https://espacoacademico.wordpress.com/2019/08/19/janaina-freixo-e-o-copacabana-palace/#comments
Toda a discussão a respeito do “Que Fazer?” costuma
girar em torno da ciência e/ou consciência que vem de fora do movimento
operário para assumir aí a posição de consciência para o movimento operário, a
posição de consciência para si. Nesse sentido, a crítica que aparece é a de que
essa consciência para si é a do tutor, é a da tutela, é a da permanência do
movimento na menoridade, porque a maioridade é assumida por essa consciência
para si do tutor, o qual, por sua vez, se organiza como estado-maior da
consciência para si, da tutela, do tutor. Essa crítica, a meu ver, é
corretíssima e denuncia toda a aterrorizante falha de o “Que Fazer?”, aquela
que o torna fonte dos chamados “Comunismos ou Socialismos Reais”, por uns, e
dos nomeados “Estados Operários Degenerados”, por outros, e, ainda por outros,
dos designados “Capitalismos de Estado”, e também por aqueles que os destacam
como “Totalitarismos” etc.
Porém, existe uma outra avaliação que pode ser feita
de o “Que Fazer?”. E que pode ser compreendida como a luta entre a fração
comunista e a fração burguesa dos ideólogos que se passa para o proletariado.
Nesse caso, o organizador coletivo do revolucionário profissional está
respondendo a uma necessidade da mudança da educação e que é aquela que
considera que “o educador precisa ser educado”, portanto, que essa organização
coletiva do revolucionário profissional está voltada para a educação do “educador
que precisa ser educado”, logo, está voltada para a educação da fração burguesa
dos ideólogos que se passa para o proletariado de modo a garantir a formação ou
educação efetiva de uma fração comunista ou revolucionária profissional do
proletariado. Esta organização coletiva dos revolucionários profissionais está
ocupada com a formação de um educador revolucionário profissional e que é
alguém que precisa ser educado, está ocupada diretamente com a mudança da
educação e indiretamente com a mudança das circunstâncias. A mudança das
circunstâncias é ocupação direta dos trabalhadores e os trabalhadores são
revolucionários por paixão, por sofrimento, por sensibilidade, por sentimento,
por percepção sensível, são revolucionários apaixonados, por amor próprio
existencial, revolucionários por seus seres reais.
A criação dessa organização coletiva dos
revolucionários profissionais é a de um meio de produção da mudança da educação
por meio da educação do educador. Os trabalhadores ou proletários são
revolucionários por suas relações com a mudança das circunstâncias, com a
mudança da objetividade, com a mudança dos objetos, são revolucionários por sua
ocupação com o movimento real de mudança objetiva ou das circunstâncias. Eles
assistem o espetáculo da luta dos revolucionários profissionais contra a
educação trazida pela fração burguesa dos ideólogos, assistem à luta dos
revolucionários profissionais para educar os educadores da fração burguesa dos
ideólogos. Assistem ao espetáculo da luta dos revolucionários profissionais
contra e para educar a ideologia burguesa indo a todas as classes com essa
crítica da ideologia burguesa. Com isso sentem um certo alívio por adquirirem
um tempo para experimentar a liberdade de usar o seu próprio entendimento e
desenvolver a sua própria consciência de si e como são voltados para a mudança
das circunstâncias usam suas consciências de si para criar organizações sociais
coletivas chamadas de sovietes.
Essa avaliação do organizador coletivo dos
revolucionários profissionais como um meio de produção da educação do educador
e/ou da crítica da ideologia burguesa para abrir um espaço-tempo livre da
ideologia burguesa para os trabalhadores fazerem livre uso de seus próprios
entendimentos é uma avaliação favorável e revolucionária do “Que Fazer?”. Mas a
avaliação anterior e que inclusive se desenvolveu substituindo os dirigentes
dos sovietes por comissários revolucionários profissionais é uma avaliação
desfavorável e revisionista do “Que Fazer?”, porque em lugar de fazer a crítica
da ideologia burguesa se volta para a crítica das iniciativas revolucionárias
dos trabalhadores, para a interdição do livre uso dos trabalhadores de seus
próprios entendimentos, de suas próprias consciências de si.
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Chávez e Maduro são representantes de qual “Que Fazer?”
o dos revolucionários profissionais críticos da ideologia burguesa ou dos
revisionistas profissionais interditores e tutores do livre uso do entendimento
e da consciência de si dos trabalhadores?!
Janaína Paschoal, Alexandre Frota, Kim Kataguiri não
só conversam com Marcelo Freixo ou vice-versa, quer dizer, Marcelo Freixo não
só conversa com Janaína Paschoal, Alexandre Frota, Kim Kataguiri como também
polemiza com Carlos Bolsonaro, o qual, se tornou notícia por responder a Freixo
divulgando uma lista de suspeitos de corrupção, na qual estava seu irmão Flávio
Bolsonaro, para destacar a presença de um parlamentar do PSOL entre os suspeitos
de corrupção listados.
Eles estão trazendo à tona o livre uso de seus
próprios entendimentos e a verdade? Ou a escravidão no uso de seus próprios
entendimentos e Fake News?
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Em 1978, se não me engano, o Copacabana Palace Hotel
foi a sede de um encontro internacional de psicanálise, esquizoanálise,
antipsiquiatria, movimento antimanicomunial etc. Franco Basaglia, Guattari,
Castells etc. estiveram presentes. Foram evidentes os serviços prestados para a
Anistia, o fim da Ditadura, a retomada da Democracia etc.
Essa é a questão: Ir ou não ir a todas as classes para propagar o
socialismo e a crítica da ideologia burguesa?!
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