sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A propósito de "Janaína, Freixo e o Copacabana Palace"





https://espacoacademico.wordpress.com/2019/08/19/janaina-freixo-e-o-copacabana-palace/#comments 


Toda a discussão a respeito do “Que Fazer?” costuma girar em torno da ciência e/ou consciência que vem de fora do movimento operário para assumir aí a posição de consciência para o movimento operário, a posição de consciência para si. Nesse sentido, a crítica que aparece é a de que essa consciência para si é a do tutor, é a da tutela, é a da permanência do movimento na menoridade, porque a maioridade é assumida por essa consciência para si do tutor, o qual, por sua vez, se organiza como estado-maior da consciência para si, da tutela, do tutor. Essa crítica, a meu ver, é corretíssima e denuncia toda a aterrorizante falha de o “Que Fazer?”, aquela que o torna fonte dos chamados “Comunismos ou Socialismos Reais”, por uns, e dos nomeados “Estados Operários Degenerados”, por outros, e, ainda por outros, dos designados “Capitalismos de Estado”, e também por aqueles que os destacam como “Totalitarismos” etc.


Porém, existe uma outra avaliação que pode ser feita de o “Que Fazer?”. E que pode ser compreendida como a luta entre a fração comunista e a fração burguesa dos ideólogos que se passa para o proletariado. Nesse caso, o organizador coletivo do revolucionário profissional está respondendo a uma necessidade da mudança da educação e que é aquela que considera que “o educador precisa ser educado”, portanto, que essa organização coletiva do revolucionário profissional está voltada para a educação do “educador que precisa ser educado”, logo, está voltada para a educação da fração burguesa dos ideólogos que se passa para o proletariado de modo a garantir a formação ou educação efetiva de uma fração comunista ou revolucionária profissional do proletariado. Esta organização coletiva dos revolucionários profissionais está ocupada com a formação de um educador revolucionário profissional e que é alguém que precisa ser educado, está ocupada diretamente com a mudança da educação e indiretamente com a mudança das circunstâncias. A mudança das circunstâncias é ocupação direta dos trabalhadores e os trabalhadores são revolucionários por paixão, por sofrimento, por sensibilidade, por sentimento, por percepção sensível, são revolucionários apaixonados, por amor próprio existencial, revolucionários por seus seres reais.


A criação dessa organização coletiva dos revolucionários profissionais é a de um meio de produção da mudança da educação por meio da educação do educador. Os trabalhadores ou proletários são revolucionários por suas relações com a mudança das circunstâncias, com a mudança da objetividade, com a mudança dos objetos, são revolucionários por sua ocupação com o movimento real de mudança objetiva ou das circunstâncias. Eles assistem o espetáculo da luta dos revolucionários profissionais contra a educação trazida pela fração burguesa dos ideólogos, assistem à luta dos revolucionários profissionais para educar os educadores da fração burguesa dos ideólogos. Assistem ao espetáculo da luta dos revolucionários profissionais contra e para educar a ideologia burguesa indo a todas as classes com essa crítica da ideologia burguesa. Com isso sentem um certo alívio por adquirirem um tempo para experimentar a liberdade de usar o seu próprio entendimento e desenvolver a sua própria consciência de si e como são voltados para a mudança das circunstâncias usam suas consciências de si para criar organizações sociais coletivas chamadas de sovietes.


Essa avaliação do organizador coletivo dos revolucionários profissionais como um meio de produção da educação do educador e/ou da crítica da ideologia burguesa para abrir um espaço-tempo livre da ideologia burguesa para os trabalhadores fazerem livre uso de seus próprios entendimentos é uma avaliação favorável e revolucionária do “Que Fazer?”. Mas a avaliação anterior e que inclusive se desenvolveu substituindo os dirigentes dos sovietes por comissários revolucionários profissionais é uma avaliação desfavorável e revisionista do “Que Fazer?”, porque em lugar de fazer a crítica da ideologia burguesa se volta para a crítica das iniciativas revolucionárias dos trabalhadores, para a interdição do livre uso dos trabalhadores de seus próprios entendimentos, de suas próprias consciências de si.


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Chávez e Maduro são representantes de qual “Que Fazer?” o dos revolucionários profissionais críticos da ideologia burguesa ou dos revisionistas profissionais interditores e tutores do livre uso do entendimento e da consciência de si dos trabalhadores?!


Janaína Paschoal, Alexandre Frota, Kim Kataguiri não só conversam com Marcelo Freixo ou vice-versa, quer dizer, Marcelo Freixo não só conversa com Janaína Paschoal, Alexandre Frota, Kim Kataguiri como também polemiza com Carlos Bolsonaro, o qual, se tornou notícia por responder a Freixo divulgando uma lista de suspeitos de corrupção, na qual estava seu irmão Flávio Bolsonaro, para destacar a presença de um parlamentar do PSOL entre os suspeitos de corrupção listados.


Eles estão trazendo à tona o livre uso de seus próprios entendimentos e a verdade? Ou a escravidão no uso de seus próprios entendimentos e Fake News?


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Em 1978, se não me engano, o Copacabana Palace Hotel foi a sede de um encontro internacional de psicanálise, esquizoanálise, antipsiquiatria, movimento antimanicomunial etc. Franco Basaglia, Guattari, Castells etc. estiveram presentes. Foram evidentes os serviços prestados para a Anistia, o fim da Ditadura, a retomada da Democracia etc.


Essa é a questão: Ir ou não ir a todas as classes para propagar o socialismo e a crítica da ideologia burguesa?!



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