domingo, 26 de outubro de 2014

Como sair do mundo dos mortos como vontade viva que muda e frui o mundo dos vivos?!?!?! {7}




Voto nulo é voto morto, então vou entrar na cabine e dar um tiro na cabeça!




Desde dois de outubro que de decepção em decepção o coração enche de desânimo e não saio do mundo dos mortos. Não existe opção. Eu quero votar nulo e anular as eleições, mas o meu voto nulo e o de todo eleitor não tem mais este poder desde que um Juiz Eleitoral interpretou a lei como sendo desejo do legislador que ele, Juiz Eleitoral, fosse o único a ter poder de anular as eleições e que os eleitores fossem duplamente anulados.


Anulados quando querem anular as eleições e votam nulo, porque aí seus votos não são válidos e não entram no cômputo das eleições. E anulados quando votam em alguém, porque aí seus votos são válidos e entram no cômputo das eleições como votos nulos só porque o Juiz Eleitoral assim votou, quer dizer, julgou.


Que poder o do Juiz Eleitoral, hein!? Com tamanho poder eleitoral só existe uma perspectiva ou ilusão de ter algum poder ou influência em relação ao voto, digo, julgamento dele: Dar mais poder a ele para que de maneira previamente determinada, quer dizer, por meio de Ato Institucional inspirado na Segurança Nacional ou por meio de Lei Contra a Corrupção Eleitoral, assegure que qualquer candidato tenha Atestado de Ideologia ou Ficha Limpa.


Tem quem, sem desfrutar diretamente desse poder excessivo, seja dum Regime de Exceção como foi a Ditadura Militar, seja dum Regime de Regra como é esta Democracia Jurídica, se sinta justificado, num caso, para fazer a luta armada contra a Ditadura Militar e, em outro caso, para fazer a insurreição revolucionária contra a Democracia Jurídica. Esses defendem o voto nulo, mesmo quando ele em nada interfere na decisão eleitoral, porque querem o mesmo poder excessivo sendo exercido pelos “lutadores militares” que fazem a luta armada ou pelos “insurretos jurisprudentes” que fazem a insurreição revolucionária.


Greve eleitoral!!! Esta seria a saída democrática da desobediência civil e para ela já existe preparado um elenco de medidas que a torna ridícula como o voto facultativo, o voto local distrital ou distrital misto que remete para a organização corporativa da época do Antigo Regime e para os delegados das organizações privadas que elegem indiretamente seus dirigentes ou depois de escolherem as chapas as lançam para as eleições diretas que as referendem, os referendos e os plebiscitos aos quais os regimes corporativos fascistas e nazistas costumavam recorrer etc.


Mesmo assim a desobediência civil duma greve eleitoral seria a única a proporcionar algum alento, mas como? Pela regra, bastaria que os poucos interessados comparecessem às urnas para que os votos fossem válidos e os que não comparecessem seriam multados ou então os eleitos, evitando multar e ser impopular, interpretariam que chegou a hora de pôr em vigor o voto facultativo.


Mas e os dois candidatos? Nenhum dos dois é o meu candidato, mas, para escolher: Não existe um menos pior?!


Existem alguns que costumam usar as eleições burguesas para denunciar o Estado burguês e que nunca elegem seus candidatos e que também defendem o voto nulo ou a anulação do eleitor no 2º turno. E chegam a argumentar que o melhor candidato, o de “esquerda”, nas condições burguesas, pode ser muito pior para os trabalhadores e o povo ao servir muito mais para convencê-los da conservação destas condições. E, por outro lado, argumentam que o pior candidato, o de “direita”, nas condições burguesas, pode ser muito melhor para os trabalhadores e o povo ao servir muito mais para convencê-los a se lançar na luta geral pela modificação das condições burguesas. Mas, ao mesmo tempo, eles argumentam que não se vote em nenhum deles, que se vote nulo, melhor, que o eleitor se anule já que voto nulo é voto morto. Então qual é, na verdade, a posição deles?! Estão em cima do muro ou são oportunistas?! Qual é a desses revolucionários defensores do voto nulo no 2º turno que, ao mesmo tempo, defendem que o melhor é pior e que o pior é melhor?!


Se seguir a escolha da minha candidata do 1º turno optarei pelo candidato de “direita” ou pelo pior candidato que é melhor por possibilitar a luta geral pelas mudanças sociais.


Se seguir a minha possível escolha da candidata de “esquerda” ou da melhor candidatura, então estarei optando pela pior situação por só possibilitar a conservação das atuais condições sociais e descartar a luta geral pelas mudanças sociais, por jogar fora qualquer perspectiva de futuro.


Conclusão: Todas as opções têm o mesmo resultado porque todas elas me anulam e, desse modo, são voto nulo, logo, voto morto, quer dizer, um tiro na cabeça!!!


Como sair do mundo dos mortos como vontade viva que muda e frui o mundo dos vivos?!?!?!


Vou agora até à urna para ver o que vou fazer. O quê?!?! "Só sei é que nada sei", diria Sócrates, já eu digo que, em todos os casos, vou dar um tiro na cabeça!!!













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