedade Civil corporativos trouxe consigo o liberalismo, quer dizer, a separação entre Estado e Sociedade Civil de modo que os indivíduos passaram a poder agir livre e criativamente na Sociedade Civil e também passaram a ter reconhecidos seus direitos individuais de cidadão inteiramente independentes das corporações sociais civis de qualquer tipo.
Esta emancipação política trazida junto com o liberalismo foi muito apreciada por toda a filosofia clássica alemã e também por Marx, o qual, observava que a filosofia clássica alemã era inteiramente congruente com a realidade da Inglaterra e da França, países liberalmente desenvolvidos, e que era preciso realizar a filosofia clássica alemã na Alemanha, ou seja, a filosofia clássica alemã precisava se realizar na Alemanha saindo do mundo de sonhos da filosofia e entrando e se concretizando no mundo real da anacrônica Alemanha como contemporaneidade da realidade mundana ou como contemporaneidade real do mundo. E Marx foi se radicar na Inglaterra para com a filosofia clássica alemã conhecer e realizar diretamente a ciência da contemporaneidade real do mundo e também participar da ação da contemporaneidade da realidade mundana e exportá-la para o continente europeu e para a Alemanha. É curioso que a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), da qual Marx, na qualidade de secretário-geral, foi o principal dirigente, não tenha tido o sindicalismo alemão como associado, o qual, aliás, se contrapunha ao internacionalismo da AIT na qualidade de sindicalismo nacional e, por sua vez, também era imediatamente político, isto é, era a um só tempo sindicato e partido lassalleanos. Ferdinand Lassalle foi o fundador da Associação Geral dos Trabalhadores Alemães, fundada em 23 de maio de 1863, apenas um ano antes da AIT que foi fundada em setembro de 1864.
Sindicalismo internacional, quer dizer, da Sociedade Civil e independente do Estado-Nação, logo, significa sindicalismo separado do Estado ou politicamente emancipado, consequentemente, quando os trabalhadores formados num tal associativismo internacional vierem a se organizar em partidos políticos que lutam para exercer o poder político de e em cada Estado-Nação eles trarão os interesses emancipatórios da Sociedade Civil para o exercício da cidadania no poder do Estado, ou seja, exercerão o poder nacional do Estado visando a concretização dos poderes nacionais numa Sociedade Internacional na qual se dissolve o Estado-Nação, porque exercerão o poder nacional da Sociedade Civil sobre o Estado-Nação visando a concretização do poder da Sociedade Civil nacional e internacional bem como a dissolução do Estado-Nação do seu país e dos demais países. Esta, ao que indicam seus textos, foi a proposta de Marx de mudança de modo de produção capitalista para modo de produção comunista.
O que interessa ressaltar aqui é que o novo sindicalismo do PT e da CUT surgiu como emancipação política trazida junto com o liberalismo numa conjuntura de lançamento do chamado Neoliberalismo. E atraiu anarquistas, marxistas identificados com o Marx da I Internacional, marxistas identificados com II Internacional (socialdemocratas), marxistas identificados com a III Internacional (leninistas, stalinistas, maoístas), marxistas identificados com a IV Internacional (trotskystas, guevaristas, castristas), cristãos etc. Mas, em pouco tempo ele foi voltando a ser e querer o trabalhismo e isso ocorreu precisamente quanto mais viável se tornou sua chegada ao poder político do Estado-Nação e, inclusive, há quem considere que, em 89, Lula e a cúpula do PT deliberadamente perderam as eleições, no último debate da TV Globo, porque consideraram que com aquela base emancipacionista política não teriam condições de exercer o poder dum Estado que acabava de sair duma ditadura e que era tradicionalmente corporativista. Então, Lula e a cúpula do PT resolveram adiar a conquista do poder político da presidência da república de modo a ir modificando a sua base de sustentação política, quer dizer, de modo a ir profissionalizando e/ou criando uma estrutura partidária e sindical burocrática corporativa "profissional" ou "de ofício".
Dilma Rousseff é uma trabalhista de esquerda, quer dizer, daquelas que gostariam de um sindicalismo independente do Estado. Foi ela quem se aproximou do PT, mas dum PT (e duma CUT) que buscam o trabalhismo como forma de atrelamento ao Estado. Curiosamente, ela, a trabalhista, parece se situar à esquerda de Lula, o petista, que quer o retorno do trabalhismo. E isto porque ela quer avançar para o sindicalismo independente do Estado e Lula quer retroceder para o trabalhismo atrelado ao Estado.
A autenticidade parece estar na representante de esquerda da farsa trabalhista e a farsa parece estar no representante de direita da autenticidade do novo sindicalismo criador do PT e da CUT.
sábado, 15 de agosto de 2015
O problema é tutela/obscurantismo versus emancipação/esclarecimento?!
Movimentos sustentados pelo Estado são uma tradição do uso
político da razão do governante ou do tutor, mas os movimentos sustentados por
sua própria auto-organização social e civil são uma tradição do uso político da
razão dos trabalhadores na luta por sua emancipação ou saída da menoridade.
O trabalhismo seria pertencente à primeira tradição,
enquanto que o PT e a CUT seriam membros da segunda tradição. No entanto, o PT
e a CUT resolveram se passar para a primeira tradição e, ao que parece, duma
maneira tão sistemática e grandiosa que simplesmente trouxeram a Peste de Tebas
para a Petrobrás, o governo e o país.
Todo o problema é o de tutela e obscurantismo versus
emancipação e esclarecimento?!
Lula, PT e CUT versus Dilma e vice-versa?! Ou não versa-vice?!
Usos públicos da razão.
O trabalhismo foi muito mais o uso público da razão do
governante do que dos trabalhadores.
O PT e a CUT nasceram muito mais como uso público da razão
dos trabalhadores do que do governante.
O trabalhismo foi muito mais o uso público da razão do
governante do Estado Providência, do Estado do Bem-Estar Social ou do Estado
Máximo do que dos trabalhadores da Sociedade Civil Organizada.
O PT e a CUT nasceram muito mais como uso público da razão
dos trabalhadores da Sociedade Civil Organizada Neoliberal, do Mercado Máximo
ou da Globalização do que do governante do Estado Mínimo.
O trabalhismo foi muito mais o resultado do uso público da
razão do governante desenvolvimentista que trouxe décadas ganhas de
industrialização do que o PT e a CUT foram resultantes do uso público da razão
dos trabalhadores da sociedade civil organizada com a expansão da década
perdida neoliberal.
O PT e a CUT chegaram ao poder e imediatamente começaram a sentir
a necessidade de reavivar o trabalhismo e, nesse sentido, até mesmo a escolha
de Dilma Rousseff, oriunda do trabalhismo do PTD, pode ser percebido como parte
desse esforço de reavivamento do trabalhismo.
O PT e a CUT abandonaram o uso público da razão dos
trabalhadores para chegar ao poder e para exercer o poder e passaram a se
esforçar para fazer uso público da razão do governante para permanecer e se
consolidar no poder. Foi aí que o trabalhismo pareceu para o PT e a CUT como a
ferramenta adequada e que poderia servir como uma luva para que pudessem fazer
uso público da razão governante e abandonar o uso público da razão dos
trabalhadores.
Porém, quem vem do trabalhismo está sofrendo o abandono do
uso público da razão do governante e surpreendido pelo uso público da razão dos
trabalhadores, portanto, se reaviva o trabalhismo, com o uso público da razão
do governante, só faz tal ressuscitação aprendendo com o uso público da razão
dos trabalhadores. Ou seja, só pode vivenciar de forma autêntica, esta procura
do PT e da CUT da luva do trabalhismo para o uso público da razão governante,
quem sofrendo com as derrotas do trabalhismo aprendeu com o uso público da
razão dos trabalhadores. É por isso que Dilma Rousseff parece ter sido
encomendada sob medida para solucionar o problema dos trabalhadores que querem
o uso público da razão do governante trabalhista e o abandono do uso público da
razão dos trabalhadores, já que ela considera que é aprendendo o uso público da
razão dos trabalhadores que poderá recuperar e reativar o uso público da razão
do governante trabalhista.
Só Dilma Rousseff cobra dos trabalhadores do PT e da CUT
aquilo que eles próprios deveriam cobrar de si próprios faz muito tempo: o uso
público da razão!!!
Por sua vez, são os trabalhadores do PT e da CUT que
abandonam o suo público da razão e exigem que apenas Dilma Rousseff assuma o
uso público da razão do governante trabalhista!!!
Quem fará o uso político da democrática e revolucionária razão?!
Getúlio Vargas teve o segurança pessoal Gregório Fortunato dando tiro em adversário e, depois dessa decepção, deu ele próprio tiro no seu coração.
João Goulart teve o político cunhado Leonel de Moura Brizola agitando e propagandeando o golpe político no adversário e no país e, depois dessa agitação, sofreu ele próprio o golpe político do adversário no país.
Dilma Rousseff tem a CUT fazendo o papel de Gregório Fortunato?! Tem o PT fazendo papel de Leonel de Moura Brizola (o incendiário da juventude e não o bombeiro da maturidade)?! Ou não é bem isso porque se Jango foi a criatura de Vargas, já Dilma é a criatura de Lula?! Ora, Lula não se suicidou mas tampouco seu Chefe da Casa Civil matou alguém, pelo contrário, optou pelo sacrifício de si próprio e, desse modo, foi José Dirceu quem agiu de forma política semelhante a Getúlio Vargas. Foi depois dessa atitude política suicida de José Dirceu que Lula adotou a política proposta por José Dirceu de aliança com o PMDB e é quase certo também que Lula, depois disso, percebeu que Dilma, por suas coincidências de trajetória política semelhantes com as da história de José Dirceu, era a escolhida porque nela ele podia confiar politicamente já que, sem pestanejar, assumiria tranquilamente o sacrifício de si própria. Se Lula armou alguma coisa, então não foi um atentado como o fez Gregório Fortunato e sim a sua sucessão na presidência da república através de Dilma Rousseff. No entanto, se o sacrifício de José Dirceu equivale ao de Getúlio Vargas, então o sacrifício de Dilma Rousseff equivale ao de João Goulart?! Se a armação da sucessão de Lula equivale ao atentado de Gregório Fortunato, então qual ato e de quem equivale ao papel incendiário de Leonel de Moura Brizola?!
Aécio Neves vem representando o papel de quem?! De Carlos Lacerda?! E o Eduardo Cunha representa o de quem?!
Muito mais importante é ver que uma completa transvaloração dos valores conseguiu fazer da armação de um atentado, como o da Toneleiros contra Carlos Lacerda, a armação duma sucessão eleitoral como foi a de Dilma ao Lula. Ou seja, muito mais importante é descobrir qual é a transvaloração dos valores que conseguirá fazer da agitação e propaganda incendiárias de um golpe político revolucionário, como o Brizola fez contra os adversários do trabalhismo janguista, a serenidade e continuidade harmônicas de um desenvolvimento do uso público da razão e/ou do uso político da revolucionária razão?!
Candidata a Gregório Fortunato da Dilma?!
O discurso brucutu do representante da CUT em evento com a Dilma só serviu para abrilhantar ainda mais o uso público da razão da própria Dilma, ainda que também tenha revelado onde se encontra parte da base golpista que desestabiliza o governo de Dilma Rousseff.
A CUT é a candidata a Gregório Fortunato da Dilma?!
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